Alex parou de jogar ontem. Mas poderia ter parado antes. É o que ele conta nesse depoimento exclusivo à Tribuna.

“Nunca pensei em estender a minha carreira. Pensei, sim, em parar antes. Quando perdemos para o Maringá, parei por três dias. Reuni a família e avisei que ia parar. As meninas, mais velhas, aceitaram na boa. Minha mulher ficou confusa, mas apoiou, como sempre. Já o menino virou a cara pra mim. De domingo a quarta, ele não falou comigo. Ficou revoltado. Só voltou ao normal quando eu chamei pra ele me dar um abraço porque eu estava indo treinar. Nesses dias, a conversa com o Tcheco foi o carimbo final para que eu decidisse retornar. Aí, veio o Brasileiro. Logo na chegada do Roth, o primeiro treino foi um físico pesado, absurdo, daqueles da década de 90. Avisei os caras que não fazia aquilo há dez anos. Respeitei a hierarquia, mas sabendo que ia dar merda. Fiz a porra do treino e me machuquei. Lesão muscular e vinte dias parado. Quando voltei, a sequência era Sport, Inter e Atletiba, este em Maringá. Aí, tinha mil pessoas no estádio. Um jogo horrível e o Celso me substituiu aos 35 do segundo tempo. Do banco, olhei o cenário e fiquei pensando: o que tô fazendo aqui? O maior clássico do estado, num campo de bosta, sem torcida, com dois times mal em campo e no dia seguinte tinha viagem para Criciúma. O Celso já havia avisado que eu não ia a Santa Catarina, por isso confirmei minha presença na reunião do Bom Senso, em Brasília. Com as críticas, quase desisti. Mas, acabei resolvendo levar até o fim da temporada.”

O craque admitiu na entrevista que não é fácil jogar em Curitiba. Confrontado com a famosa declaração de Levir Culpi de que nunca mais trabalhará no futebol paranaense, Alex soltou o verbo. “Dos times em que joguei, o mais difícil é o Coritiba. Isso é inegável. A exigência é a do maior time do Brasil, mas a estrutura não é a do maior time do Brasil. A participação do torcedor não é a da maior torcida do Brasil. A cobertura de imprensa não é como a de São Paulo, por exemplo. Mas, o peso da exigência é diária. Pra quem é daqui, é complicado. Se eu me tornar treinador, não quero trabalhar em Curitiba. Conversei com o Levir Culpi e concordo com ele. É pesado para alguém da cidade. Não é do futebol, mas do curitibano. Hoje, talvez o maior ator do Brasil – Alexandre Nero – protagonista da novela da 8, o maior produto da Rede Globo é curitibano e ninguém fala disso. Paulo Leminski só foi reconhecido depois que morreu. Vivo, talvez fosse chamado de bêbado e intelectual idiota. Depois, virou Paulo Leminski. Você não vê um curitibano fazendo sucesso em Curitiba. Isso é cultural, da nossa sociedade”, disse.

Mais da entrevista do Alex nesta terça-feira.