O Liberal
Roberto Brum fez exelente partida, marcando
e armando no meio-campo, mas viu o empate
com sabor de castigo no último minuto.

Poderia ser bem melhor. Sendo superior ao Paysandu em quase todo o jogo, o Coritiba não conseguiu uma vitória, que seria fundamental para os planos de classificação no campeonato brasileiro. Um pênalti convertido por Jóbson aos 45 minutos do segundo tempo definiu o 1 a 1, ontem, no Estádio Olimpico do Mangueirão. Ainda assim, o Coxa é terceiro na competição.

A primeira boa notícia foi a escalação de Adriano, que sofria de dores lombares, mas mesmo assim foi liberado pelo departamento médico. Com isso, Paulo Bonamigo tinha em campo todos os seus titulares, coisa que não tivera contra o Goiás. Do lado do Paysandu, o técnico recém-contratado, Hélio dos Anjos, comandava a equipe das tribunas do Mangueirão, que recebia bom público.

Os minutos iniciais foram de pressão do Paysandu, que necessitava do resultado para fugir da incômoda situação no campeonato. A primeira chance foi de Zé Augusto, aos 10 minutos, mas o atacante paraense não conseguiu vencer Fernando. Logo depois, foi a vez de Roberto Brum arriscar, mas o arremate não assustou Marcão.

A partida era equilibrada, e as duas equipes não conseguiam chegar à frente – tanto Cori quanto Paysandu preferiam a marcação à armação. Aos 15 minutos, em um erro na saída de bola coxa, Zé Augusto tentou surpreender Fernando, que mandou para escanteio. O meio-campo alviverde falhava nos passes, rifando o jogo e facilitando as coisas para os paraenses.

Aos poucos, o Coritiba ganhou corpo e partiu para o ataque, calcado na boa atuação de Roberto Brum e na movimentação de Lima. E, aos 29 minutos, Adriano cruzou da esquerda e Lima, com um sutil toque de calcanhar, abriu o placar em Belém. O gol fez o Paysandu se lançar ainda mais ao ataque, o que abriria a possibilidade do contra-ataque alviverde. Aos 40 minutos, Adriano quase aproveitou a cobrança de falta de Lúcio Flávio. A última chance da primeira etapa foi de Jóbson, mas Fernando fez ótima defesa.

Pressionado, o time paraense tentou, com duas alterações, mudar o panorama da partida. Mas a primeira chance real foi coxa, com Da Silva, que recebeu passe de Reginaldo Araújo e conseguiu ‘furar’, desperdiçando grande chance. Aos 10 minutos, foi a vez de Tcheco errar, quando penetrava na área do Paysandu.

Apesar do adversário querer jogar no ataque, quem dominava o jogo era o Cori, que mantinha a posse de bola (como pedira Bonamigo) e perdia várias chances. Uma delas aconteceu aos 19 minutos, quando o ataque alviverde fez linha de passe – o arremate final coube a Lima, que mandou para fora. O Paysandu assustou minutos depois, em um arremate de Sandro que explodiu na trave de Fernando.

Bonamigo mexeu na equipe – uma alteração tática (Jabá no lugar de Da Silva) e uma médica (Badé em lugar de Adriano, que não agüentava mais as dores nas costas). O pequenino atacante perdeu boa chance aos 33 minutos, depois de receber lançamento de Lúcio Flávio. Este perdeu outra oportunidade incrível. O meia deslocou Marcão, mas mandou para fora.

A presença ofensiva do Coritiba acabava servindo para administrar o jogo e, por conseqüência, enervar ainda mais jogadores e torcida paraenses. Mas, aos 44 minutos, Edinho Baiano cortou com a mão o cruzamento de Valdomiro, e o pênalti foi marcado. Na cobrança, Jóbson deslocou Fernando e conseguiu o empate no último minuto. O Cori deixou o campo com o gosto amargo de um empate que parecia uma derrota. O próximo jogo alviverde é contra o Botafogo, sábado, em Campos.

Clube quer explicação para mudança de local

É daquelas coisas que acontecem no campeonato brasileiro. O Coritiba foi informado ontem de que não vai mais enfrentar o Botafogo no Rio de Janeiro, como estava previsto na tabela. Preferindo evitar as pressões de jogar no Maracanã, em Caio Martins ou mesmo em Édson Passos, os cariocas levaram o jogo para o Estádio Godofredo Cruz, em Campos dos Goytacazes coincidência ou não, cidade natal do presidente da federação local Eduardo Viana, o “Caixa D’Água”.

Os rumores para uma mudança de jogo começaram na semana passada, e a diretoria do Cori estava sabendo de eles. Tanto que um membro do Conselho Administrativo fora incumbido de acompanhar as movimentações do Botafogo e evitasse que a partida fosse transferida para Caio Martins que não tem a capacidade exigida pelo regulamento da competição (vinte mil pessoas).

A segunda opção dos cariocas foi o Estádio Giulite Coutinho, em Édson Passos, mas a CBF também não autorizou. Ontem, a surpresa: o Godofredo Cruz fora escolhido pelo Botafogo. No boletim divulgado no site da entidade, a explicação era lacônica e evasiva “atendendo solicitação do mandante”, diz o aviso.

O Coritiba quer mais detalhes sobre a mudança. “Fomos surpreendidos pela escolha, e precisamos saber se o estádio comporta vinte mil pessoas”, afirmou o secretário Domingos Moro, que está chefiando a delegação coxa no giro fora de casa. “Se for o caso, vamos lutar por nossos direitos, pedindo quem sabe uma indenização”, avisou o dirigente. O Cori terá que mudar todo o planejamento de viagem por causa da mudança do jogo.