Com o impasse em torno da liberação de recursos para a conclusão das obras de adequação da Arena da Baixada, nenhum especialista da construção civil se atreve a cravar que o estádio conseguirá ficar pronto dentro do prazo final estabelecido pela Fifa – dezembro de 2013. Todos os consultados pelo Paraná Online foram categóricos em afirmar que o cronograma está seriamente comprometido, e uma certeza eles já têm: a reforma da Arena vai demorar mais do que quando o estádio precisou sair do zero, cujas obras duraram de dezembro de 1997 a junho de 1999. Agora, a reforma começou em dezembro de 2011 e só deve ficar pronta no final de 2013 ou começo de 2014.

A lentidão nas obras do estádio atleticano está ligada diretamente à falta de recursos, apontam os engenheiros civis. “O problema é que o dinheiro não sai e, diante dessa dificuldade, e com o atraso, tudo vai encarecendo. Com a liberação dos recursos, alguns contratos que estavam suspensos poderão ser reativados”, explica o conselheiro do Instituto de Engenharia do Paraná (Iep) Rui Medeiros. “Alguns materiais usados na Arena, como vidros, telhas e a parte de fundações e do estacionamento, são oriundos das mesmas empresas que estão abastecendo outros estádios. Não é do dia para a noite que vão chegar esses materiais. É preciso que haja uma programação, e isso só será possível com a liberação dos recursos”, emenda.

Para exemplificar, o conselheiro do Iep ressalta que, para a aquisição dos elevadores que serão usados na Arena da Baixada, a programação precisa ser feita com um ano de antecedência. “Os elevadores levam um ano para ser fabricados. Isso tudo fez o cronograma ficar bastante prejudicado”, resumiu Rui Medeiros, achando que inchar o canteiro de obras de operários pode não ser a solução para acelerar as obras. “Isso depende de várias questões. Aumentará o custo que não está previsto e as leis trabalhistas são muito rígidas neste sentido”, avalia.

Além disso, o acréscimo em alguns itens que não estavam previstos na remodelação da Arena da Baixada, como a instalação do teto retrátil, fez subir os custos da obra. Segundo Mauro Lacerda Santos Filho, engenheiro civil e coordenador do convênio firmado entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Tribunal de Contas do Paraná (TCE) e o Atlético, essas mudanças também contribuíram para o atraso no cronograma. “Aconteceram algumas mudanças no projeto. Primeiro não havia cobertura, agora decidiram que haverá o teto retrátil. Essas modificações atrasaram um pouco”, revela.

Santos Filho disse ainda que a entrega da Arena da Baixada para dezembro de 2014 só será viável se, além da liberação de recursos, haja organização e logística no canteiro de obras do estádio. “Obras desse tipo necessitam de grande organização de pessoal humano nos canteiros e logística no fornecimento de materiais e equipamentos de instalações. Com isso, permite-se que mais de um frente de trabalho possa agir para apressar certo nível de operação para viabilizar o cronograma”, sintetiza.

O especialista afirma ainda que, dependendo do caso, a reutilização de uma obra já existente, como é o caso da Arena da Baixada, pode levar mais tempo do que a construção de um estádio começando do zero. “A falta de agilidade na liberação dos recursos atrapalhou. Porém, fazer a reutilização das obras é mais complexo do que começar do zero”, conclui.