Foto: Valquir Aureliano

Negociação do zagueiro será salvação para os cofres alviverdes. Cori recebe boa grana e zagueiro Nen como contrapeso.

O clássico de domingo será a última partida do zagueiro Henrique com a camisa do Coritiba. Revelado no CT da Graciosa, estrela do elenco ao lado de Pedro Ken e Keirrison e ídolo da torcida, o jogador será a tábua da salvação para os combalidos cofres do Alto da Glória. A diretoria ainda não quer confirmar a venda porque depende de questões jurídicas com o ex-presidente Sérgio Prosdócimo, mas o acordo com o Palmeiras está praticamente selado. O Coxa vai receber cerca de R$ 5,5 milhões e o também defensor Nen, apesar de ter anunciado ontem a chegada de Maurício, que também atua na linha defensiva.

?Não vendemos. Os direitos federativos e econômicos estão penhorados e temos que resolver essa questão. Seria uma irresponsabilidade jurídica assinar a liberação, mas as pendências judiciais estão em vias de solução?, pondera o presidente Jair Cirino dos Santos. No entanto, ele mesmo revela que resolvido o pagamento da dívida com o ex-dirigente, Henrique estará à disposição do Palmeiras. ?Ainda tem alguns detalhes na negociação. Não só o valor porque também queremos o zagueiro Nen?, diz o dirigente.

Segundo ele, a resolução da penhora com Prosdócimo está próxima. ?Espero resolver nos próximos dias. Vou me reunir com o advogado deles e ver a documentação para levantarmos a penhora?, explica. Levantada a penhora, a papelada poderá ser assinada. Enquanto isso, Henrique segue sendo jogador do Coxa. ?Ele joga domingo, a menos que a comissão técnica não queira?, destaca Cirino. Para o dirigente, o jogador saberá ser profissional o suficiente para honrar a camisa do Coritiba mesmo sabendo que pode ir para o Palmeiras já na semana que vem.

Em compensação à saída de Henrique, o presidente alviverde garante que o meia Pedro Ken e o atacante Keirrison não seguirão o caminho do companheiro de defesa. ?Por hora, eles são inegociáveis?, garante. Na campanha presidencial, Cirino prometeu manter as estrelas do elenco, mas a nova diretoria acabou pegando um clube com três folhas de pagamento e premiações atrasadas, sem contar o cofre vazio, as dívidas e a pouca perspectiva de faturamento no início do ano, principalmente com as cotas de televisão.

Reforço

Para contrabalançar a saída de Henrique e além da vinda de Nen, o dirigente anunciou a contratação do zagueiro Maurício, que estava no São Caetano. ?Foi uma indicação do (Dorival) Júnior?, finaliza Cirino.

Dorival ganha novas opções

O técnico Dorival Júnior define hoje a equipe do Coritiba para o clássico de domingo e algumas mudanças podem acontecer. A expectativa vai ficar pelo aproveitamento ou não do zagueiro Henrique, negociado com o Palmeiras. A diretoria passou a bola para o treinador, que terá a missão de definir se aproveita ou não o defensor. Na primeira rodada, pelo mesmo motivo, o comandante coxa não o utilizou, assim como o meia Pedro Ken e o atacante Keirrison. Se Henrique for poupado, Felipe deverá ser o substituto.

Mas a equipe deverá ter outra alteração. O lateral-esquerdo Ricardinho, recuperado de uma amigdalite, tem boas chances de retornar ao time titular. O atacante Henrique Dias, que levou uma pancada no tórax na primeira rodada, também deve ser liberado para ficar à disposição do treinador. Enquanto isso, os volantes Douglas Silva e Veiga, além do lateral-direito Dick aprimoram a parte física para poderem atuar também no Atletiba.

O treino coletivo antes do confronto com o Rubro-Negro acontece à tarde no Couto Pereira. Antes, o clube apresenta à imprensa o zagueiro Nenê e o atacante Léo, recém contratados.

Diretor provoca rival

Valquir Aureliano
Dietrich ironizou pesquisa.

Bastou passar a rodada de meio de semana e o Coritiba passar a respirar o clássico de domingo contra o maior rival para a provocação começar. Quem deu o ?pontapé inicial? foi o Alviverde, que contesta uma pesquisa divulgada esta semana mostrando o Atlético como o clube paranaense com maior número de adeptos, além de vencer em Curitiba até dos paulistas. Para o pessoal do Alto da Glória, no entanto, o que vale é o torcedor que acompanha seu time no estádio e aí quem manda é o Coxa, que vem nadando de braçada nos últimos anos mesmo tendo penado duas temporadas na Segundona.

?Torcida se mede na arquibancada. Enquanto tem clube que ganha pesquisa, o nosso quadro associativo só aumenta e a cada jogo no Couto Pereira a festa é mais bonita?, dispara Osvaldo Dietrich, assessor de marketing do Coritiba. Ele se refere a levantamento feito pelo Instituto Datafolha, que diz que o Rubro-Negro tem 7% da torcida de futebol no Estado do Paraná contra 6% do Coxa. Na verdade, como a margem de erro é de 2% para mais ou para menos, os dois clubes estão num empate técnico, mas acirra de qualquer jeito a rivalidade e os números iniciais do Campeonato Paranaense favorecem o Coritiba.

Em dois jogos no Couto, passaram pelas catracas 14.890 torcedores, o que dá uma média de 7.445, enquanto o Atlético levou 5.656 e o Paraná Clube conseguiu atrair apenas 5.180 simpatizantes em duas partidas. Ao mesmo tempo, o Coxa também comemora a grande procura de interessados em se associar. Todos os dias, o clube registra fila de adesões ao planos de sócios e a expectativa é do quadro chegar a dez mil até o final do Estadual.