São Paulo – Depois de anunciar a contratação de Javier Mascherano, do River Plate, nas próximas 24 horas a MSI deve confirmar oficialmente mais um reforço para o Corinthians: o meia Roger, do Benfica. O jogador prometeu chegar ao Brasil hoje pela manhã para fazer exames médicos e assinar contrato por cinco anos com seu novo clube.

O negócio ainda não foi anunciado oficialmente pela MSI porque a empresa quer ter absoluta certeza de que não haverá nenhum empecilho que impeça a contratação. O episódio Kléberson ainda está bem fresco na memória dos corintianos que participaram da negociação. O volante do Manchester United e seus procuradores tinham acertado tudo com o Corinthians, mas na última hora seus representantes resolveram pedir 40% a mais do que havia sido combinado. E o negócio quase foi por água abaixo. Hoje, depois de rever suas pretensões, Kléberson é outro reforço que pode ser anunciado nas próximas horas.

No caso de Roger, porém, não há o que errar. Depois que o jogador aceitou receber em reais e dentro do teto financeiro estabelecido pela MSI, de R$ 150 mil livres, fora as luvas, a contratação ficou apenas na dependência dos exames médicos de praxe e da assinatura do atleta.

Com o Benfica – que endureceu bastante a negociação – o negócio foi resolvido na segunda-feira à noite, por intermédio do empresário Giuliano Bertolucci. O clube português exigiu 3 milhões de euros mas a MSI só concordava em pagar US$ 3 milhões. No último encontro, segunda-feira, Kia Jorabchian autorizou o pagamento da diferença e Roger foi liberado para jogar no Corinthians.

Roger foi o primeiro jogador indicado pelo técnico Tite, no final de 2004. O técnico sempre foi fã do meia, que não chega a ser um armador com as características de um Ricardinho ou de um Alex, mas pode organizar o meio-de-campo corintiano e dar criatividade ao ataque. Há dois meses, a MSI tentou contratá-lo por empréstimo. Porém, o Benfica só admitia conversar se fosse para negociá-lo em definitivio.

Quando os executivos dos dois clubes voltaram a conversar, o preço era de US$ 2 milhões. Só que na mesma época a MSI pagou US$ 22,5 milhões por Carlitos Tevez. Aí, o Benfica passou a entender que US$ 2 milhões era um preço muito abaixo perto do que Roger valia. Resolveu aumentar para 3 milhões de euros, o que fez o Corinthians a desistir do negócio.

Riquelme, meia do Barcelona que atua pelo Villarreal, da Espanha, chegou a ser oferecido ao Corinthians, mas o negócio não evoluiu porque Kia queria a todo custo trazer Mascherano para o Parque São Jorge, o que inviabilizou a contratação de Riquelme, já que a legislação brasileira só permite três estrangeiros em cada clube.

Como o desempenho corintiano no começo da temporada também não agradou, mesmo tendo Tevez no ataque, só restou à MSI voltar a negociar com o Benfica. Inicialmente, ofereceu US$ 3 milhões. Como o Benfica não aceitou, na segunda-feira a MSI resolveu bancar os 3 milhões de euros e assegurou a vinda de Roger.

O negócio também já foi confirmado pelo jornal A Bola, de Portugal. O jogador embarcou às pressas para o Brasil porque o Corinthians quer inscrevê-lo no campeonato paulista, junto com Gustavo Nery, que também deve chegar entre amanhã e sexta. A pressa do Corinthians tem uma explicação: amanhã termina o prazo de inscrição no campeonato paulista.

Mascherano e Tevez se encontram

Buenos Aires – "A promessa argentina da década." Esta é a expressão que diversos analistas esportivos argentinos utilizam para referir-se ao jovem Javier Mascherano. Mas, este jogador de apenas 20 anos teve sua real consagração quando há poucos meses o polêmico monstro sagrado do futebol deste país, Diego Armando Maradona, pontificou com o dedo em riste: "De todos os jogadores que apareceram nos últimos tempos aquele que mais me impressiona é Javier Mascherano. O cara é uma fera. Ele foi feito para grandes coisas".

Os "maradonólogos" sabem que "El Diez" não costuma distribuir elogios à toa. Ao contrário. Maradona, quando emite opiniões sobre outros colegas de ramo, em geral costuma ser ferino e ácido. Motivos para a apologia emitida pelo "El Pibe de Oro" existiriam de sobra: no último ano e meio Mascherano acumulou triunfos no Pré-Olímpico de 2004, nas Olimpíadas de Atenas e o segundo lugar na Copa América realizada no Peru no segundo semestre.

Com todo esse currículo, ele é um dos poucos jogadores que já podem considerar-se com lugar garantido na seleção argentina que será enviada à Copa da Alemanha de 2006. Apesar de ter somente 20 anos, os analistas afirmam que ele possui "perfil de veterano".

Ex-líder das seleções sub-17 e sub-20, e atual meio-campista do River Plate, Mascherano – nascido na cidadezinha de San Lorenzo (cenário de uma das mais decisivas batalhas da guerra da independência argentina), na província de Santa Fé – é um dos ídolos da torcida do River e da seleção nacional, embora tenha adquirido fama há muito pouco tempo.

Curiosamente, com esta última possui mais vínculos do que com o próprio time onde joga, já que acumula mais jogos disputados ostentando a camiseta de listas azuis e brancas do que com a da faixa diagonal vermelha. O próprio técnico do River, Leonardo Astrada, tampouco poupa elogios. "Ele é um fenômeno. Foi o melhor jogador na Copa América. E em breve será uma figura de magnitude mundial."

Os analistas comparam Mascherano a "um jipe", já que possui a capacidade de trafegar com agilidade por qualquer terreno. Com 1,78 de altura (medidas acima da média para os costumeiramente baixos jogadores argentinos), a jovem revelação é considerada um "excelente líder" dentro do campo pelos colunistas esportivos. Os torcedores o consideram maduro na relação com os colegas, discreto em sua vida pessoal, humilde e ponderado, ao contrário de amigos seus, como o turbulento Carlos Tevez.

No Brasil

Mascherano foi adquirido nesta semana pelo Corinthians. Ele desembarcará em São Paulo no meio do ano, época em que estará completando seu 21.º aniversário, no dia 8 de junho. Ali, fará companhia a seu amigo Tevez. Recentemente, declarou que estava entusiasmado com a possibilidade de mudar-se para São Paulo.

No entanto, sobre a seleção brasileira possui uma posição dura. No início do ano passado, logo após vencer o pré-olímpico, declarou que era uma "satisfação" que o Brasil ficasse de fora da disputa em Atenas.

"Eu quero que o Brasil sempre fique fora", disparou.