Marcel lutou muito contra a
retranca do Juventude, mas deixou
para o companheiro Edu o gol da vitória.

O sofrimento foi grande, e o alerta também. Pela terceira vez o Coritiba teve dificuldades para vencer um time fechado jogando dentro de casa, mas pelo menos contra o Juventude os três pontos vieram. E pontos importantíssimos, já que com eles o Cori se aproxima da ponta da tabela, ficando a três pontos do Santos e a apenas dois de São Paulo e Internacional. E o maior responsável pela vitória foi o goleiro Fernando.

Ele foi tão decisivo para o resultado na defesa quanto no ataque, sem no entanto precisar subir para cabecear ou cobrar faltas. No lance do gol de Edu Sales, a jogada iniciou nos pés de Fernando, que defendem a cobrança de escanteio e saiu jogando. O lançamento chegou a Marcel, que desviou para Edu – livre para concluir, o atacante apenas tocou com estilo para marcar o único gol da partida.

Lançamentos como esse são frutos de um trabalho incessante. Quem chega ao Couto Pereira meia hora antes das partidas pode ver um pedaço dessa preparação: além de apurar os reflexos, Fernando treina saída de bola tanto com os pés quanto com as mãos. Prova disso é que o goleiro tem alto índice de acerto nesse fundamento. “Isso a gente consegue no dia-a-dia, treinando forte”, reconhece.

Mas, não fossem as defesas, ninguém lembraria do lançamento. No primeiro tempo, uma intervenção decisiva na jogada de Marcelo para o grandalhão Geufer, que penetrava livre. No último instante da partida, o mesmo Geufer ganhou da defesa e cabeceou, mas Fernando conseguiu a defesa, garantindo a vitória coxa. “Eu dedico isso aos meus companheiros e ao Cassius (Hartmann, preparador de goleiros), que faz um trabalho extraordinário”, diz.

E é claro que Fernando se tornou o grande nome do jogo também para a torcida. No primeiro lance de Geufer, ele conseguiu abafar as vaias para a equipe com os aplausos que recebeu. E no final, a torcida gritou o nome do goleiro para depois comemorar o resultado. “Isso não tem preço que pague. É muito bom”, garante Fernando.

Desfalque

O Coritiba não terá Roberto Brum no jogo contra o Cruzeiro, quarta-feira, em Minas. O “Senador” recebeu o terceiro cartão amarelo no sábado e terá que cumprir suspensão automática na partida. Com isso, o técnico Paulo Bonamigo deve escalar Willians no Mineirão.

Enquanto isso, segue à toda o processo de recuperação do lateral Ceará (com uma torção no tornozelo) e do zagueiro Edinho Baiano (com uma luxação no ombro direito). Mas, apesar da melhora, o departamento médico alviverde não acredita que ambos reúnam condições de enfrentar o líder do brasileiro. “É bastante difícil. Nós ainda temos um certo tempo, mas são lesões de recuperação complicada”, afirma o médico Walmir Sampaio.

CORITIBA 1X0 JUVENTUDE
Súmula
Local: Couto Pereira
Árbitro: Paulo Henrique Godoy Bezerra (SC)
Assistentes: Claudemir Maffessoni (SC) e Fernando Lopes (SC)
Gol: Edu Sales 22 do 2°
Cartões amarelos: Roberto Brum, Edu Sales (CFC); Taílson, Marcão, Evandro (JUV)
Renda: R$ 65.162,50
Público: 8.135 (5.174 pagantes)

Coritiba
Fernando; Danilo, Odvan e Reginaldo Nascimento; Roberto Brum, Jackson, Adriano (Lira), Tcheco e Souza (Lima); Edu Sales e Marcel. Técnico: Paulo Bonamigo

Juventude
Maurício; Mineiro (Donizete Amorim), Renato, Dante e Marcão; Evandro, Raone, Marcelo e Rafael (Cléber); Geufer e Taílson (Leonardo Manzi). Técnico: Raul Plasmann

Bola parada para superar a marcação dos gaúchos

O que se esperava aconteceu. O Coritiba sofreu, o Juventude marcou, a atuação não foi tão boa como a torcida imaginava. E o resultado foi o que os pouco mais de oito mil torcedores que foram ao Couto Pereira no sábado sonhavam: vitória por 1×0, levando o Coxa aos 45 pontos e quebrando o ?tabu? contra os times gaúchos.

O Coritiba voltava a jogar no seu usual 3-5-2, com Danilo entrando no lugar de Ceará. A preocupação do técnico Paulo Bonamigo era com a saída de jogo, tanto que Tcheco jogaria mais recuado e Jackson e Adriano tinham a orientação de iniciar as jogadas ofensivas. O Juventude de Raul Plasmann prometia encarar de frente o Cori, mas na prática montava uma equipe fechada, com três volantes e com apenas Marcelo na armação.

Os gaúchos povoavam o meio e dificultavam a saída de jogo do Cori, deixando apenas Odvan livre – justamente o que Bonamigo não queria. Faltava movimentação para sair da forte marcação adversária: até Danilo e Nascimento eram vigiados quando o Coxa tinha a posse de bola. Com isso, restavam as bolas paradas: aos 19, Marcel fez Maurício voar para fazer a defesa.

O imobilismo tático era visível. O Coritiba não conseguia trabalhar jogadas, e tinha que arriscar chutões para fazer a bola chegar ao ataque. Com Souza em tarde apagada, Edu Sales e Marcel estavam isolados. Outro em dia pouco inspirado era Jackson, que perdia jogadas fáceis – e sem a qualidade dele, o Cori perdia metade de sua criação. E era o Juventude que chegava: aos 38, Evandro lançou Geufer, que não conseguiu vencer Fernando, que se arrojou para defender.

Para tentar arrumar o ataque, Bonamigo sacou Souza e colocou Lima, que teve bom rendimento durante a semana. Mas a mudança mais significativa era no posicionamento de Jackson, que voltava ao meio para que Edu Sales virasse um ponta-direita. E aos cinco minutos, Lima cruzou e Mineiro cortou com o braço – mesmo assim, o árbitro Paulo Henrique Godoy Bezerra não marcou a penalidade. Para tentar sair do cerco, Raul Plasmann colocou Leonardo Manzi no lugar de Taílson. E, como se fosse mágica, o time de Caxias passou a dominar a partida – Manzi e Geufer ganhavam todas da defesa coxa.

E se era o time gaúcho que mandava, o Cori passava a ter a opção do contra-ataque. Aos 22 minutos, Fernando saiu jogando para Marcel, que desviou para Edu Sales – o atacante, livre, encobriu o goleiro Maurício e abriu o placar com um belo gol. Era o que faltava para dar segurança à equipe, que recuperou a tranqüilidade e começou a jogar bem. Mas a partida não iria acabar sem sofrimento – o Juventude pressionou até o fim, e Fernando salvou o Coxa no último lance, após uma cabeçada de Geufer. Era a garantia da vitória, mais importante do que nunca, já que o próximo adversário coxa será o líder Cruzeiro, na quarta-feira, em Belo Horizonte.