Liédson e Leandro são os “matadores”.

Mesmo classificado para as oitavas-de-final da Libertadores e com o primeiro lugar do grupo 8 assegurado, o Corinthians vai enfrentar o The Strongest, hoje convencido de que deve jogar como se dependesse do resultado. Para o técnico Geninho, o time não pode relaxar. Foi por essa razão que ele desistiu da idéia de poupar a grande maioria dos titulares na altitude (3.600 metros) da capital boliviana -só o meia Jorge Wágner e o atacante Gil foram poupados da viagem, além é claro dos contudidos (Kléber, Capone, Vampeta e Lucas).

A decisão de Geninho contrariou alguns jogadores que apostavam numa folga, mas não houve nenhuma reclamação. O grupo se rendeu aos argumentos de seu treinador. “Seria muito arriscado ir com um time misto e voltar de lá com um resultado desmoralizante, que poderia nos comprometer moralmente na sequência da competição. Além disso, ninguém pode garantir que não teremos de voltar a La Paz nessa mesma Libertadores. Entre outras coisas, o jogo funcionará como laboratório para nós”, observa o técnico.

Geninho não confirmou quem vai substituir Jorge Wágner e Gil, mas abriu uma grande perspectiva de mudar o esquema tático. A hipótese de jogar com três volantes seduz o treinador, que chegou a admitir: “Contra o Fênix, em Montevidéu, joguei com três volantes e ganhei o jogo. Contra o Cruz Azul, no México, não joguei assim e perdi. É um caso para se pensar.”

O grande drama do técnico, no entanto, é que só sobraram 19 jogadores para a viagem. Sem Capone, que poderia jogar como volante, Geninho pode optar por alguém com as mesmas características no setor ou quem sabe até mexer um pouco mais atrás, jogando com três zagueiros – Fábio Luciano, Ânderson e César. “Qualquer que seja a alternativa, o Corinthians vai esquecer que já está classificado e que é o primeiro do grupo 8. Não passa pela nossa cabeça escolher adversário nas oitavas-de-final”, diz o treinador corintiano.

Apesar das dificuldades que o time deve enfrentar na altitude, Geninho lembrou que o maior adversário do Corinthians é o The Strongest. Em La Paz os bolivianos tem alcançado um índice muito alto de vitória, especialmente contra equipes que vêm do nível do mar. A idéia do técnico é fazer a sua equipe cadenciar o jogo fazer a bola correr.

“Mais do que nunca o toque de bola será importante. No entanto, é preciso considerar que a bola corre muito mais a 3.600 metros de altitude.”

Um dos mais interessados na reação diferenciada da bola na altitude é o goleiro Doni. Para o goleiro a atenção tem de ser redobrada. “Às vezes, um chute que parece inofensivo, acaba surpreendendo o goleiro. A bola cai de repente. Toda atenção é pouca. Além disso, para quem chuta a distância não chega a ser um problema. A bola sai com mais força, mesmo estando longe do gol. E chega rápido”.

Ficha Técnica

Corinthians: Doni, Rogério, Fábio Luciano, Ânderson e Moreno (Roger), Fabinho, Fabrício, Pingo (Renato) e Fumagalli; Leandro e Liédson. Técnico: Geninho. The Strongest: Mauricio Soria; Miguel Martos, Eduardo Jiguchi, Marcelo Carballo e René Rivera; Diego Villalba, Luis Héctor Cristaldo, Sandro Coelho e Iván Castillo: Rubén Gigena (Diego Cabrera) e Froylán Ledezma. Técnico: Luis Orozco. Árbitro: Epifânio Gonzalez (Paraguai). Local: La Paz (21h40).