Mau planejamento do Coritiba complica o clube

O planejamento executado pelo Coritiba nos primeiros meses de 2014 é bem diferente ao idealizado para o início da temporada. Os desvios de percurso, como a própria diretoria alviverde classifica, são os mais variados. Do início de desmanche da equipe titular, com a negociação da dupla de volantes titular Willian e Júnior Urso, passando pela crise na ala médica e de performance do clube, em função do alto número de jogadores lesionados, até culminar com a ação jurídica movida pelo atacante Deivid, que reivindica a astronômica pedida de mais de R$ 12,5 milhões por atrasos em seus vencimentos. “Seria incoerente da minha parte dizer que está saindo tudo como a gente projetou. Indiscutivelmente tivemos algumas situações, alguns desvios pelo percurso e a gente tem conversado muito”, afirma Paulo Thomaz de Aquino, vice-presidente de futebol do clube.

O próprio início de Campeonato Paranaense do Coritiba, apesar da atual liderança isolada, confirmada semana passada após a vitória sobre o Operário, de virada, por 2×1, começou com rendimento abaixo do esperado. Enquanto o elenco principal realizava os trabalhos de pré-temporada, na teoria mais eficientes em razão do maior tempo de preparação, o time sub-23 patinou nas cinco primeiras rodadas da competição, passando o bastão aos titulares goleado pelo arquirrival Atlético por 3×0 e amargando a 10.ª colocação, com cinco pontos. “Algumas situações não nos agradaram, a performance das cinco primeiras rodadas, o número de pontos alcançados, algumas situações individuais que não vou citar os nomes, mas que esperávamos mais”, lembra o dirigente.

Futuro

Por representar uma bolha no orçamento do clube a curto, médio e longo prazo, entre os acontecimentos responsáveis pela turbulência que atinge o Alto da Glória nesta reta inicial de temporada talvez o mais preocupante seja justamente o que envolve a falta de pagamentos dos direitos de imagem. A título de comparação, somente os mais de R$ 12,5 milhões que o Coxa pode ter de desembolsar no acerto com o atacante Deivid dentro da realidade do clube corresponde à metade do investimento injetado, com recursos privados, no Setor Pro Tork, nova ala vip do estádio Couto Pereira. Com valores em aberto também com os zagueiros Leandro Almeida e Chico, o meia Lincoln e ainda o atacante Keirrison, as dívidas podem comprometer, inclusive, projetos futuros do clube, como o novo centro de treinamentos em Campina Grande do Sul, na prateleira desde a inauguração da pedra fundamental, no aniversário de 102 anos do clube, em 2011, pela falta de recursos.

Aprendizado

Para a diretoria, que se desdobra em várias frentes para identificar a causa real pela alta incidência de jogadores lesionados, administrar o imbróglio que envolve os direitos de imagem e ainda solucionar a necessidade de reposição dos jogadores negociados sem impactar nos resultados dentro de campo, as adversidades servem de aprendizado. “Claro que dentro desse processo passaram-se alguns ensinamentos e temos que ter tranquilidade para entende-los e trabalhar daqui pra frente”, finaliza Paulo Thomaz de Aquino.

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