Criada especificamente para gerir as obras de reforma e ampliação da Arena da Baixada, a CAP S/A está com o nome sujo na praça. Em débito com diversas empresas e empreiteiras que prestaram serviços, a CAP S/A, que tem Mário Celso Petraglia como seu presidente, possui 304 títulos protestados em cartórios de Curitiba e uma dívida atual de R$ 10.837.750,40. Com todos os recursos dos financiamentos recebidos – da Fomento Paraná e do BNDES -, o valor final do novo estádio atleticano deve ser superior a R$ 330 milhões, como foi informado pelo clube em janeiro deste ano.

Mesmo depois de receber a parcela de R$ 6,4 milhões do quarto contrato de financiamento da Fomento Paraná na semana passada, o Atlético não conseguiu arcar com todas as suas dívidas. Assim, prestes a iniciar a colocação do teto retrátil, o clube, por causa dos débitos com diversas empresas do meio da construção civil, pode ter dificuldades para encontrar empreiteiras que queiram trabalhar na instalação da nova tampa do caldeirão.

Depois de muitas promessas não cumpridas pelo clube, algumas empresas colocaram os títulos em protesto para tentar receber os valores o mais rápido possível. ‘É uma tentativa de protestar e colocar esse caso na Justiça para tentar receber do Atlético, mas acaba demorando muito. O advogado das empresas vai tentar bloquear o pagamento a partir do momento que o clube comece a jogar de novo na Arena da Baixada, com torcida’, frisou um dos empresários, que tem R$ 70 mil para receber.

Ontem, um dos empresários entrou em contato com o departamento financeiro do Atlético e da CAP S/A, mas o funcionário do clube informou desta vez que Petraglia está doente e que os pagamentos estão paralisados até que o mandatário retome as suas atividades normalmente. Independentemente disso, o mesmo grupo de empresários que protestou em frente à sede administrativa do Furacão deve voltar hoje para cobrar pessoalmente.

Reprodução
Empresários e empreiteiros cansaram de esperar pelo pagamento da CAP S/A e decidiram cobrar a dívida na Justiça.

Valor final

Depois de cravar o valor final da obra em R$ 330 milhões, no início deste ano, a dívida total da CAP S/A de R$ 10,8 milhões em títulos protestados prova que a quantia será maior. Nesta semana, técnicos da Price Waterhouse, que faz desde o início a medição do cronograma físico e financeiro da obra do estádio, estará novamente reunido com a CAP S/A para fechar o relatório final do empreendimento para dar à Fomento Paraná a conta final da obra. A partir da semana que vem, a empresa de auditoria fará o levantamento final e, na segunda quinzena de agosto, técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverão fazer o fechamento do relatório final para o banco federal.

Mais um

O presidente Mário Celso Petraglia esteve na sede da Fomento Paraná na semana passada, mas não para solicitar um novo contrato de financiamento, mas sim para fazer os ajustes necessários para a liberação da parcela residual do quarto empréstimo firmado junto ao banco estadual. Se quiser solicitar um novo empréstimo, a CAP S/A primeiramente terá que limpar seu nome e, desta vez, terá que cumprir as regras e taxas normais da instituição financeira estadual. Assim, o clube não teria mais a sua disposição os juros cobrados nos outros contratos, quando a Fomento Paraná adotou os valores estipulados no programa Procopa Arenas, do BNDES. Se precisar abrir uma nova linha de crédito em qualquer instituição financeira, o clube só poderá utilizar o CNPJ do próprio Atlético para a aprovação do empréstimo.,

Salvação

O Atlético pode encontrar dentro de casa a solução para finalmente pagar as empresas e empreiteiras que prestaram serviços na reforma e ampliação da Arena da Baixada. O empréstimo de um ano do atacante Éderson para o Al Wasl, dos Emirados Árabes, firmado na semana passada, deve render um bom dinheiro aos cofres do clube, que poderá então pagar seus débitos ou pelo menos uma parte deles.

Paraná Online no Google Plus

Paraná Online no Facebook