Antônio Lopes orienta os
jogadores no treino de ontem.

Fernando; Jucemar, Danilo, Reginaldo Nascimento e Adriano; Pepo, Roberto Brum, Luís Carlos Capixaba e Éder; Luís Mário e Bruno. Este é o Coritiba que enfrenta amanhã o Rio Branco, às 16h, no Estádio Nelson Medrado Dias – e que muito provavelmente será a equipe para a estréia na Copa Libertadores, contra o Sporting Cristal, na próxima terça.

O técnico Antônio Lopes reconhece que a equipe não está pronta, mas que, no momento, é a melhor formação que o Coxa tem Lopes deixou claro que o pensamento dele é mexer em peças, mas não agora. “O time tem sua formação, mas é claro que faltam ainda alguns jogadores, como o Aristizábal, o Antônio (Esmerode) e, se possível, ainda um ou dois reforços”, comentou o treinador. “Realmente o time não está pronto, mas eu não vou ficar mexendo toda hora”, completou, reafirmando a posição em não alterar muito.

Ele só se viu forçado a mexer quando soube que Ataliba está com uma contratura muscular na coxa esquerda. “Ele precisa de um tempo para se recuperar. Apesar de não haver ruptura nas fibras, ele está com um edema muito grande no local”, explicou o médico Walmir Sampaio. Como o volante precisa de dez dias para se recuperar, é quase certo que Pepo, já confirmado para enfrentar o Rio Branco, jogue contra o Sporting Cristal.

Mas a prévia para o jogo de amanhã não foi das melhores, e quase levou Antônio Lopes à loucura. O coletivo de ontem mostrou uma equipe com dificuldades para sair nos contra-ataques, errando na defesa e abusando de toques refinados. “Não precisa tocar de ?chilena? (ou chaleira), Éder. Joga com simplicidade”, reclamou o treinador. “Eu tenho que cobrar dos atletas, porque a gente sempre busca o melhor. Essa é minha obrigação”, resumiu, na entrevista coletiva.

Quem mais sofreu foi Jucemar, que ouviu toda sorte de reclamações do técnico alviverde. “Corre, faz o contra-ataque!”, “Joga em velocidade!”, “Chuta” e “Vamos, Jucemar” eram ouvidos a toda hora no CT da Graciosa – para surpresa dos que acompanhavam o coletivo. Apesar disso, ninguém ficou chateado, e os jogadores até se divertiram no final do trabalho. “O importante é que estamos evoluindo, e que o Coritiba chegará na Libertadores em um bom nível”, finalizou Antônio Lopes.

Gol no Atletiba muda tudo pra Capixaba

Um gol e tudo muda. O meia Luís Carlos Capixaba reconhece que ainda está fora de forma, que não conseguiu render o que pode com a camisa do Coritiba. Mas foi só marcar o gol de empate no Atletiba que o jogador caiu de vez nas graças da torcida alviverde. O desafio dele é, a partir de agora, ganhar rapidamente mais ritmo de jogo, que o possibilite entrar na Copa Libertadores com melhor rendimento.

Capixaba foi pouco usado por Tite no São Caetano – o que explica, em parte, as dificuldades para encontrar a forma ideal. “É um início de temporada e é natural que os jogadores tenham problemas. Mas acho que estou evoluindo a cada partida”, comenta o armador. Na sua estréia (contra o Iraty), ele chegou a ser vaiado, mas cresceu de produção contra o Paraná e fez sua melhor atuação contra o Atlético.

E justo em uma partida especial. Primeiro, por ser um clássico – e ele não jogava partidas deste naipe desde que deixara o Bahia, há dois anos. Depois, pelo fato de ter negociado com o Atlético no início do ano e de as conversas não chegarem a um ponto comum. E, principalmente, porque enfrentaria o seu ex-treinador (no São Caetano) Mário Sérgio, admirador confesso de Capixaba.

Tanto que o treinador do Atlético pediu a Allan Bahia que não desgrudasse do armador alviverde. Mesmo assim, talvez tomado pela importância do jogo, Capixaba assumiu o controle das ações ofensivas do Cori, dando passes precisos para Laércio e Bruno – em um deles, deixou o “Pérola Negra” na cara do gol de Diego. “Mais importante que uma atuação minha é a melhora do time. Nós estamos crescendo”, diz o meia.

E se ele caiu sensivelmente de produção no segundo tempo (chegou a acertar a bola com a nuca em uma tentativa de cabeçada), Capixaba participou decisivamente do desfecho do jogo, chegando como se fosse um centroavante no cruzamento de Laércio. “Foi muito bom marcar o primeiro gol no Coritiba logo em um clássico”, confessa. “Ainda mais naquele momento, em que poucos acreditavam que iríamos empatar”.

Mais tranqüilo – e com o apoio da galera -, Capixaba agora parte para o desafio da Libertadores, que vem logo depois do jogo de amanhã contra o Rio Branco. “A gente tem que pensar primeiro no Rio Branco, mas também olhar para o que vem pela frente”, comenta o meia, que quer estar na ?ponta dos cascos? contra o Sporting Cristal. “É o início de um torneio importante para todo mundo. Quero estar bem para ajudar o Coritiba”, finaliza.

Alvo agora é um atacante

Robert não vem – pelo menos é o que garante a diretoria do Coritiba. Apesar da vontade do jogador em seguir para o Alto da Glória, as más passagens dele por Santos (em 2002) e Corinthians (no ano passado) foram determinantes para o veto da comissão técnica. Mas isso não significa que as contratações cessaram pelos lados do Alto da Glória. É provável que até sexta-feira um jogador – possivelmente um atacante – seja contratado.

Os movimentos da diretoria coxa são mais lentos. Com o mercado restrito, já que há poucos jogadores à disposição, está mais complicado contratar. “Nós estamos estudando muitas situações, até porque não adianta encher a prateleira. Não vamos trazer ninguém para ser mais um no elenco”, comentou o vice-presidente Domingos Moro.

Na avaliação da comissão técnica, Robert seria ?mais um?. O meio-campista, em entrevista à rádio CBN, demonstrou o desejo de jogar no Cori – e confirmou uma sondagem. “Alguns empresários falaram comigo e disseram que haveria o interesse do Coritiba. Mas não fui procurado oficialmente por ninguém”, disse. Se depender do comando coxa, nem será.

E como os meio-campistas de qualidade estão escasseando (e a diretoria rechaçou os nomes de Anaílson e Adriano, que foram oferecidos), há a possibilidade de um atacante chegar. Seria um jogador de referência, o que obrigaria Luís Mário a jogar no meio-campo. De toda forma, o ?sacrificado? seria Eder, que no entanto não reclama. “Acho que todos que vierem vão somar e isso é importante”, afirmou o armador.