Já diria aquele outro, vamos por partes: tava na cara que Pachequinho não seria efetivado. Ele, coitado, entrou nessa bronca de comandar o Coritiba interinamente para que a torcida desse uma trégua nas críticas. Como o buraco é mais embaixo do que apenas um técnico, o ídolo foi jogado às feras. Foi vaiado, criticado, e agora fica evidente que o clube estava atrás de um novo técnico há muito tempo. Mas sobre isso eu já falo.

Sobre Paulo César Carpegiani: é um bom nome diante da carência do mercado. Claro que não vive mais seu auge (um daqueles casos raros de treinador que começa no topo, comandando o Flamengo de Zico e sendo campeão da Libertadores e do Mundial em 1981). Esse trabalho foi premonitório, antecipando a onda do 4-2-3-1 e do 4-1-4-1 de hoje. Tem conhecimento, sabe como é o ambiente do Coritiba, tem rodagem para aguentar as pancadas, tem apoio de muita gente. Mas está fora do mercado há três anos. Terá que saber montar o Coxa com as conhecidas dificuldades. E espero que tenha autonomia para trabalhar, sem ‘palpitagem’.

Aí retomo o assunto do primeiro parágrafo. A busca de um novo técnico mostrou, além da falta de confiança em Pachequinho há muito tempo, que o Coritiba é hoje um clube com várias cabeças pensando diferente, e que não tem certeza de onde ir. Dia 16 de julho, véspera do jogo Atlético x Vitória na Arena, emissários do Coritiba procuraram Vágner Mancini. Ele não quis conversar, disse que não sairia do Vitória. Então, há pelo menos três semanas Pachequinho estava descartado, pelo menos por um setor da diretoria.

Há duas semanas, a diretoria achou que ia se consagrar falando sobre o novo estádio para o Conselho Deliberativo. Foi recebida por um bombardeio de perguntas sobre o futebol e sobre quem seria o treinador. É possível dizer – por todas as informações recolhidas – que naquele momento era certa apenas uma coisa, que não seria com Pacheco que o Coxa terminaria o Campeonato Brasileiro. Buscava-se uma forma de fazer a mudança sem queimar ainda mais um dos grandes nomes da história do clube.

Aí Juan brigou e foi afastado. Os dez dias de punição do meia também foram dez dias finais de busca de um técnico. Quando a suspensão acabou, o clube atirava para todos os lados. Houve quem, acreditem, sugeriu investir em Vanderlei Luxemburgo. Quer dizer, dentro do Coritiba, que não quis pagar um salário mais alto para Rafinha, havia quem defendesse investir em um técnico pra lá de caro. Até em outros nomes mais caros foi pensado. Fica só a sensação de total distanciamento da realidade.

Quando uma parte da diretoria falou com Paulo Bonamigo, a notícia foi vazada – por sinal, o Coritiba é campeão, nada que acontece no clube fica por lá, há inclusive ‘fila’ para ser fonte de jornalistas. O nome dele não foi bem aceito, e alguns conselheiros do presidente Rogério Bacellar (hoje, a pessoa mais influente com o cartola sequer tem vínculo com o clube) sugeriram que fosse atrás de outro nome. E aí, ainda na tarde desta quinta (4), foi feito o primeiro contato com Paulo César Carpegiani, que já tinha dado entrevistas dizendo que queria voltar. Juntou-se a fome com a vontade de comer.

Por mais que se diga a partir de agora (que ninguém foi procurado, que outros nomes foram balão de ensaio, que Pachequinho estava prestigiado, e coisas a mais), Carpegiani não é unanimidade nem na diretoria do Coritiba. Não foi uma decisão por convicção, e sim por indicação. A falta de sintonia dentro do Alto da Glória deu mais uma mostra na confusa busca por um treinador.

Agora, que Carpegiani tenha a tranquilidade para fazer seu trabalho. Passada toda essa história, o que importa é o Coxa voltar a ter resultados e parar de flertar com a zona de rebaixamento. Boa sorte ao novo treinador.