As restrições da prefeitura de Curitiba e as condições impostas pela empresa WTorre praticamente enterraram o projeto do novo Couto Pereira. O Coritiba estuda seriamente romper o acordo com a parceira que desenhou moderna arena para substituir o velho estádio no Alto da Glória.

Um grupo técnico formado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), secretarias municipais de Urbanismo, de Meio Ambiente e Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), designado pelo prefeito Beto Richa, vetou dois pontos do projeto da WTorre apresentado pelo Coritiba: o hipermercado e o shopping center.

Segundo o secretário municipal de Urbanismo, Luis Fernando Jamur, empreendimentos que atraiam tamanho fluxo de público de forma contínua e diária são inviáveis naquele ponto da cidade.

“É diferente do estádio, que é aberto em ocasiões eventuais e fora dos horários de pico. Se hoje o sistema viário da região já está sobrecarregado, imagine com todos esses estabelecimentos usados ao mesmo tempo. Não há condições de absorção”, explicou o secretário. Segundo ele, o veto foi tomado de acordo com o Plano Diretor e a Lei de Uso do Solo da capital.

Entre os aparatos previstos no projeto, a prefeitura autoriza apenas a reconstrução do Couto, o erguimento de um hotel de até oito andares e de um centro de convenções. Ou então, sugere que o clube apresente outro local para erguer o projeto original.

Assim que soube das restrições, a WTorre afirmou já ter experiência no assunto e comprometeu-se a apresentar soluções “de engenharia e de inteligência” para aprovar ainda este ano a maquete.

A empresa, porém, não abre mão do shopping center, alegando que sem ele o projeto de R$ 300 milhões não é viável economicamente. Para tanto, pressiona o Coritiba a solucionar o impasse junto à prefeitura.

Mas a realização de obras viárias na região – uma das alternativas propostas pela empresa paulista – já foi descartada pela Prefeitura. “É uma área muito antiga, consolidada. Quem a conhece sabe que não há condição de alargamento de ruas ou abertura de outras”, diz Jamur.

O Coxa desaprova o que considera intransigência da empresa. O vice-presidente Marcos Hauer, designado pelo clube para tratar do projeto, imaginou que a WTorre apresentaria soluções alternativas após a reunião com a prefeitura.

“Seria muita pretensão aprovar um projeto dessa magnitude logo na primeira reunião. Quiseram jogar a responsabilidade em nosso colo. Entendemos as restrições da prefeitura, e se não há viabilidade econômica, não adianta perder tempo”, reagiu.