Valquir Aureliano
Torcida fez sua parte e
compareceu em Campo Mourão.
Mais uma frustração.

O dia 18 de abril de 2004 está na memória dos torcedores do Coritiba. Naquele domingo, o Coxa empatou em 3 a 3 com o Atlético na Baixada e conquistou seu 32.º título, reafirmando a hegemonia estadual. Mas ninguém imaginava que aquele seria o primeiro dia de um jejum doído para a torcida – de lá para cá, o clube não ganhou mais nada, e foi rebaixado para a 2ª Divisão do Brasileirão.

A eliminação pela Adap é mais um capítulo da ?fase ruim? alviverde. A derrota no jogo e nos pênaltis causou revolta nos torcedores. Ontem, o Couto Pereira amanheceu pichado com a frase ?Fora GG?, manifestação contra o presidente Giovani Gionédis.

As reações contrárias à situação do Coxa são grandes, ainda mais depois de sete competições sem sucesso. Do Paranaense de 2004 em diante, o clube não conseguiu nenhuma conquista. O mais perto que chegou foi no Estadual do ano passado, quando perdeu o tri para o Atlético na decisão.

Mas cada insucesso alviverde conta uma história que pode ser útil para a compreensão do atual estágio do time (quadro ao lado). No Brasileiro de 2004, o técnico Antônio Lopes não conseguiu dar padrão de jogo – além do excesso de contusões de seus principais jogadores (Tuta e Aristizábal), e a venda de Luís Mário para Portugal no meio da competição.

Na Sul-americana do mesmo ano, eliminação na fase classificatória. Fato semelhante aconteceu este ano, quando a diretoria manifestou o interesse de lutar pelo títulos estadual e da 2ª Divisão, chegando a abdicar da Copa do Brasil, onde foi eliminado pelo Náutico.

A falta de critério em algumas contratações também atrapalhou. Em 2005, decidiu-se não contratar atacantes a peso de ouro, optando-se pela vinda de vários jogadores.

O resultado foi o fracasso de todos, inclusive os que vieram durante o Brasileiro (casos de Renaldo e Maia). A crise não foi debelada e o Coritiba foi rebaixado para a Série B.

Neste ano, o clube sofreu com a confusão eleitoral, que atrapalhou a montagem do grupo. Mesmo assim, os problemas superaram a tentativa de recuperação, e atletas como Ludemar, Marcelinho, J. Madureira e Márcio Giovanini foram embora pouco depois de chegarem. Com um grupo considerado limitado até mesmo dentro do clube, o Coxa caiu na semifinal e aumentou a preocupação da torcida, que sonha com a volta à 1.ª Divisão.

Nova barca zarpando do Alto da Glória

A hora é de conversa. Ontem, comissão técnica, direções de futebol e executiva se reuniram durante a tarde para analisar o que aconteceu durante o Estadual e o que precisa ser feito para o Brasileirão da Série B. Hoje devem ser anunciadas as primeiras medidas práticas, que vão incluir a saída de jogadores, a vinda de outros e a marcação de uma ?intertemporada? até a estréia na 2ª Divisão, dia 15 de abril, contra o Remo (PA).

A diretoria diz que a avaliação do elenco foi feita durante a competição. ?Fomos vendo as reações dos atletas dentro das partidas. Esta observação estava inserida na organização do nosso trabalho?, informa o assessor da presidência José Hidalgo Neto. Isto significa que jogadores que não renderam, principalmente nas partidas decisivas, estariam na lista de dispensa.

A expectativa é que seja confirmada a saída de alguns atletas que vieram no início do ano. Os ?favoritos? seriam Wilton Goiano, Guaru e até mesmo Jefferson. Com isso, poucos dos contratados permaneceriam – basicamente os goleiros Artur e Kléber e os zagueiros Marcelo Batatais e Índio.

Assim, a direção alviverde partiria para as ?compras?. Fala-se na chegada de pelo menos sete jogadores, mas podem vir mais. Estes reforços (que se somariam a William, Fábio Pinto – que esteve ontem no CT da Graciosa -, Luciano Santos e Caíco, já anunciados) não chegariam agora, pois estariam envolvidos com as rodadas finais dos campeonatos estaduais. A programação da equipe também será revista.