Totalmente reformado para sediar jogos da Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho, e da Copa do Mundo de 2014, o Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte, corre o risco de ficar subutilizado e de se tornar cenário apenas de partidas com expectativa de grande público. Nesta terça-feira, a direção do Cruzeiro notificou o Minas Arena, consórcio responsável pela administração do estádio, para a possibilidade de rescisão do contrato para o clube mandar suas partidas no local. O Atlético-MG já havia se recusado a assinar contrato com o consórcio por considerar “imorais” os termos do acordo e adotou o Estádio Independência, também na capital mineira, como sua “casa”.

Em seu site oficial, o Cruzeiro acusa o Minas Arena de “diversas infrações” no contrato, como “falha na prestação de serviço ao torcedor, ausência de informação adequada, não concessão de vagas de estacionamento ao clube, falta de transparência, ausência de prestação de contas, inadimplência e atraso no pagamento de verbas estabelecidas, dentre tantas outras”. A nota é assinada pelo presidente do clube, Gilvan de Pinho Tavares, que informa à torcida cruzeirense a possibilidade de o time atuar no Mineirão apenas nas partidas de “grande porte” e optar por outras arenas para jogos com expectativa de público menor.

O atrito com o consórcio – que levou a direção cruzeirense a notificar extrajudicialmente o Minas Arena – engrossou quando o hino atleticano foi executado no sistema de som do Mineirão no último domingo, quando o Atlético-MG, mesmo perdendo de 2 a 1 para o Cruzeiro, conquistou o título do Campeonato Mineiro – foi campeão porque tinha vencido o primeiro jogo da final, quando teve o mando no Independência, por 3 a 0. Segundo Gilvan de Pinho Tavares, o hino do rival foi veiculado “em exato momento em que a torcida do Cruzeiro demonstrava seu apoio à equipe” cantando o próprio hino.

Para a direção cruzeirense, o ato configurou “ataque frontal”, “golpe vil” e “desrespeito à instituição que tem o Mineirão como sua casa”. A notificação, dirigida ao presidente do Minas Arena, Ricardo Salles de Oliveira Barra, afirma ainda que o consórcio cometeu uma “afronta desmedida, impensada e inoportuna” e que, além de “aleivosia gratuita”, o fato poderia ter desencadeado violência por parte da torcida “que teve seu brado contido no seu próprio lar”.

O Mineirão foi reinaugurado em dezembro, após uma reforma que demorou mais de dois anos. E a primeira partida realizada no local, também entre Cruzeiro e Atlético-MG, no início de fevereiro, foi marcada por uma variedade de problemas. Torcedores não tinham como comprar alimentos ou bebidas porque os bares estavam fechados, não havia água nos bebedouros nem nos banheiros, que estavam sujos e sem iluminação, e faltou lugar para cadeirantes.

No início de maio, o Ministério Público Estadual (MPE) também entrou com ação judicial pedindo a interdição da arena por causa de uma série de problemas de acessibilidade. A Justiça negou a liminar pedida pelo MPE, mas deu prazo de 30 dias para o Minas Arena fazer as adaptações necessárias, com risco de o local ser interditado judicialmente em caso de descumprimento. A reportagem entrou em contato com a assessoria do consórcio, mas, até o começo da noite desta terça-feira, não houve retorno.