Decisivo dentro das quatro linhas, Alex mostrou também que é bom de voto. Seu apoio declarado à ‘Coxa Maior’ foi decisivo para o resultado final da eleição no Coritiba. Algo reconhecido pelo derrotado Vilson Ribeiro de Andrade. “A Império Alviverde teve um peso forte. E o Alex também, pois é um ídolo da torcida. Agora, ele terá que assumir o ônus e o bônus da escolha”, disparou Vilson. O ex-dirigente disse ainda que, a partir de agora, se aposenta do futebol. “Volto pra arquibancada. Volto a ser apenas torcedor”, cravou.

Na reta final da campanha, Alex se posicionou favorável à mudança. Ressaltava a crise de relacionamento entre o presidente e os jogadores. Da mesma forma, sempre se mostrou mais aberto às propostas da oposição, que destacam a necessidade de uma maior transparência do clube, uso da base e mudança no estatuto, evitando a reeleição e diminuindo o ‘poder’ do presidente. Com ideias de gestão similares às suas, ficou fácil para Alex escolher o lado que apoiaria.

Passada a eleição, agora a postura de Alex passa a ser de cobrança para que aquilo que lhe foi mostrado possa ser colocado em prática. “Posicionei-me a favor das mudanças e agora, como torcedor e sócio que sou, vou cobrar o que me mostraram nesse período de campanha”, publicou o craque logo após o resultado das urnas em sua página no Instagram. O apoio declarado na véspera da eleição teve, na visão de situação e oposição um peso muito grande. “Só tenho a agradecer ao Alex. E quero dizer que já o convidei para fazer parte do nosso grupo de trabalho”, avisou Rogério Bacellar.

Além das mudanças necessárias, o desafio do novo grupo terá que “estancar feridas” e definir um novo sistema financeiro no clube. “Precisamos enxugar a administração do Coritiba. Nos últimos anos, a dívida aumentou assustadoramente e, desta forma, é impossível trabalhar”, lembrou Ricardo Guerra, um dos mentores da oposição. A ideia é, como dizem os dirigentes eleitos, ‘abrir a caixa preta’ e, após ter uma noção concreta e real do rombo, partir para ações rápidas e precisas para controlar o fluxo de caixa e adequar o Coritiba ao seu orçamento. “Vamos trabalhar com os pés no chão, mas cientes da necessidade de montarmos um time competitivo, repatriando alguns jogadores e apostando muito na base”, concluiu Bacellar.