Aos poucos, o Coritiba implanta uma nova filosofia em seu elenco. Neste ano, o clube decidiu diminuir o número de concentrações às vésperas das partidas. A decisão partiu de toda a comissão técnica, junto com o departamento de futebol e a psicóloga do clube. O objetivo é evitar um maior desgaste físico e também emocional dos jogadores ao longo de todo o ano. Em média, são dois dias de concentração para cada partida. Em 2012, o Coxa entrou em campo 76 vezes, o que daria, pelo menos, 152 dias enclausurados em um hotel. Somado à pré-temporada, o elenco alviverde permaneceu quase 200 dias concentrados. Ou seja, mais da metade do ano.

Com esta nova filosofia, o elenco se apresenta apenas antes do almoço no dia do jogo. Os próprios jogadores foram ouvidos a respeito desta nova estratégia. A ideia já foi utilizada três vezes, contra J.Malucelli, Nacional e Toledo. Nas três ocasiões, três vitórias do Alviverde. Dos quatro jogos no Couto Pereira, o elenco só esteve concentrado para a goleada por 4 x 1 sobre o Paranavaí, pois o jogo aconteceu durante a pré-temporada.

Porém, para o superintendente de futebol do Coxa, Felipe Ximenes, ainda é cedo para fazer qualquer tipo de análise. “É precipitado fazer qualquer avaliação. Não é simples de se avaliar isto e nem se pode vincular apenas a resultados. É mais um processo dentro da filosofia de trabalho do clube e não é algo inédito. Vários clubes já fizeram isso”, disse. Com isso, o clube também ganha financeiramente, já que economiza com a hospedagem e alimentação dos atletas. Mas são gastos mínimos que não foram nem levados em conta pela diretoria. “O impacto financeiro em relação a isto é muito pequeno. O lado econômico não foi visto neste ponto, até porque não dá nem 1% do nosso orçamento anual”, completou.

Entretanto, a concentração não foi totalmente abolida. Para o confronto contra o Rio Branco, domingo, em Paranaguá, os jogadores se apresentarão na noite de sábado. Também existirão casos, em jogos dentro de Curitiba mesmo, em que os atletas se apresentarão um dia antes da partida. Como foi no clássico contra o Paraná Clube e será no Atletiba do dia 24. A decisão de se haverá concentração ou não é tomada pela comissão técnica na programação semanal, dependendo de muitos fatores, mas independemente do adversário, seja ele considerado forte ou fraco.

A medida deve seguir ao longo de todo o ano, inclusive no Campeonato Brasileiro. Porém, aquele que resolver aprontar, terá que arcar com as consequências no dia seguinte. “Qualquer indiscplina terá aplicada as regras internas. Um atleta tem que ter uma postura digna à sua profissão, mas não apenas na véspera de jogo”, completou Ximenes.