Coritiba dominou o jogo e foi premiado com vitória

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. O ditado popular coube como uma luva para definir a vitória por 2 a 0 do Coritiba em cima do Paraná, ontem à tarde, no Couto Pereira, que galgou o Coxa ao 8.º lugar da tabela. Necessitando dos três pontos para aumentar as chances de classificação à próxima fase, o Aliverde partiu para cima desde o início do jogo. Já o Tricolor, para qual um empate na casa do adversário deixava a equipe mais tranqüila na luta contra o rebaixamento, soube se fechar, mas caiu no finalzinho do jogo.

Com liberdade no meio-de-campo e com Tcheco em tarde inspirada, o Coritiba começou a dar o ritmo do jogo já nos primeiros minutos. A primeira chance veio aos 12 minutos, com uma carimbada de Marcel na trave esquerda de Marcos. Sentindo a volúpia coxa-branca, o Paraná começou a marcar firme no meio e limitar os ataques a contragolpes, quando as investidas alviverdes eram infrutíferas. Com essa tática, o Paraná até conseguiu equilibrar o jogo no primeiro tempo, mas a partida ficou acentuada na marcação. “O jogo está truencado, com muita disputa”, comentou Maurílio no intervalo. Para o goleiro Fernando, o Coritiba estava sensivelmente melhor. “Tivemos mais chances e isso é um bom sinal”.

As palavras de Fernando valeram como um presságio. O Coritiba voltou com o intuito de atacar pelos flancos, já que a marcação central do Paraná era implacável. Com isso, quem começou a se destacar foi o lateral-direito Araújo, cruzando com perfeição. Mas quando não eram os coxa que não paroveitavam – Marcel perdeu gol feito aos 9 minutos, furando a bola na área – era o goleiro Marcos quem mantinha o marcador zerado, com lindas defesas. Tentando amenizar a pressão alviverde, o técnico Caio Júnior sacou o meia Alexandre e escalou o lépido Waldir, forçando um leve recuo de Maurílio.

A ação pouco adiantou, pois minutos depois Paulo Afonso Bonamigo entrou com o antídoto: o rápido Jabá, solicitado desde o começo do primeiro tempo pelo torcedor.

No entanto, quem abriu o placar foi Tcheco, que recebeu um passe em uma cobrança de falta, aos 40 minutos. A falta foi cometida em Lima por Cristiano Ávalos, que foi para o chuveiro mais cedo. O chute passou como foguete e morreu no canto esquerdo de Marcos, que nada pôde fazer. O gol e a vantagem de homens em campo fizeram o Coritiba partir para frente. E no último minuto de jogo, Jabá justificou a sua entrada no time. Após cruzamento preciso de Lucio Flávio, ele bateu de primeira, sacramentando o placar em 2 a 0. Agora, o Coxa aposta tudo na partida contra o Figueirense, na quarta-feira, no Couto Pereira. Já o Paraná tem no jogo contra o Grêmio, na quinta, em Curitiba, a chance de se livrar em definitivo do descenso.

Herói do jogo visto pelo Barcelona

Gisele Rech

A tarde de ontem dificilmente será esquecida pelo meia Tcheco. Autor do gol que abriu o caminho da vitória – um petardo de fora da área – o jogador sentiu na pele a coroação do trabalho que vem realizando no Coritiba, justamente contra o time que o revelou, o Paraná Clube.

Foram dez anos defendendo o Tricolor, entre futsal e futebol de campo. Mas a história teve uma ponto final em 98, quando o time da Vila abriu mão do jogador. “Hoje, quando olhei para a torcida do Paraná após o gol e a vi em silêncio, lembrei do dia em que me despedi da Vila Olímpica, quando olhei para trás e vi minha história encerrada”, relembrou.

No entanto, Tcheco garante que não sentiu gosto de vingança. “São coisas que acontecem no futebol”. Depois de deixar o Tricolor, o meia foi acolhido no Malutrom, onde conquistou a braçadeira de capitão e de onde surgiu a oportunidade de defender o Coritiba, em um empréstimo feito pelo presidente de honra do Malita, Joel Malucelli, que também já presidiu o Coxa. “Era a oportunidade que esperava. Aos poucos, fui galgando os degraus e conquistando meu espaço. Agora é continuar lutando para levar o time à classificação”. Prestigiado, Tcheco foi alvo de olhos de um dirigente do Barcelona e outro do futebol suéco, que acompanhavam Malucelli durante o jogo. “Estão de olho nele e em outros jogadores do Malutrom. Já fomos consultados sobre Íverton, Gustavo e Calmon, que podem partir para o estrangeiro”.

Mas a alegria de Tcheco só não foi completa porque ele tomou o terceiro cartão amarelo no clássico e está fora do jogo contra o Figueirense, na quarta. Bonamigo também perdeu, por suspensão, o lateral-esquerdo Adriano e por contusão o zagueiro Pícoli.

Paraná Clube

A derrota frente ao Coritiba não tirou o otimismo do Paraná Clube. Ciente de que seu time esteve bem em campo, o técnico Caio Júnior comemorou o fato de ainda ter pela frente dois compromissos, contra o Grêmio, na quinta, e contra Figueirense no domingo. “Ainda dependemos de nós. E temos um compromisso com a torcida: permanecer na elite”, lembrou o treinador. “Estamos numa guerra e é tiro para todo o lado. Mas vamos sobreviver”.

Para Caio, o que prevaleceu foi a estrela de alguns atletas alviverdes. “Em clássicos equilibrados como esse, geralmente é o brilho individual que resolve. Nós não tivemos esse algo a mais hoje (ontem)”, lamentou. Para o próximo compromisso, o Paraná não poderá contar com Cristiano Ávalos, expulso, nem com Goiano e Roberto, que levaram o terceiro amarelo.

Arbitragem quase perfeita

Uma arbitragem próxima da perfeição. Erros foram escassos, em situações de jogo e que não influenciaram o resultado do clássico. Assim foi o desempenho do trio de arbitragem formado por Héber Roberto Lopes, que teve como assistentes Roberto Braatz e Gilson Bento Coutinho.

Logo aos 5′ de bola rolando Héber mostrou o primeiro cartão amarelo. Fabinho recebeu falta normal, mas levantou já esbravejando, de dedo em riste para cima do apitador, que não teve dúvida: tirou o amarelo do bolso e mostrou ao lateral paranista, num recado claro que as decisões sobre disciplina eram de sua responsabilidade.

Assim seguiu a partida, com Héber acompanhando os lances de perto, e tomando cuidado de aplicar cartões sempre que necessário. Foi assim com Émerson, Adriano, Cristiano Ávalos e Goiano, durante o primeiro tempo.

Apesar das reclamações de torcedores apaixonados das duas equipes, o jogo seguiu para o segundo tempo sem alterações no equilíbrio apresentado por Héber, Braatz e Coutinho. Com exceção dos momentos nos quais o árbitro se posicionou de maneira equivocada – foram duas as situações -, impedindo o andamento normal das jogadas com a bola tocando em seu corpo, Héber seguiu comandando de forma soberana a partida. Foi assim quando Roberto Brum saiu para dividir a bola com Valdir, de forma irresponsável, atingiu o adversário e Héber parou a jogada para mostrar-lhe o amarelo. Tcheco, um dos destaques da partida, se revoltou com a “multa’ imposta pelo apitador e reclamou. Na hora Héber apresentou-lhe um amarelo, novamente para mostrar quem mandava na partida.

Logo depois, quando Adriano partia livre pela esquerda, e foi barrado com falta por trás pelo zagueiro Roberto, Héber mostrou o amarelo para o tricolor, repetindo a dose com Cristiano Ávalos que, como já havia recebido um amarelo por lance parecido, ainda no primeiro tempo, foi expulso pelo árbitro.

Embora as reclamações possam acontecer por parte das duas equipes (mais pelo lado Tricolor), o desempenho de Héber esteve bem próximo da perfeição e, a cada rodada, ele merece cada vez mais uma promoção para ser árbitro Fifa.

São Pedro ajuda a PM

São Pedro não teve pena de alviverdes e tricolores. Pouco antes do meio dia de ontem, o céu de Curitiba ficou negro e recheado de núvens carregadas de água. Não demorou muito para que a chuva torrencial afastasse a maioria daqueles torcedores, que só se definem por acompanhar a partida no estádio horas antes de a bola rolar.

Sem grandes aglomerações, as bilheterias mais pareciam estar recebendo um jogo do deficitário Campeonato Paranaense, ao invés de um clássico entre Coritiba e Paraná, válido pelo Brasileiro. A chuva foi, provavelmente, o motivo de o confronto ter sido acompanhado por pouco mais de oito mil pessoas (8.460 pagaram ingresso ontem no Couto Pereira). A chuva, que começou pouco antes do meio-dia, mas se estendeu até o fim do primeiro tempo do jogo, foi motivo de festa para o policiamento que trabalhou no clássico.

Poucas foram as ocorrências registradas até o início da noite de ontem, ligadas à movimentação em torno do clássico e seu resultado.

Difícil mesmo foi para o capitão Ulisses Donadello. No fim da partida, posicionado na saída à direita das sociais, ele e dois de seus comandados tentavam impedir que os torcedores que deixavam o setor se aproximassem da mureta para xingar os paranistas.

Mais de cinco minutos de sufoco, com direito a uma discussão com um torcedor mais exaltado, que o questionou se havia gostado do resultado da partida. Sem uma resposta esperada, ainda foi mal-educado com o oficial.

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