O Coxa deu um passo importante para a conquista do título estadual, ao vencer o Atlético por 1×0

Na raça e empurrado pela torcida, o Coritiba repetiu o feito do ano passado e novamente saiu na frente na primeira partida das finais do Campeonato Paranaense. Procurando o gol o tempo inteiro, o Alviverde mostrou mais futebol e venceu o Atlético por 1 a 0, com gol do predestinado Rafinha, ontem, no Pinheirão. Agora, o time do Alto da Glória com um empate se torna tricampeão estadual, enquanto o Rubro-Negro precisa vencer por dois gols de diferença para quebrar a hegemonia do arquirrival. Em caso de vitória do Furacão por apenas um gol de vantagem, o campeão sairá na prorrogação. Se mesmo assim não houver vencedor, o título será decidido nas cobranças de pênalti. A partida decisiva acontece domingo, na Kyocera Arena, às 15h50.

Após a ?choradeira? da semana em torno da arbitragem, a promessa era de que as duas equipes iriam apenas jogar futebol. E foi o que aconteceu. Se as equipes não chegaram a encher os olhos das torcidas pela técnica, na disposição foi uma partida de arrepiar. A emoção superou o nervosismo inicial e não fosse o gramado tão irregular, o espetáculo poderia ter sido bem melhor. Mesmo assim, as jogadas saíram e o placar só não foi maior porque tanto Diego quanto Fernando se superaram e os meias Fernandinho e Marquinhos decepcionaram.

Sem os camisas 10 numa boa tarde, Fabrício pelo Atlético, e Rodrigo Batata e Capixaba pelo Coritiba assumiram a responsabilidade e criaram as melhores oportunidades. Marquinhos e Batata quase marcaram e pararam nas boas defesa dos arqueiro rubro-negro. Do outro lado, o zagueiro Miranda colocou a mão na bola dentro da área, nada marcado pela arbitragem, para azar dos atleticanos. Uma das poucas falhas de Héber Roberto Lopes, discreto e eficiente no restante da partida.

Vendo o Coritiba com maior domínio e levando mais perigo, Casemiro Mior ousou mais e deu mais velocidade ao time com Maciel no ataque e Marcão pela ala-esquerda. Enquanto Marcão arrancava, carregava o time e ainda finalizava, Maciel não repetiu as partidas anteriores e não conseguiu nenhuma oportunidade concreta de gol. Sentindo que o Atlético poderia partir para cima, foi a vez da torcida alviverde entrar no jogo também.

Foi um verdadeiro show nas arquibancadas, quase que tomadas pelas cores verde e branco e sugerindo bem mais que os quase 14 mil pagantes colocados no borderô. Quase dez minutos de gritaria infernal para acordar os comandados de Antônio Lopes e frear o ímpeto dos atleticanos. A tática deu certo e Batata armou a jogada fatal. Ele lançou Nunes pela esquerda, que cruzou para Rafinha apenas completar. Nova explosão no Pinheirão e a sensação de missão cumprida na primeira partida das finais do Paranaense pelo lado alviverde. Domingo, será a vez dos rubro-negros darem a resposta.

O pequeno Rafinha foi gigante

Era seu primeiro Atletiba. Sua primeira decisão como profissional. Ao invés de se intimidar com a responsabilidade, Rafinha mostrou personalidade e fez uma grande atuação. E fez ainda mais. Marcou um gol histórico, o de número 500 pelo time coxa na história do maior clássico do Estado, que pode dar ao Coritiba o tricampeonato. Um empate na próxima partida garante a festa alviverde.

Como não poderia ser diferente, a emoção tomou conta do jovem atleta coxa-branca. ?A vibração da torcida foi incrível. Na hora do gol, comecei a tremer. O Nunes chegou a pedir para eu me acalmar?, revelou. Foi o segundo gol como profissional no campeonato marcado por Rafinha, que tem 19 anos.

Tudo isso vem coroar a grande fase do lateral/ala alviverde. Destacando-se como uma grande promessa em uma posição carente de talentos no futebol brasileiro, Rafinha parece ter pela frente um futuro promissor. Convocado para a seleção brasileira sub-20, que irá disputar um torneio no Chile, foi liberado pela CBF para disputar as finais do estadual. O Coritiba estava certo.

Choro com esperança

?Não era o resultado que gostaríamos de levar para casa, mas não tem nada perdido.? A frase do técnico Casemiro Mior resume bem o pensamento do vestiário do Atlético após a derrota de ontem para o Coritiba. Mesmo reconhecendo a superioridade do adversário, ele lamentou a atuação abaixo do esperado de seus comandados e espera reverter a situação na partida de volta, domingo, na Kyocera Arena. Antes disso, o Rubro-Negro encara o América de Cali pela Copa Libertadores, também em casa, quinta-feira, às 21h15.

?A nossa equipe não esteve no nível dos outros jogos, mesmo na recuperação da bola, nós erramos muitos passes, na saída de trás, ficamos muito longe e a equipe muito espaçada?, analisou. Segundo ele, o Coritiba aproveitou um vacilo da zaga para fazer o gol da vitória. ?Nós ficamos em linha, esperamos o impedimento e eles se aproveitaram e fizeram o gol. O Atlético tentou, teve algumas oportunidades e o goleiro Fernando fez duas ou três boas defesas?, apontou.

Para o zagueiro Marcão, faltou algo mais de alguns jogadores. ?Todo mundo tem que assumir um pouco e o time poderia render mais. Conversamos no vestiário e domingo será totalmente diferente?, disse. Segundo o meia Fabrício, o time não jogou aquilo que sabe. ?Mesmo assim, nossa equipe foi um pouco superior a deles. Por isso, a gente tem tranqüilidade para trabalhar a semana porque a gente sabe que tem condição de ganhar deles lá na Arena?, ponderou.

Antes de enfrentar novamente o Coritiba, o Atlético enfrenta o América de Cali pela Copa Libertadores, mas o treinador não não acredita que esta derrota irá tirar o ímpeto dos jogadores. ?É com um resultado adverso como este que nós precisamos ter moral, personalidade para trabalhar o jogo de quinta-feira, que é tão ou mais importante que o de hoje? (ontem), destacou. Segundo ele, a partida contra os colombianos é para conquistar os três pontos e voltar à zona de classificação do grupo 1 da competição. ?É o jogo na nossa casa e temos que jogar para ganhar?, finalizou.

Respeito ao adversário

Vitória em um clássico decisivo. Motivo de muita alegria no vestiário coxa-branca. Ao mesmo tempo em que comemoravam a vantagem, os jogadores do Coritiba faziam questão de lembrar que nada está decidido. Afinal, ainda resta uma partida, na casa do adversário, e uma má atuação pode comprometer todo o trabalho realizado até agora.

?É uma vantagem muito pequena e que deve ser tratada com cuidado?, disse o goleiro Fernando. ?Mas, em um jogo entre dois times tão equilibrados, qualquer vantagem é importante?, destaca.

O esquema de segurança  foi perfeito

O clima antes do clássico estava calmo. No início da tarde, antes de receber o comunicado oficial do Comando de Policiamento da Capital, o presidente alviverde, Giovani Gionédis, confirmou que iria barrar a entrada dos instrumentos e faixas dos torcedores atleticanos. Mas numa negociação rápida, o tenente-coronel Jorge Costa Filho, responsável pela operação que garantiu a segurança no clássico, explicou a determinação da Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, e convenceu o dirigente em retirar os 60 seguranças escalados para impedir a entrada dos instrumentos da torcida atleticana, no Portão M, acesso destinado aos rubro-negros.

Mesmo assim, somente a organizada "Os Fanáticos" levou as baterias para o estádio da federação. "Nós, da Ultras, vamos manter o acordo. Mesmo assim, agradecemos a intervenção do secretário da Segurança e do Doático" (Santos, presidente da Confraria do ETA), afirmou o presidente da organizada rubro-negra, Gabriel Barbosa. Ao todo, a Ultras do Atlético levou apenas 80 torcedores.

Já "Os Fanáticos" deram a maior demonstração, antes do jogo, de paixão pelo Atlético. Em três ônibus e vários carros, chegaram cerca de mil integrantes da organizada, que levaram seus instrumentos para o Pinheirão.

Sem o impedimento, a chegada dos atleticanos foi tranqüila.

"Choro"

Pelo lado alviverde, muita tranqüilidade, sem confusões e muito espaço no acesso ao Estádio Pinheirão. O presidente do clube, no entanto, ficou na bronca com o secretário, pois ele passou por cima do acordo fechado entre dirigentes e torcedores das duas equipes, válido para as duas partidas das finais do estadual, realizado na Paraná Esporte, quando foi vetada a entrada dos instrumentos. "Esse secretário (em relação a Luiz Fernando Delazari) é um despreparado. Ele ficou de me dar um retorno ontem, logo depois de eu ter ligado pra ele, e estou esperando até agora", reclamou Gionédis.

Torcidas

Faltando pouco mais de quinze minutos para o início da partida, o espaço reservado à torcida coxa contava com uma ótima presença de alviverdes. Já na ala reservada ao Atlético, sobrou espaço. Talvez, o Coritiba esteja com os cofres cheios, pois desperdiçou de colocar ainda mais ingressos à venda, pois os 1.900 foram vendidos. Pelo lado alviverde, se descontados os vendidos aos rubro-negros, apenas 11.760 coxas pagaram entrada.

Neste caso, é preciso uma nova vistoria da federação, pois no espaço que sobrou será que caberiam mais 13 mil pessoas (capacidade total do Pinheirão é de 28 mil pessoas)?

Depois horror

O esquema de segurança para o clássico Atletiba foi muito bem armado. O tenente-coronel Jorge Costa Filho comandou um contingente de 500 homens, e antes e durante o jogo, e após, nos terminais e nas estações-tubo da cidade. Até o fim da partida, foram registrados apenas quatro prisões no centro de triagem montado no Pinheirão.

Uma confusão, no entanto, aconteceu à saída da torcida atleticana do estádio da federação. De forma ordeira, os rubro-negros, cabisbaixos, foram deixando o setor a eles destinado (à direita das cadeiras superiores).

Mas, segundo os torcedores do Atlético, a truculência partiu dos PMs designados a acompanhar a saída deles. "Eu vi quando um policial militar estava agredindo um torcedor, e fui tentar intervir. Foi quando o PM me acertou com o cassetete no estômago. Depois, ainda me bateu na testa", esbravejava Ricardo Requião e Silva, argumentando ainda que o seu objetivo era tentar evitar a violência.

Segundo Requião, o que aconteceu foi um exagero dos policiais, que queriam mais rapidez na saída dos torcedores atleticanos.

Outro que passou maus bocados quando deixava o Pinheirão foi Paulo Roberto Vargas. Ele, que há 35 anos frequenta estádios de futebol, nunca passou por um aperto tão grande. "Eu estava tentando entrar no carro, junto com meu filho, quando vi que eles estavam chegando para bater nele. Aí eu fui tentar impedir a ação, argumentando que a gente estava só querendo sair. Foi quando tomei um tiro de bala de borracha e uma porrada na cara", relatou Paulo Roberto, atônito com o acontecido. "Amanhã vou ao batalhão, prestar queixa", disse o rubro-negro, acrescentando que não acreditava em punição aos culpados. "Vou para fazer minha parte", finalizou Vargas.

Na entrada dos ônibus, que levariam "Os Fanáticos" de volta à sede, na Água Verde, mais confusão. Policiais da Rone (Ronda Ostensiva de Natureza Especial), juntamente com conjuntos do RPMont (Regimento da Polícia Montada), faziam uma barreira. Não se sabe por que tal barreira, pois havia muros e em volta do espaço onde ficaram os coletivos. No meio da confusão, muita tensão e denúncias. Francisco Caetano Martins segurava um cartucho de bala de borracha, e questionava: "Será que uma bala dessa não pode tirar a vida de uma criança?". No meio da confusão, o fotógrafo da Tribuna, Walter Alves, ainda teve que "disputar" sua máquina com um dos PMs que participou desse momento lamentável do esquema de segurança. "Ele tentou tirar o equipamento de minha mão. Só parou porque o Gabriel (Freitas, repórter cinematográfico da TV Iguaçu) começou a registrar a "batalha", revelou o fotógrafo.

Recorde de público

Não foi só nas arquibancadas que as duas torcidas deram um show. O público pagante de ontem também foi o maior do atual Campeonato Paranaense, marcado por baixas arrecadações. Os 13.693 pagantes (total de 15.695) no Pinheirão no Atletiba de ontem superaram os 8.204 pagantes registrados no jogo Londrina 0 x 0 Atlético, pelo primeiro turno do certame, maior público até então.

O Coritiba colocou à venda 19 mil no total, dos quais 1.900 foram comprados pelos atleticanos em quatro horas na última quinta-feira. No entanto, como a capacidade do estádio é de 28 mil pessoas, soou estranho o anúncio de que apenas 15.695 estavam presentes. Para o jogo de volta, na Kyocera Arena, no próximo domingo, serão colocados à venda 19 mil, com a mesma cota para a torcida coxa (1.900).

Com o público, o Coritiba também aproveitou para dar um salto na média de público. O Coxa termina o Paranaense com a terceira melhor média de público – 3.215 pagantes -, superado apenas por Londrina (3.381) e Atlético (3.413). O Coxa foi prejudicado por mandar a maioria das partidas longe de sua torcida, em Maringá, no Willie Davids. Com isso, o Furacão conquista antecipadamente o título de "campeão de público".

A média de público do  passa a ser de 1.710 torcedores por jogo – uma das piores em 40 anos de campeonato.

O recorde foi também na empolgação. Pelo menos nas arquibancadas, as duas torcidas deram um show à parte, emocionante até para o experiente técnico Antônio Lopes, acostumado a ver o Maracanã lotado. Nos vestiários, ao elogiar a torcida coxa-branca, o Delegado não se conteve: "O que essa torcida fez hoje foi sacanagem, cheguei a me arrepiar", disse.

CAMPEONATO PARANAENSE
Final – jogo de ida
Local: Pinheirão
Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa)
Assistentes: Ildefonso Trombeta e Gilson Bento Coutinho
Gol: Rafinha aos 31 do 2.º tempo
Cartão amarelo: Fernandinho, Miranda, Danilo, Fabrício, Nascimento
Renda: R$ 199.730,00
Público pagante: 13.693
Público total: 15.635

Coritiba 1 x 0 Atlético

Coritiba
Fernando; Rafinha, Miranda, Nascimento e Ricardinho; Márcio Egídio, Capixaba, Rodrigo Batata (Pepo) e Marquinhos (Jackson); Nunes e Marciano (Negreiros). Técnico: Antônio Lopes

Atlético
Diego; Danilo, Durval e Marcão; Etto, Alan Bahia, Fernandinho, Fabrício (Evandro) e Marín (Baloy); Aloísio (Maciel) e Dênis Marques. Técnico: Casemiro Mior