Comer e se comunicar para um brasileiro estão entre os pesadelos de quem cai de paraquedas na China. Porém, quem tem status de jogador de futebol não sofre tanto. “Eu fiquei dois meses num hotel com os estrangeiros e depois colocaram a gente num condomínio fechado. Tive que aprender a cozinhar na marra. A internet ainda era uma coisa muito pobre na época e não tinha quase nenhuma notícia do Brasil. As ligações para cá eram de dois em dois dias, de dois minutos e só para saber como é que estava a família. Passei mais aperto em relação à solidão”, revela Tcheco.

Mas o dia a dia no clube, o jogador garante que não sofreu muito. “Tinha um tradutor específico para mim. No time havia um rapaz do Zimbábue e outro coreano, e cada um tinha o seu tradutor. A comida era difícil no começo, mas eles também ajudam muito os estrangeiros. Davam um respaldo para a gente. Não tinha muita dificuldade com comida quando a gente estava com o clube, mas sozinho, se você quer conhecer comidas exóticas, é o que não falta”, diz.

Segundo o meio-campo, as dificuldades o fizeram crescer na profissão. “Passei bastante perrengue, mas foi bom para mim, para o desenvolvimento do meu futebol. Era um contrato de dez meses, e eu ainda pertencia ao Paraná Clube. O time (Chángjiãng) ficava no meio da China, onde hoje está se terminando a usina que vai ser a maior do mundo. Na época tinha 15 milhões de habitantes e era uma cidade do interior”, destaca.

Tcheco foi levado pelo empresário Joseph Lee, junto com outros paranistas. No final, somente ele e o atacante Tico ficaram mais tempo. Na visão de Juliana de Oliveira, assessora da LA Sports, a China ainda está bastante longe do Japão, mas não assusta. “Achei o Japão mais organizado, mas a dificuldade maior é a língua, porque poucos falam inglês, além da comida”, informa, referindo-se aos chineses. A superpopulação também é outro problema para quem não está acostumado. “Tem muita gente e é difícil até para atravessar uma rua ou entrar no supermercado”, finaliza.