Termina o casamento entre Coritiba e Ariel

O Coritiba vai recorrer da decisão da 11.ª Vara do Trabalho, que liberou o atacante Ariel de ter que cumprir mais três anos de contrato. Em sentença expedida ontem, o juiz Pedro Carmona considerou o vínculo de mais três anos pretendido pelo Alviverde ilegal e autoriza o jogador a defender outro clube a partir de julho. O atual contrato vai até o dia 30 deste mês, mas o jogador não treina mais no CT da Graciosa e já providenciou a mudança para Buenos Aires.

Por isso, a diretoria do Coxa aponta “falta de caráter” no jogador e garante lutar até o fim para ser ressarcida do investimento feito no argentino. “Amanhã (hoje), nós temos uma reunião com o jurídico, vamos analisar todos os caminhos e recorrer.

O Coritiba vai buscar preservar os interesses do seu patrimônio. O jogador é um patrimônio do clube e entendemos que o clube tem os seus direitos e vai buscá-los”, avisa o vice-presidente Vilson Ribeiro de Andrade.

Ele voltou a criticar o jogador, que disse que uma pessoa tornou a permanência dele no Alto da Glória inviável. “Não posso aceitar que uma pessoa fez ele sair do Coritiba porque isso é uma falta de caráter”, dispara o dirigente.

Para Andrade, Ariel deveria ter mantido a palavra de sair do Coritiba pela porta da frente. “Está saindo pela porta dos fundos, saindo de uma forma desonrosa e ele não teve dignidade com o clube que o projetou. Eu respeito a decisão da Justiça, mas vamos procurar os direitos do Coritiba”, aponta.

Ele também lamentou a saída antecipada do clube. “O Coritiba vai descontar os dias parados até o dia 30 porque ele não compareceu para o treinamento em desrespeito aos seus colegas e, além disso, o Coritiba vai tomar as medidas legais cabíveis que entende no recurso (que deverá ser feito em oito dias)”, promete Andrade.

Na sentença, Carmona justifica a decisão dizendo que “prorrogação de contrato de trabalho por prazo determinado não pode ser previamente pactuada” e que a “situação não encontra guarida na legislação pátria”.

Assim, segundo o juiz, o primeiro contrato de cinco anos perdeu a validade e eficácia, além de que o documento só previa obrigações ao jogador, “demonstrando claro desequilíbrio entre as partes”.

Carmona ainda questiona o Coritiba se iria querer a renovação de contrato caso Ariel não apresentasse desempenho compatível com o esperado. O magistrado também orientou o Ministério Público do Trabalho a investigar o caso.