Em pé: Anderson Gomes (preparador físico), dr. Lúcio Erlund, Glydston, Ananias,
Anderson Lima, Henrique, Edson Bastos, Jéci, Dezinho, Ivo, Vanderlei,
 dr. Walmir Sampaio, Marcelo Giacomelli e Vovô Coxa. Agachados: Moacir Medeiros,
 Pedro Ken, Keirrison, Fabinho, Marlos,  Henrique Dias, Douglas Silva, Caíco, Túlio,
Carlão, Anderson Gomes, Ricardinho e Raul Osieck. (Foto: Valquir Aureliano)

A torcida coxa-branca comemorou, a diretoria festejou, mas o técnico René Simões não quer nem saber de oba-oba. Para ele, o que vale mais nessa hora é o título de campeão da Série B e é isso que ele quer reverenciar. ?Só vou celebrar quando for campeão e nós estamos trabalhando o tempo todo para ser campeão. Um clube da grandeza do Coritiba tem que pensar em ser campeão?, apontou. Por isso, ele quer manter a mobilização em torno da conquista da competição e até descartou reuniões festivas após a partida de sábado contra o Vitória.

?Eu digo que vou ficar muito frustrado se esse time não for campeão?, revelou. E com esse pensamento, ele já está projetando a equipe para a partida contra o Avaí. Uma vitória em Florianópolis combinada com tropeços de Portuguesa, Ipatinga e Vitória garante o caneco. Assim, mesmo com o desfalque de Túlio, suspenso pelo 3.º cartão amarelo, René pode ganhar reforços do departamento médico e montar uma equipe mais forte contra os catarinenses. O volante Veiga, o meia Diogo e os atacantes Edmílson e Gustavo podem até ficar à disposição.

Flecha Loira

Na série de jantares em homenagem a ídolos do passado promovidos mensalmente pelo Coritiba, a bola da vez será Krüger, que dedicou 40 anos de sua vida ao clube do coração. O convite custa R$ 20 e dá direito a jantar e refrigerante. Quem quiser participar do evento e relembrar do Flecha Loira e outros ídolos basta ir até o Restaurante Cascatinha (Rua Manoel Ribas, 4455) e participar da celebração. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3218-1909.

Destaques que levaram o Coritiba de volta à elite

Conheça os principais responsáveis pela ascensão do Coritiba à elite do Brasileirão.

René Simões

Quando alguns jogadores se acomodaram, disse que só colocaria em campo os ?fortes e os certos?. Recusou propostas para voltar ao exterior durante a competição, mas cumprida a palavra com o clube deve seguir novos rumos em 2008.

Edson Bastos

Primeiro goleiro negro após a vitoriosa passagem de Jairo pelo Coritiba, ele enfrentou o preconceito e a desconfiança. Também, pudera. Em menos de seis meses, ele seria o sexto pretendente à camisa 1. Aos poucos, as defesas salvadoras foram acontecendo e Edson Bastos foi caindo nas graças da torcida, que ainda sentia saudades de Fernando. Tem contrato somente até o mês que vem e não sabe se fica.

Ânderson Lima

Aos 34 anos, um dos jogadores de ?seleção? prometidos por Vialle teve que provar mais do que os outros que poderia vestir a camisa alviverde. Capitão, se tornou  líder natural de uma equipe formada por vários jogadores contratados durante o ano e outros tantos vindos das categorias de base. Conseguir unir os vários grupos e não se ouviu falar de panelinhas ao longo do ano.

Pedro Ken

Jogou de ala, volante, meia e atacante. Mais do que polivalente, Pedro Ken é sinônimo de jogador inteligente e solidário. Um dos mais regulares da equipe, quando não ia bem, a equipe toda caía, mas como sempre usava todo o gás disponível, foi um dos pilares do Coxa na campanha de volta à 1.ª divisão. É pretendido por várias equipes do Brasil e do exterior e já se fala em São Paulo para 2008.

Keirrison

Soube ter paciência. Após um ano todo perdido se recuperando de uma lesão séria no joelho direito, ele voltou aos poucos à equipe. Ia ganhando ritmo e aprontando das suas. Mas faltava conquistar os treinadores. A torcida não entendia por que ele ficava de fora mesmo marcando gols e sendo o melhor em campo várias vezes. Os treinadores, principalmente René, queriam mais. E ele deu. Fez até gol de cabeça, é o atual artilheiro do time na temporada e na Segundona, mas jogou mais entrando no decorrer dos jogos do que como titular. Deve permanecer.

Henrique

Foi criticado até por Gionédis, que disse que ele tomava muitos gols nas costas. Isso depois de exigir um aumento salarial por ser titular da equipe há mais de um ano e receber salário de júnior. Renovou e foi ?negociado? com uma equipe italiana, ficando de fora por quase um mês. Como a transferência não deu em nada, retomou a posição de titular e virou mais do que fundamental na melhor defesa da Série B. Tem passaporte europeu e é sério candidato a ser negociado na próxima temporada.

Saga

Filme repetido?

O Coritiba iniciou a Segundona deste ano mais ou menos como terminou a do ano passado. Após fracassar no estadual e sair precocemente da Copa do Brasil, o comando de Guilherme Macuglia não inspirava confiança na torcida, que o chamou de ?burro?. Acabou demitido.

Era René

Culto, livro no currículo, façanhas com a seleção brasileira feminina e com a seleção masculina da Jamaica, René Simões chegou ao Alto da Glória como um verdadeiro ?encantador de platéias?. Passou a ser uma espécie de pára-raio de problemas. Tudo para ?blindar? os jogadores das críticas da torcida e de setores da imprensa. Pijamão

Excelente em casa, péssimo longe do Couto Pereira. Ao mesmo tempo em que armava a equipe e definia um padrão de jogo, René sofria com o fraco desempenho como visitante. A pecha de time de pijama estava incomodando e a pressão, mesmo que mais interna do que externa, começava a pesar demais. Principalmente pela apatia da equipe. No entanto, quando ninguém colocava muita fé, o time passou pelo Marília no Bento de Abreu e ?rasgou? o pijama.

Demissão

Se a vitória contra o Marília havia aliviado a pressão, três jogos depois, um empate contra o Gama no Alto da Glória fez ressurgir o turbilhão no comando técnico. Até hoje mal explicado, dirigentes alcoolizados entraram nos vestiários gritando com René, que entregou o cargo na hora por ser cobrado daquele jeito na frente dos comandados. No dia seguinte, o coordenador de futebol João Carlos Vialle pegou o extintor e foi a campo apagar o fogo. Fez o dirigente pedir desculpas e convenceu o treinador a permanecer no cargo e ajudar o time a subir.

Caça ao Tigre

Na vice-liderança, o Coritiba não se contentava apenas em estar no G4. O topo da tabela era o objetivo e o time foi atrás do Criciúma. Eram sete pontos de diferença, mas um a um a distância foi encurtando. E em pleno setembro, que foi negro em 2006 e verde esperança em 2007. Os catarinenses entraram em crise, mandaram o técnico embora, foram vacilando e o Coxa passou. Diante do Remo, René escolheu os ?fortes e certos? e venceu por 2 a 1, a liderança chegou e ninguém mais chegou perto.

?Falacianos?

Na 1.ª colocação, só faltava incendiar a torcida para o Couto Pereira lotar em todos os jogos. A diretoria de marketing aproveitou uma deixa de Mário Celso Petraglia e colocou uma campanha provocativa nas ruas: ?Falacianos, torcida se mede dentro do estádio?. Foi uma briga. 25 mil no Couto, 25 mil na Baixada e muita polêmica. Contra o Ipatinga, mais de 26 mil pagaram ingresso e deram o recorde de público ao Coxa no ano. Contra o Criciúma, mais de 32 mil e uma média de presença no Alto da Glória digna de 1.ª divisão e bem maior do que os ?co-irmãos?.

Classificação

O empate no final da partida contra a Ponte Preta deixou todo mundo chateado. Virtualmente classificado, o resultado poderia valer matematicamente a vaga na Série A. Era a primeira oportunidade de subir, mas a festa ficou guardada para o Couto Pereira. Contra o Vitória, o Alviverde tinha tudo para vencer e comemorar com a torcida, mas o novo empate deixou todos no clube e a própria torcida apreensiva e torcendo para o Santo André vencer o Criciúma. E não é que o Ramalhão matou o Tigre e garantiu o Coxa na 1.ª divisão? Não só venceu como fez 2 a 0 e decretou festa na capital paranaense, que se pintou de verde e branco.

Giovani Gionédis garante que sempre confiou no acesso do Coritiba

Valquir Aureliano
Presidente destaca o saneamento das finanças do clube.

?Sempre estive aliviado.? A frase é de Giovani Gionédis e mostra a confiança que o presidente do Coritiba tinha no retorno de seu clube à elite do futebol brasileiro. Para ele, não se pode avaliar sua administração apenas por 2005 (rebaixamento) e 2006 (fracasso na Segundona) e sim pelos seis anos e por todas as conquistas nesse período. Além de três vezes campeão paranaense e uma participação na Copa Libertadores, o comandante alviverde ressalta o saneamento das finanças e projeta um futuro bastante promissor para a equipe, mas sem ele na diretoria.

?Assumi um clube com mais de R$ 50 milhões de dívidas, cinco folhas atrasadas, penhoras eletrônicas. Caímos sim, mas o futebol é imponderável e não se pode fazer uma análise somente dos resultados em campo?, diz Gionédis. Para ele, sua principal marca foi a de reduzir as dívidas e tornar o Coxa viável. ?O trabalho principal foi de sanear o clube. Temos que avaliar o conjunto e o trabalho não está finalizado e tem que haver a continuidade do saneamento. Falta muito pouco para que possamos acabar com a dívida?, projeta o presidente do Coritiba.

Oposição irresponsável

E sobre as brigas internas, protestos e xingamentos recebidos em uníssono em pleno Couto Pereira. ?Não tenho briga com ninguém. Tivemos uma oposição irresponsável. Isso prejudica e está aí o Corinthians com seus problemas internos refletindo no gramado. O Paraná também teve problemas internos e o reflexo está em campo?, dispara. Para ele, quem foi contra a atual administração deveria fazer mais e falar menos. ?Eu sou um homem de empreender e as pessoas (oposição) fazem o que querem?, compara.

De qualquer forma, ele credita o sucesso deste ano à montagem do grupo de jogadores em comparação com 2006. ?Tivemos um elenco mais unido, mais homogêneo, qualquer um poderia ser titular. Nossos meninos da base amadureceram mais, como o Henrique, o Pedro Ken e o Keirrison?, analisa. Como a atual diretoria pretende reduzir consideravelmente as pendências financeiras em 2008, a expectativa é de um time mais vencedor ainda em 2009. ?O Coritiba tem que ter pés no chão no ano que vem e disputar apenas uma vaga na Libertadores. Depois, dá para montar um time para disputar o título?, destaca.

E para dar seqüência a esse trabalho e formar um time mais forte, ele lançou no sábado a candidatura do coordenador de futebol João Carlos Vialle à presidência. ?Eu saio e viro conselheiro nato porque fui presidente por seis anos. Vou ficar no conselho dando apoio ao Vialle e às pessoas que ficaram com a gente?, promete.

Fiéis escudeiros permanecem

Entre os escudeiros de Gionédis e que já estão compondo a nova chapa estão o vice-presidente André Ribeiro e o secretário do conselho administrativo Luís Henrique Barbosa Jorge, o Espeto. ?O Vialle tem em mente dar continuidade ao atual projeto?, afirma.

Nesse projeto está a ampliação do centro de treinamento e formação de atletas. ?O Coritiba tem que dar seqüência a esse projeto porque está provado que nenhum clube sobrevive mais sem formar atletas. Também temos a previsão da construção de um hotel-concentração, que foi paralisado nesses dois anos pela queda de arrecadação?, aponta. Já a construção de um novo estádio correria em paralelo. ?O estádio é um projeto de investidores que quiserem aplicar em estrutura?, finaliza.

São Rafael aposta em sucesso coxa na ?A?

Rodrigo Feres, especial para a Tribuna

Arquivo/Tribuna
Goleiro campeão de 1985 sonha em dirigir o Verdão.

Imortalizado como ?São Rafael? após o título brasileiro em 1985 pelo Coritiba, o ex-goleiro Rafael Cammarota atualmente é técnico de futebol e sonha em um dia comandar a sua equipe do coração. O caminho ainda é longo – hoje ele dirige o modestíssimo Atlético Catarinense, da cidade Ilhota, que disputa a 2.ª divisão do estado vizinho. Em entrevista exclusiva à Tribuna, Rafael disse acreditar em uma grande campanha do Coritiba no ano que vem na 1.ª divisão.

Tribuna: O Coritiba está de volta à 1.ª divisão. O que o torcedor pode esperar para o ano que vem?

Rafael: Uma grande campanha. O campeonato está nivelado por baixo. O São Paulo está com essa vantagem porque é o menos ruim. Acredito que o Coritiba possa conseguir uma vaga para a Copa Libertadores, e por que não pensar no bicampeonato brasileiro? Hoje o clube tem uma grande estrutura. Mantendo essa base e reforçando o elenco dá pra chegar. No gol não vejo problemas. O Édson (Bastos) está muito bem e o Vanderlei também é um grande goleiro. Mas nessa transição é preciso muito cuidado. A 1.ª divisão é diferente da 2.ª. É preciso muita garra, vontade e determinação.

Tribuna: Você foi um dos responsáveis pelo título de 85. Quais foram as principais dificuldades e qual era o segredo daquele time?

Rafael: Eu era o ?São Rafael?, mas no futebol, sozinho não se consegue nada. O que nós tínhamos era muita união e confiança. Na minha chegada, disse que seríamos campeões brasileiros e deram risada. Aquela semifinal contra o Atlético-MG no Mineirão foi muito difícil. Teve um chute do Gomes contra e eu consegui tirar. Acho que foi a defesa mais difícil da minha carreira.

Tribuna: A torcida do Coritiba dá apoio incondicional ao time nesta 2.ª divisão. O quanto ela foi importante para os atletas em 85?

Rafael: Foi fundamental. Sempre compareceu e ajudou. Sem a torcida talvez não chegássemos ao título. Jogar com mais de 60 mil pessoas no Couto Pereira era de arrepiar. Eu peço aos torcedores que continuem comparecendo em massa.

Tribuna: Atualmente, qual seu objetivo no futebol?

Rafael: Sempre tive o sonho de treinar o Coritiba depois que encerrei minha carreira em 1995. Estou com uma bagagem como técnico já há sete anos, mas pode escrever: um dia vou treinar o Coritiba.