São Paulo (AE) – O goleiro Helton defende a bola, toca para Cicinho, o lateral-direito avança, tabela com o volante Kleberson e cruza na área. Lá, o atacante Vágner Love mata no peito e fuzila o gol adversário.

Os companheiros de time Léo, Robinho, Riquelme e Luís Fabiano abraçam o atacante, na comemoração de mais um gol do supertime corintiano que, apesar de prometido com alarde pelo iraniano Kia Joorabchian, nunca foi montado pela MSI.

Com a chegada do técnico argentino Daniel Passarella, em março, ganharam prestígio os reforços trazidos a peso de ouro e também chamados de galácticos: mais nome que futebol, mais marketing que tudo. Excluindo jogadores como Carlos Tevez, ex-Boca Juniors, e Roger, que estava no Benfica, os contratados foram supervalorizados.

Os craques esperados não vieram. Mas apareceram os maus resultados, com a perda do campeonato paulista e a eliminação na Copa do Brasil diante do Figueirense ainda nas oitavas-de-final. E se deu a seqüência: fiascos seguidos, queda do treinador e ressurgimento dos pratas da casa.

No começo do ano, o torcedor armou o ataque ideal com Vágner Love e Robinho, os dois prometidos pela MSI. O primeiro até hoje negocia, seis meses de uma novela chata e cansativa; o segundo, recusou de primeira a transferência. Não veio nenhum deles, chegou Tevez, menos mal. Faltando alguém para fazer dupla com o argentino, falou-se em um caminhão de reforços – alguns, podem ser creditados às especulações da imprensa, mas boa parte dos nomes saiu da boca de dirigentes do clube ou do fundo. Eis a lista: França, Liédson, Luís Fabiano, Fernandão…

Com a chegada de Javier Mascherano, ex-River Plate, a MSI completa nove contratações. Entre as quais, três meias. Roger e Carlos Alberto para funções parecidas e Hugo, obscuro personagem que um dia foi anunciado no Parque São Jorge. Falta um centroavante, atacante de área, desde o ano passado. Tite já reclamava disso, mas nenhum atleta com tais características chegou.

Kia se gaba de conhecer a fundo o futebol mundial, cita escalações completas de cabeça, porém, engana-se ao apostar em certos nomes. O zagueiro Sebá, por exemplo, foi apresentado como "o maior defensor do futebol argentino e um dos melhores do mundo". Chegou, logo foi questionado e não conseguiu se firmar. Hoje está machucado, dando lugar a outro galáctico, Marinho, mais um que não consegue repetir as atuações do ano passado, quando atuava pelo Atlético Paranaense.

Ou o iraniano não entende de futebol ou faz de tudo para valorizar seus investimentos. Para ele, Tevez era "um dos grandes atacantes do mundo" e Passarela, "um dos cinco melhores técnicos da América Latina".

Talentos duvidosos na mão de um treinador que certamente o iraniano nunca antes havia ouvido o nome: Márcio Bittencourt. E lembrar que o presidente da MSI fechou um pré-contrato com Vanderlei Luxemburgo e fez propostas a Felipão, Carlos Bianchi e Leão.