Era a hora do almoço da última sexta-feira, dia 5. Reunidos em uma mesa de padaria, Alex e a equipe da Tribuna revisitaram os quase vinte anos de carreira profissional do craque. Após o encerramento festivo de ontem, esse depoimento marca o começo de uma nova vida. Que talvez ainda não se consolide imediatamente, porque agora é período de férias e Alex vai curtir a praia até janeiro. Aí sim, quando seus ex-companheiros começarem a pré-temporada do Coritiba, ficará uma sensação de vazio típica a todo ex-atleta.

Mas, como ele próprio disse, não houve tempo para parar e pensar no futuro. “Acho que só vou sentir o reflexo da aposentadoria a partir de janeiro. Por enquanto, apesar do clima festivo, nada mudou. A rotina segue a mesma. Após as férias, quando eu sentir que já não há mais aquele dia a dia de treinamentos é que a ficha vai cair. Até vi a tabela do Paranaense e, no Atletiba, devo estar na arquibancada. Acho que ali vou poder dizer como vou estar me sentindo como ex-jogador”, comentou Alex, na conversa com a Tribuna.

A Tribuna acompanhou essa carreira desde o início. Quando Alex completou mil jogos como profissional, ele recebeu a cópia da capa e da matéria do dia em que fez seu primeiro jogo, aquele contra o Iraty em 1995. Mas o jornal está desde antes na vida do craque. Um costume de se informar que se ampliou agora com as redes sociais. “Não trato redes sociais como jogador, mas como pessoa. Tenho uma rotina diária. Acordo antes das minhas filhas, ali por 6h40, e enquanto elas não descem para o café da manhã, dou uma revisada geral na internet. Na questão geral mesmo, política, economia, cotidiano ou alguma manchete que me chame a atenção. Mas, eu sempre fui assim. Mesmo antes da internet. Lembro que quando era menino, tomava café com meu pai e passávamos num bar para comprar a Tribuna. Eu lia o jornal no ônibus, indo para a escola. É uma rotina antiga. Depois, criou-se essa relação de interação com o torcedor, mas que não é novidade pra mim. Tenho feito isso desde sempre”, contou.

E surgem na internet inevitáveis dificuldades. Principalmente quando não se compreendiam seus posicionamentos em relação ao Bom Senso FC, união de jogadores que tenta melhorar a estrutura do futebol brasileiro. “Meu posicionamento sempre claro sobre vários assuntos acabou trazendo incômodo. Por exemplo, quando surgiu a história do Bom Senso, comunidades de torcida no Facebook colocaram que eu perdia muito mais tempo com o Bom Senso do que com o Coritiba, o que é uma mentira absurda. Eu não perdi nenhum treino por causa do Bom Senso, não perdi horas de sono por causa do Bom Senso. As discussões em torno do movimento eram sempre nas folgas, muitas vezes na concentração onde há um tempo de ócio”, desabafou.