As crianças russas e os argentinos que conseguiram ingresso para o treino da seleção argentina em Bronnitsi (55 km de Moscou), nesta segunda (11), esperavam por Messi. Ele foi o único a ter o nome gritado por alguns torcedores. Ao lado de Mascherano e Dybala, foi quem parou para dar autógrafos antes de se recolher ao hotel.

Maximiliano Meza, 26, entrou em campo ignorado e saiu também sem ser notado. Trocou algumas palavras com Federico Fazio após este cortar um cruzamento que Messi tocaria para o gol. O único instante que os torcedores perceberam sua presença porque ele daria passe para o camisa 10 marcar. Não ter acontecido arrancou um discreto som de lamento do público.

Os torcedores podem não conhecer o meia do Independiente (ARG), mas quando Sampaoli apresentar a lista dos 11 titulares para enfrentar a Islândia no sábado (16), seu nome estará escrito no papel.

“Ele teve apenas uma chance e mostrou muito. Fez por merecer [a convocação]”, disse o próprio Lionel Messi.

A Meza, não importa que ninguém tenha viajado a Rússia para vê-lo. Nos treinos na pequena Bronnitsi (21 mil habitantes) ele apenas quer não estragar uma ascensão meteórica. Garantiu-se no Mundial apesar de ter apenas um jogo pela seleção. E nesta partida, a Argentina perdeu por 6 a 1 para a Espanha, em Madri, em março deste ano. Foi também sua primeira convocação.

“Ele já era conhecido na Argentina e logo o mundo todo saberá quem ele é. No Brasil já o conhecem”, disse o pai do jogador, Eduardo Meza.

Foi de Maximiliano o gol que deu ao Independiente o gol do título da Copa Sul-Americana no ano passado, contra o Flamengo, no Maracanã. Uma partida que ele disse ter sido a maior alegria de sua vida até o dia em que foi relacionado para a Copa do Mundo na Rússia.

Eduardo foi também jogador, mas passou a carreira no Club Campá Porá, equipe amadora da cidade natal do filho, Caá Cati, sete mil habitantes, na província de Corrientes, quase na divisa do Paraguai. E fica aliviado porque pelo menos agora não precisa insistir com o filho de que ele tem de persistir na carreira de futebolista. Mais de uma vez, Maximiliano esteve a ponto de desistir.

“Eu não tinha tanta certeza assim de que seria ser jogador”, confessa o meia-atacante que se tornou em muito pouco tempo um dos jogadores de confiança de Sampaoli e ganhou a posição após o corte de Manuel Lanzini na semana passada por haver lesionado o joelho direito.

Por não ter essa confiança toda, recusou a chance de ir para a capital do país aos 16 anos jogar nas categorias de base do River Plate, um dos maiores times do país. O pai lhe disse que valia a pena viajar para La Plata, na província de Buenos Aires, aceitar convite do Gimnasia La Plata. Receberia hospedagem em uma pensão. Pensou em parar com aquilo porque não jogava. Foi convencido a ficar.

No ano seguinte, avisado de que seria chamado para a pré-temporada do elenco profissional, gastou todas as suas economias em uma chuteira nova. No dia do embarque, descobriu que não havia lugar para ele no ônibus. Teve de ficar na pensão por uma semana, chorando. Avisou ao pai que ia embora. De novo Eduardo teve de entrar em ação.

“Na semana da convocação, nem eu nem minha família viu TV”, confessa Maximiliano Meza, comentando a tensão que viveu antes de o treinador divulgar a lista. Ligou para o pai em seguida.

A maior lição que tirou da experiência na seleção agora lhe foi dada por Messi. No vestiário do estádio Santiago Bernabéu, o atacante, que não jogava por causa de desgaste muscular, foi ao vestiário e assumiu o papel de técnico para falar com os companheiros.

“Você”, disse Lionel, apontando para Meza, “continue a fazer exatamente o que vem fazendo.”

É uma recomendação que segue à risca. Pouco importa que em Bronnitsi, onde a Argentina sonha com acabar com o jejum de 32 anos sem títulos mundiais, ninguém saiba quem ele é.