Num momento de necessidade, ou de tensão, ou de decisão, temos na religião um alento ou mesmo um caminho. Para quem está numa “encruzilhada”, uma ajuda divina só pode ajudar. Dúvida na escalação alviverde pelo terceiro jogo seguido, Rafhael Lucas chegou a viver um dia com três períodos de tratamento.

Físico pela manhã, reforço muscular à tarde (ambos no CT da Graciosa) e espiritual à noite, na Igreja Pentecostal Unida do Brasil, no bairro Cajuru, em Curitiba. Concentração que, ele espera, permita que o artilheiro do Campeonato Paranaense participe da finalíssima de domingo, às 16h, contra o Operário, no Couto Pereira.

Na Igreja Pentecostal Unida, Rafhael ouviu mais um sermão do pastor Samuel Thomas. Amigo do atacante desde 2007, o religioso virou uma espécie de conselheiro espiritual dos jogadores evangélicos no elenco coxa.

O primeiro encontro foi há pouco mais de um mês – e tem se repetido antes das partidas em Curitiba. A primeira pregação no hotel Bourbon foi para incentivar os jogadores diante dos desafios. Os mesmos atletas que terão domingo a missão mais difícil da temporada: bater o Operário por três gols de diferença para ser campeão nos 90 minutos – ou por dois para decidir nos pênaltis. “Nossa intenção é incentivar. Que eles confiem na vitória”, explicou o pastor.

Em oito anos de amizade, o pastor Thomas vivenciou de tudo na carreira de Rafhael Lucas. O bom desempenho do jogador nas categorias de base, a grave lesão no joelho, os empréstimos a times periféricos, a falta de espaço no profissional até, enfim, o sucesso neste Estadual, no qual é o artilheiro com 12 gols até aqui. A boa fase só foi interrompida pela lesão muscular que o atrapalha desde o segundo jogo semifinal, contra o Londrina. “Ele passa por este momento, mas não desanima”, garante o pastor.

Sem confessar para quem torce, o religioso tem postagens com fotos no vestiário do Couto Pereira, na concentração, correndo com Rafhael Lucas no Jardim Botânico, além de uma com vários atletas como o goleiro Vaná, o zagueiro Luccas Claro, o atacante Keirrison, o volante Alan Santos, os laterais Norberto e Carlinhos. Os encontros são aprovados pela diretoria e comissão técnica. “Sempre dentro de um elenco há grupos distintos. Os que, fora de campo, gostam de jogar bola, de pagode, de ler a bíblia. Essa espiritualidade é sempre muito bem-vinda”, disse o vice-presidente Ernesto Pedroso.