Tuta foi ao “terceiro andar” para
salvar o Coxa de outra derrota no
Brasileirão 2004. Mesmo não jogando
bem, centroavante foi decisivo.

Às vezes, quando menos se espera acontece alguma coisa. O ditado é antigo – e bem surrado -, mas representa o que o Coritiba conseguiu ontem em Florianópolis. Lutando contra vários adversários e com um jogador a menos, o Coxa arrancou um empate com o Figueirense em 1×1, no Estádio Orlando Scarpelli. Na tabela do campeonato brasileiro, pouco muda, mas foi outra prova do bom desempenho da equipe jogando fora de casa.

Os problemas se repetiram no início do jogo. Como se a partida acontecesse no Couto Pereira, o Coritiba sofria com a irregularidade do gramado (o Orlando Scarpelli está pior que o Alto da Glória), com os erros no passe e na finalização e com o nervosismo. E desta vez até houve razão para a ansiedade, pois nem houve tempo de ‘sentir’ o jogo. Logo a 30 segundos, a defesa alviverde bobeou, Fernando errou e Marlon abriu o placar. Era como se Figueirense e Coritiba começasse com 1×0 para os donos da casa. “Nós não tivemos calma para concluir as jogadas”, resumiu o armador Cléber. Josafá e Tuta, que só treinaram juntos uma vez, não tinham entrosamento, e Luís Carlos Capixaba voltava ao time sem render o que dele se esperava. Com isso, o Coxa não conseguia chegar ao gol de Édson Bastos, e em contrapartida sofria com os contra-ataques catarinenses.

A esperança era, para variar, Aristizábal. Ele entrou antes do que se esperava (logo no intervalo, no lugar de Josafá), mas era óbvio que sofreria com a falta de ritmo. A torcida, entretanto, imaginava que o colombiano poderia fazer a diferença ao lado de Tuta. Só que o Cori seguia penando com a falta de eficiência nos passes.

O desespero aumentou quando, aos 30 minutos, Reginaldo Nascimento deixou o campo com um afundamento de malar. Como Antônio Lopes já tinha feito as três alterações, o Coritiba ficou com um jogador a menos – e logo na defesa. Quando poucos acreditavam aconteceu o gol. Cléber, um dos melhores em campo, cobrou falta na cabeça de Tuta. O centroavante, que estava apagado, não decepcionou e empatou a partida.

Não era o resultado sonhado, mas o espírito de luta foi valorizado pelos jogadores. “Nós estivemos bem e brigamos bastante. Essa nossa iniciativa mostra que estamos melhorando, e que ainda temos muito a melhorar no Brasileiro”, avisou Cléber. A próxima partida alviverde será no sábado à tarde, contra o Botafogo, no Couto Pereira.

Moro pode renunciar hoje

Em entrevista à Rádio Transamérica, o vice-presidente Domingos Moro afirmou ontem que problemas pessoais, não foi a Florianópolis acompanhar a partida. Em tom mais entristecido que o habitual, ele garantiu que não há problemas de relacionamento entre ele e o presidente Giovani Gionédis. “Não há absolutamente nada de diferente”, disse. Só que hoje pode ser anunciada a saída dele do cargo – e do Coritiba.

E o dirigente não desmentiu uma possível renúncia, ou a saída do comando do futebol. “Não sei o que pode acontecer. Estou refletindo sobre a minha vida. Eu perdi muita coisa por causa do Coritiba. Mas não há nada de concreto”, afirmou Moro, que reiterou não estar desgastado com os parceiros da direção. “Estarei amanhã (hoje) recepcionando a delegação”, finalizou.

Mas Giovani Gionédis afirmou que o clube espera uma definição de Moro, que inscreveu-se como candidato a vereador. “Ele tem que decidir até amanhã (hoje), foi uma imposição da Diretoria Executiva. Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo. Eu fui candidato a governador e não me aproveitei do clube durante a campanha”, atirou o presidente, alfinetando o seu próprio vice.

Problema

O zagueiro Reginaldo Nascimento seria submetido na madrugada de hoje a uma cirurgia para correção de um afundamento de malar. Foi no segundo tempo da partida de ontem contra o Figueirense, quando chocou-se com um jogador adversário -uma jogada normal, tanto que nem houve interrupção pela arbitragem. O capitão coxa deve ficar longe dos gramados por cerca de um mês.

CAMPEONATO BRASILEIRO
17ª Rodada
Local: Orlando Scarpelli (Florianópolis)
Árbitro: Luís Antônio Silva Santos (RJ)
Assistentes: Délcio da Silva Brum Coruja (RJ) e Vilmar Raul (RJ)
Gols: Marlon 30? do 1º; Tuta 37 do 2º
Cartões amarelos: Jeovânio, André Santos, Isaías, Éverton (FIG); Márcio Egídio, Roberto Brum, Ricardo (CFC)
Renda: 69.562,00
Público: 10.402 (9.342 pagantes)

Figueirense 1 x 1 Coritiba

Figueirense
Édson Bastos; Paulo Sérgio, Márcio Goiano, Eloy e André Santos; Jeovânio, Bilu, Mazinho (Éverton) e Fernandes; Marlon (Isaías) e Romualdo (Alan). Técnico: Dorival Júnior

Coritiba
Fernando; Rafinha, Miranda, Reginaldo Nascimento e Ricardo; Ataliba, Roberto Brum (Márcio Egídio), Luís Carlos Capixaba (Jucemar) e Cléber; Josafá (Aristizábal) e Tuta. Técnico: Antônio Lopes

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