Aristzábal comemora o gol de Reginaldo
Nascimento, que inaugurou o placar em Curitiba.

O Coritiba vive. Com a vitória por 2×0 sobre o Rosário Central, ontem à noite, no Couto Pereira, o representante paranaense “encostou” nos líderes e se mantém na disputa por uma vaga à segunda fase da Copa Libertadores.

Foi a primeira vitória do Coritiba na competição. Novo desafio, agora, somente no dia 6 de abril, quando o Coxa vai a Assunção, encarar o Olímpia.

A necessidade de vitória fez o Coritiba buscar o gol logo nos primeiros movimentos. Com jogadas pelos flancos, tentou furar o “ferrolho argentino”, mas sem sucesso. O time do Rosário Central valorizava a posse de bola e impunha uma forte marcação na faixa central do gramado. O jogo ficou monótono e a torcida, impaciente, ensaiou vaias com 15 minutos. A resposta do Coritiba foi imediata. Numa cobrança de falta, Miranda soltou a “bomba” e o goleiro espalmou. Mas, na cobrança do escanteio, Reginaldo Nascimento não perdoou a desatenção da zaga adversária e mandou, de cabeça, para a rede: 1×0, aos 19 minutos.

O gol deu nova configuração à partida. Com nervos à flor da pele, teve de tudo, até troca de “sopapos” entre o técnico Antônio Lopes e o lateral Papa. Lopes foi expulso, mas mesmo sem o comandante à margem do gramado, o Coritiba cresceu de produção e só pecou nas finalizações. Acuña até assustou em cobrança de falta, mas foi só. Aos 34 minutos, Aristizábal quase ampliou. Após cruzamento de Igor, o colombiano cabeceou para baixo e goleiro Gaona desviou a escanteio. Sem “baixar a guarda”, o Coxa pressionou nos instantes finais e só não fez mais gols por falta de sorte.

Aristizábal dominou, aos 41 minutos, fora da área e disparou de canhota para a defesa de Gaona. Numa seqüência de escanteios, Nascimento perdeu uma chance incrível. Livre, na pequena área, ele escorregou e não conseguiu finalizar. Pouco depois, Adriano arrancou de seu campo, em velocidade, chegou à área do Rosário e tocou fraco, rasteiro, facilitando a intervenção do goleiro Gaona. Nos acréscimos, Fernando ainda evitou o empate, em chute com estilo de Sánchez.

Houve uma sensível queda do ritmo das equipes na fase complementar. O Coritiba passou a recorrer a lançamentos longos para Aristizábal e Laércio, mas sem eficiência. Aos 18 minutos, Lopes foi obrigado a trocar Reginaldo Nascimento por Danilo. Pouco depois Laércio perdeu chance incrível. O goleiro defendeu a primeira conclusão e, na sobra, o atacante chutou em cima da zaga. O lance “incendiou” a torcida e o Coritiba se lançou ao ataque. Éder entrou no lugar de Igor, enquanto o Rosário alterou todo o seu ataque. Os argentinos deram maior velocidade ao jogo, mas não conseguiram vantagem sobre a zaga coxa. Do outro lado, o Coritiba arriscou pouco e reclamou pênalti sobre Adriano. No final, o lateral-esquerdo bateu cruzado, a bola desviou na zaga, tocou na trave e entrou. Um prêmio para Adriano, o melhor em campo.

Meninos seguiram a “cartilha”

O técnico Antônio Lopes elogiou a valentia do seu time. Na sua visão, o Coritiba conseguiu perfeita adaptação àquilo que a Libertadores exige: jogar duro na bola, mas sem entrar na catimba do adversário. “Os garotos estão de parabéns. Foi uma vitória merecida e poderíamos ter feito mais gols”, disse o treinador. Lopes lembrou ainda que, ao contrário do jogo na Argentina, o Coritiba conseguiu anular as jogadas pelo lado esquerdo do Rosário Central.

A estratégia de jogo foi bem aplicada, segundo Lopes. “Fomos sólidos na marcação e tivemos velocidade para pressionar o adversário”. Nem mesmo as ligações diretas do segundo tempo mereceram críticas do treinador. “Faz parte do jogo. Mas, foram em momentos isolados, quando eles tentaram nos agredir”, disse. O treinador acredita que com a vitória, o grupo continuará mobilizado para buscar as duas vitórias que necessita, frente ao Olímpia, fora, e diante do Sporting Cristal, em casa. Apenas esta ‘matemática’ classifica o Cori.

Lopes comentou também a confusão que culminou com sua exclusão do banco de reservas, ainda no primeiro tempo. “A bola veio em minha direção e eu a segurei. Daí o cara veio e pisou no meu pé e o clima esquentou”, disse. Decepcionante, mesmo, apenas o público presente ao Couto Pereira. A vibração foi intensa durante os 90 minutos, mas o borderô registrou somente 10.025 pagantes. Reflexo claro do elevado preço do ingresso.

O lateral Adriano reconhece que ainda não atingiu o rendimento que o levou para a seleção brasileira, mas está caminhando para isso. “Confesso que estava um pouco estressado no início do ano. Mas, aos poucos estou atingindo uma boa condição física e técnica. Saio satisfeito com minha produção e de toda a equipe”, finalizou o jogador, que foi o autor do segundo gol alviverde.

Para a diretoria, a vitória significou o primeiro passo nesta luta pela classificação. O vice Domingos Moro lembrou que durante toda a semana o time trabalhou visando este jogo e não a necessidade de nove pontos (agora seis). “Conquistamos a vitória. Agora, temos tempo para ajustar o time e lutar por mais dois resultados positivos”, disse. Do outro lado, Miguel Angel Russo, foi cético: “Jogamos mal e ponto”.

Duas vitórias. Ou um “pé de coelho”

Não adianta fazer contas, como disse o próprio técnico Antônio Lopes. Por mais que o Coritiba pense em hipóteses e combinações de resultados, apenas as duas vitórias fazem o Coxa seguir para a segunda fase da Copa Libertadores – e, na verdade, com a possibilidade de ficar na segunda posição. Só um milagre, com incríveis combinações, permitiria o Coxa fechar o grupo 9 em primeiro lugar.

Isso porque o Rosario Central, derrotado pelo Cori ontem, ainda tem um confronto com o Sporting Cristal – se ambos empatarem, podem chegar aos 11 pontos, mais do que os alviverdes podem alcançar. Dessa forma, a partida entre os dois líderes do grupo 9, que acontecerá no dia 16, é decisiva para as planificações alviverdes.

Se o Rosario vencer – e também vencer o Olimpia -, chega a 13 pontos, e termina a fase em primeiro lugar. Esta é a única hipótese que permite o Coxa a pensar em classificação com oito pontos, certamente indo para a repescagem – os cinco melhores vice-campeões de grupos classificam-se diretamente para a segunda fase, e os quatro restantes entram em um ‘mata-mata’ para a definição dos dois últimos qualificados.

Caso o Cristal passe pelo Rosario, o Coxa pode ter que jogar contra os peruanos precisando da vitória e ainda tendo que fazer saldo de gols. O Sporting tem saldo positivo de quatro gols, enquanto o Cori tem saldo negativo de três. Se a diferença entre os dois times for de três pontos e o saldo se mantiver, será necessária uma vitória por quatro gols de diferença para o Alviverde passar de fase. Por isso a frase de Antônio Lopes é mais forte que nunca: “A única conta que temos é vencer todos os jogos”.