Tuta chegou fora de forma
e acabou pagando com um bom
período no departamento médico.

O empate em 0x0 com a Ponte Preta foi o vigésimo-oitavo jogo do Coritiba em 2004. Nos últimos anos, é a temporada em que a equipe mais joga, o que acaba se refletindo no desgaste físico – e, conseqüentemente, na maior possibilidade de lesões. Até agora, o Coxa é o terceiro time do futebol brasileiro com mais partidas no ano, perdendo apenas para Cruzeiro e São Caetano.

O diferencial do time mineiro foi a fórmula do campeonato mineiro, que contava com uma fase de todos contra todos – no total, o Cruzeiro, campeão estadual, jogou 17 vezes. Somando a participação na Libertadores, os comandados agora por Emerson Leão já entraram em campo em 31 oportunidades. O Azulão (29 jogos), em contrapartida, aumentou seu número com a repescagem do torneio continental.

E o Cori só não teve uma maratona maior porque foi eliminado da Libertadores. Dessa forma, disputou apenas seis partidas, que somadas às dezesseis do paranaense e às seis do brasileiro, chegam ao total de 28. Santos e São Paulo, que seguem no torneio, fizeram respectivamente 27 e 25 jogos em 2004.

E dois detalhes, um técnico e um empírico, servem para ajudar a entender o desgaste coxa na temporada. “Houve meses, como abril, em que jogamos demasiadamente, quase sempre em campos pesados. E ainda enfrentamos uma série de jogos decisivos, que têm uma carga emocional muito grande”, explica o coordenador de preparação física do clube, José Afonso de Araújo Moura.

Esta é a primeira visão, a mais clara para os olhos dos leigos. Mas o fato dos atletas coxas estarem desacostumados com torneios internacionais, e por isso terem enfrentado um desgaste psíquico grande (que se reflete diretamente na parte física), também pode ter pesado. “Não há como medir isso, mas é uma possibilidade plausível”, admite o preparador físico Manoel dos Santos.

Para completar, os três jogadores com maior bagagem no elenco (Aristizábal, Tuta e Luís Mário) não chegaram em forma. “O Ari vinha de cirurgia, o Tuta estava parado há quase quatro meses e o Luís estava na Coréia, e não sabemos como se trabalha por lá. Por isso, havia um risco maior com esses jogadores”, reconhece o médico Walmir Sampaio.

Clube pode disputar 80 partidas

Nos últimos anos, o Coritiba vem disputando ‘poucos’ jogos. A única temporada em que a equipe passou de setenta jogos foi em 2001 (foram 71), quando disputou Copa do Brasil e Copa dos Campeões até as fases finais. Em 2003, jogando apenas Paranaense e Brasileiro (foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil), o Coxa jogou 61 vezes.

A média deste ano é maior quando se vê que o período de jogos começou em 21 de janeiro. Contando com a partida de sábado (dia 22) contra o Atlético-MG, o Cori terá jogado 29 vezes em quatro meses e um dia. Portanto, são sete jogos por período de trinta dias, praticamente uma partida a cada quatro dias. “É uma carga muito forte, ainda mais em campos pesados e jogos com chuva”, lembra o coordenador José Afonso.

E, se agora os jogos são apenas aos finais de semana, a partir de julho recomeça a maratona. Por causa da Copa América, as partidas do Brasileiro serão às terças e aos sábados, e em agosto o Cori entra na Copa Sul-Americana, enfrentando o São Caetano. Com os jogos garantidos (dois no torneio continental e os quarenta que faltam no Brasileiro), o Coxa disputará no mínimo 70 partidas em 2004. Seguindo na Sul-Americana, o número pode chegar a oitenta.

Preparadores atacam em três frentes de trabalho

Normalmente, o trabalho dos preparadores físicos em um clube consiste em deixar todos os atletas em condições iguais (e boas) para atuar. Mas o Coritiba vive um momento diferente: como há três grupos distintos de jogadores, a intenção dos fisicultores é individualizar ao máximo os trabalhos, para tentar aproximar todos da forma ideal.

O primeiro grupo é o dos que sempre estão jogando, e que acabam sofrendo a carga física e emocional mais forte. Para essa turma, o primeiro passo foi reduzir os treinos semanais. “O professor Lopes percebeu que a gente estava desgastado e tomou essa iniciativa”, conta o capitão Reginaldo Nascimento.

Para os titulares, a idéia é aumentar o período de descanso e aprofundar o trabalho específico. “Quem acompanha os treino vê que o Luís Mário é o jogador que faz o trabalho mais individualizado. Nossa intenção é deixá-lo inteiro, e resistente à seqüência de jogos”, explica o fisiologista Rodrigo Camargo.

A segunda ‘patota’ é a dos que ficam mais no banco de reservas – por ficarem concentrados e não jogarem, acabam treinando menos. “Estes sempre realizam, no dia seguinte aos jogos, um coletivo com o time júnior, para tentarmos colocá-los no nível de atividade mais próximo ao de um jogo”, diz José Afonso Moura.

Fechando, há o pessoal que pouco aparece nas listas de concentração. Eles sempre ficam em Curitiba, e mesmo em dias de jogos eles treinam. Com isso, estão em forma, mas não têm ritmo de jogo. “A gente tem que deixar esse pessoal sempre preparado, porque eles podem acabar participando de alguma partida”, resume o preparador físico Manoel dos Santos.

Aleluia. Três machucados podem voltar no Sábado

Parece que desta vez vai. O Coritiba deve contar com os retornos de Tuta, Adriano e Luís Mário na partida deste sábado contra o Atlético-MG, no Alto da Glória. O técnico Antônio Lopes não esconde a expectativa em ter três dos seus jogadores mais importantes de volta após longo tempo – Tuta e Luís não jogam desde a partida contra o Internacional, e Adriano nem jogou no Campeonato Brasileiro.

Para o departamento médico, os jogadores estão liberados. “De nossa parte, eles estão clinicamente recuperados”, resume Walmir Sampaio. Na semana passada, Tuta até poderia enfrentar a Ponte Preta, mas os médicos afirmaram ser um ‘risco’ a entrada dele. Agora, esta preocupação não existe mais. “Todos os exames e testes foram realizados e não há qualquer deficiência”, garante o médico alviverde.

Os jogadores estão animados. “Pode ter certeza que nós vamos estar em campo”, avisa Luís Mário, que reconhece que ele e seus companheiros fazem falta ao Cori. “Nós temos qualidades. O Tuta é um jogador decisivo, que faz a diferença. E do Adriano eu nem preciso falar, ele joga muito”, elogia.

Para Antônio Lopes, o acréscimo de qualidade é imenso. “Nós ganhamos muito, principalmente no ataque, pois o Adriano também é um jogador ofensivo. Com os três, nós ficamos mais fortes em um momento importante da competição”, afirma o treinador coxa, que confirmou a permanência de Danilo e Igor no time titular.