Alex faz parte de uma geração especial do esporte paranaense. Um grupo de garotos que começou na mesma época jogando futsal e que depois brilhou nos campos do Brasil e do mundo. Principalmente ele e Ricardinho. Além do talento, a grande maioria deles demonstraram – e demonstram – um preparo acima da média. No papo com a equipe da Tribuna, Alex falou dessa turma.

“Não fomos só eu e o Ricardinho. Tem o Lipatin, o Rodrigo Batata e o Tcheco. As pessoas não citam, mas nessa mesma geração tínhamos o Belletti e o Preto Casagrande, em Cascavel. Num período, o Zé Elias jogou pelo Curitibano. Era uma geração nascida entre 75 e 80 de vários jogadores que chegaram ao futebol profissional. Outros optaram por ser salonistas e alguns simplesmente não chegaram. Tínhamos Pinheiros, AABB, Círculo Militar, Curitibano, Israelita, Três Marias e vários colégios fortes, Santa Maria, Paranaense e Positivo. Tenho uma satisfação imensa de ter participado por dez anos na AABB, convivendo com médicos, advogados, o filho da tia da cozinha. Um misto de camadas sociais que normalmente não se encontram. Sempre brinco com meu sogro que apenas no futebol e no turfe as camadas sociais realmente se encontram, onde se mistura tudo”.

Contrastando com essa geração ‘diferenciada’, Alex conviveu com uma realidade oposta nesta reta final de carreira. “A nova geração de jogadores é totalmente alienada. Muito individualista. Vou trazer o que eu tinha pro futebol de hoje. O futebol que eu vivi era lúdico. O que eu queria era jogar no Couto. Queria sair do Couto e ir jogar no Morumbi. Queria ser o Zico e jogar no Maracanã lotado. Hoje, ninguém quer isso. O cara quer dinheiro. E é ilusão, porque 2% vai ganhar dinheiro. E entra no outro perigo: esses que ganham, como vão cuidar do dinheiro? A alienação só cresce. Culpo o governo e os clubes. O governo não está preocupado em educar o País e os clubes não estão preocupados em formar o cidadão. Teria que ter? Teria. Mas isso demanda dinheiro. Como o Coritiba, hoje, vai investir na formação um dinheiro que já não tem? O Paraná Clube, que era referência, revelava um atrás do outro, hoje certamente tem dificuldades para cuidar da sua base. Fico assustado com garotos de 15 anos já com empresário e assessor de imprensa. Vejo no Instagram, o garoto faz um gol na decisão do sub-14 e trata como se fosse um gol da classificação da Libertadores. Já não há mais o divertimento para a criança. Não há a rua de cima contra a rua de baixo. A sociedade comeu esse espaço. Temos o absurdo de, em alguns estados, o governo ter acabado com as aulas de educação física. Hoje, o moleque cai e o pai corre pra acudir. Tem coisas que o garoto tem que resolver sozinho, ali no campo. A rua te dava isso, a escola te dava isso. Não é apenas do futebol, é do jovem em geral”, avaliou.

Para Alex, esse perfil dos jogadores é também reflexo da estrutura do futebol brasileiro. Que o levou a viver uma experiência surpreendente. “Vejo vocês da imprensa batendo nos empresários. E forte. Mas, muitas vezes, os caras estão sentados em seus escritórios e quem vai bater à porta são os clubes. Vão oferecer atletas para serem fatiados em troca de alguma grana para equilibrar as contas. Isso aconteceu comigo, pessoa física. Clube de futebol bateu na minha porta, pedindo R$ 3 milhões e me oferecendo quatro ou cinco jogadores. Os empresários são um mal necessário. Não consigo entender como um garoto que chega no clube com 12 anos e, quando faz 19 anos, já não pertence mais ao clube. Vou usar como exemplo o Dudu, que é a bola da vez no Coritiba, está no clube desde a escolinha do professor Miro. Quando a situação aperta, você vai lá e vende por R$ 1 milhão um percentual do atleta. Aí, começa a fatiar, vira pizza. Isso está muito enraizado”.