Uma loucura, em todos os sentidos. Claro que ver o time campeão brasileiro é algo que tira a pessoa do seu estado normal. Imagine ver tudo isso ao vivo. Imagine então decidir dois dias antes da final que iria viajar 800km em uma Parati com mais quatro pessoas para ver uma partida de futebol e voltar para casa logo em seguida sem dormir. Pois é, teve gente que fez esta loucura no dia 31 de julho de 1985 para presenciar o Coritiba campeão no Maracanã.

Por conta do regulamento, apenas na segunda-feira, dois dias antes, dirigentes de Coxa e Bangu se reuniram para definir que a decisão seria em em partida única. Ou seja, não tinha tempo para se planejar. “Depois que o Coxa empatou com o Atlético-MG, reuní mais quatro amigos e fomos no dia da final para o Rio de Janeiro. Saímos de manhã cedo, chegamos lá e só deu tempo de jantar, deixar o carro no hotel e ir de táxi para o Maracanã”, disse Osvaldo Woellner Júnior. Um dia antes, na terça-feira, um outro amigo havia ido de avião ao Rio de Janeiro, se hospedou no hotel onde ficou o carro, e arranjou os ingressos para o jogo.

Chuva de moedas

Mas a saga não teve como dificuldade apenas a longa viagem. Ao chegar no estádio, não faltou tensão. Até porque, os cinco amigos não ficaram juntos com o restante da torcida coxa-branca. “Nós ficamos nas cadeiras (atrás do gol onde saiu o gol do Coritiba e depois foram cobrados os pênaltis), então eu lembro bem do estádio lotado, as bandeiras de vários times e também de uma chuva de moedas no intervalo. O pessoal da geral começou a jogar moeda na gente e nós nos escondemos atrás das cadeiras de metal”, recordou Rogério Woellner Casagrande.

Porém, foi o único momento de provocação. “Ninguém implicou com a gente. Os cariocas nos deram parabéns depois, porque na verdade eram torcedores de outros times”, completou Osvaldo.
Durante o jogo, a tensão natural de uma final. “Por algumas vezes pensei (que não ia ser campeão). A confiança veio na hora que fizemos o gol, mas logo depois o Bangu empatou. Não tinha como ficar tranquilo naquela pressão”, afirmou Rogério.

Há exatos 30 anos, o Coritiba era campeão brasileiro no Maracanã

“No segundo tempo, o estádio inteiro começou a cantar e a empolgar o Bangu. Alí deu medo, podia sair o gol deles”, ressaltou Osvaldo.

E assim foi até que vieram os pênaltis. Até o chute de Ado para fora. “Já comecei a comemorar quando eu vi que a bola do Ado foi pra fora. Foi uma emoção que não tem como descrever. Dava pra ver que o time era bom. Não tinha nenhum craque, mas tinha jogadores bons de bola. Era impressionante”, afirmou Osvaldo, 30 anos depois da grande loucura.

Eventos marcam a data

Muitos eventos marcam hoje, em Curitiba e no Rio de Janeiro, as comemorações dos 30 anos da conquista do título brasileiro do Coritiba. Enquanto os craques e protagonistas da maior conquista da história do clube estarão reunidos no restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, o Maracanã estará iluminado de verde. As comemorações, no entanto, começaram ontem. O jornalista Paulo Mosimann lançou ontem, no Memorial de Curitiba, o livro “30 anos, 30 histórias – Relatos da conquista inédita de 85”, que traz bastidores do principal título da história do Coritiba. A conquista também virou o documentário “Heróis do Maracanã”, que terá pré-estreia para convidados hoje na Cinemateca de Curitiba. (Luiz Ferraz)

Aquele abraço! Veja o que o colunista Massa tem a dizer sobre o Coritiba!