Jucemar deixou sua marca na cobrança
de falta, mas era tarde, depois do gol
de Luis Fabiano no primeiro tempo.

O Coritiba só faz aniversário no dia 12 de outubro, mas ao que parece o inferno astral do time veio antes do tempo. Após perder seis pontos no tapetão e cair para a lanterna do campeonato, o time sofreu mais um baque ontem. Sem os três “mosqueteiros” – Aristizábal, Luís Mário e Tuta – em campo, o Alviverde foi presa fácil para o São Paulo, que venceu por 2 a 1 e assumiu a liderança isolada do campeonato brasileiro. O resultado pôs fim a uma invencibilidade de 14 jogos do Coxa.

Apesar do discurso de que os substitutos podem corresponder à altura do trio titular, tudo cai por terra quando ele não está em combate. É como um clássico do escritor Alexandre Dumas sem seus guerreiros Athos, Porthos e Aramis, que sempre emergiam vitoriosos nas batalhas medievais. De quebra, se cabe uma comparação, com a ausência do prata da casa Adriano, é como tirar de cena Dartagnan, o jovem espadachim que com suas peripécias ganhou o respeito dos mosqueteiros.

Com apenas um atacante de origem – André Nunes – o Coritiba foi atropelado na primeira etapa. Sem conseguir marcar o meio-de-campo, o Alviverde parecia batalhar no campo adversário, já que o São Paulo mandava no jogo. O torcedor que foi ao Couto apoiar o time, assistiu atônito ao poderio do líder do campeonato, que com toques de primeira deixava os jogadores coxas facilmente envolvidos. Foi assim nos dois gols. O primeiro uma bobeada imperdoável – deixar Luís Fabiano sozinho. O segundo, uma pintura na jogada entre Danilo e Gustavo Nery, que, inclusive, já participou do “exército” alviverde. Em 97, ele esteve emprestado pelo Santos e poucas chances teve de jogar. Talvez por isso, a comemoração do gol tenha sido tão efusiva.

Treinados durante a semana para acertar de vez os passes, pelo “general” Antônio Lopes, os comandados decepcionaram e em erros seguidos, ofereciam o campo para o adversário atacar.

Trégua

Até que veio o intervalo e a trégua que Lopes precisava para tentar reverter a derrota iminente. Numa nova estratégia de guerra, o treinador deu passagem a Márcio Egídio e Josafá. O primeiro deu maior de poder de combate ao meio-de-campo e o último, se pouco produziu, pelo menos segurou o adversário no campo de defesa.

Com as mudanças, o Coritiba conseguiu segurar o jogo no ataque, mas as ações desordenadas, de um time mal entrosado, não permitiram a reversão do placar, apesar do espírito de luta ter sido despertado no vestiário.

O esboço de reação veio com um “touché” certeiro de Jucemar, que vem se destacando pelos chutes a longa distância. Mas sem os três mosqueteiros, a batalha no Couto Pereira foi inevitável, a primeira dentro de campo na guerra do Brasileirão. De quebra, o comandante Lopes perde Miranda e Batatinha, suspensos, para a batalha contra a Ponte Preta, domingo. A esperança é que ao menos Tuta possa voltar ao time, já que Luís Mário se recupera de uma contusão mais séria e Aristizábal ficará fora de cena por três semanas.

Antes dessa batalha, a grande esperança do time é obter uma vitória na quinta-feira, no STJD, quando o Coritiba volta ao banco dos réus para tentar reaver os seis pontos perdidos na batalha contra a 1.ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça da CBF.

BRASILEIRO
5ª Rodada
Local: Estádio Couto Pereira.
Árbitro: Edílson Soares da Silva (RJ).
Assistentes: João Luiz Ribeiro Magalhães (RJ) e José Cláudio Ramos (RJ).
Gols: Luís Fabiano aos 22 e Gustavo Nery aos 26 minutos do 1º tempo; Jucemar aos 4 minutos do 2º tempo.
Cartões amarelos: Miranda, Danilo, Rodrigo Batatinha, Ramalho, Reginaldo Nascimento, Josafá, Márcio Egídio e Grafite.
Público pagante: 15.484
Público total: 16.900
Renda: 170.805,00

Coritiba 1 x 2 São Paulo

Coritiba: Fernando; Jucemar, Miranda, Reginaldo Nascimento e Ricardinho; Pepo, Ataliba (Márcio Egídio), Rodrigo Batatinha (Josafá) e Igor (Thiago Santos); Luís Carlos Capixaba e André Nunes. Técnico: Antônio Lopes.

São Paulo: Rogério Ceni; Cicinho, Fabão, Rodrigo e Gustavo Nery (Gabriel); Alexandre, Ramalho, Marquinhos e Danilo (Souza); Vélber (Grafite) e Luís Fabiano. Técnico: Cuca.