Todo o discurso da Argentina era que Lionel Messi estava concentrado, pronto para a Copa do Mundo. Jorge Sampaoli disse que ser desafio era conseguir rodear o camisa 10 com as melhores opções possíveis para desenvolver todo seu potencial. Nada disso foi visto neste sábado (16), no Spartak Stadium, em Moscou.

Messi pareceu desinteressado e perdido. Perdeu um pênalti. Seus companheiros não conseguiram superar a organizada Islândia e empataram em 1 a 1.

Durante o primeiro tempo, o principal jogador da Argentina começou como atacante, recuou para a meia, veio buscar bola na defesa e se deslocou pelo lado direito do ataque. Sempre para tentar encontrar um espaço. Não achou. A Islândia buscava a opção do meia Sigurdsson e explorar as jogadas laterais, para sempre cruzar na área. Quase abriu o placar em uma saída errada de bola de Marcos Rojo, que Bjarnasson chutou para fora.

Sampaoli já sabia que o adversário colocaria todos os jogadores atrás da linha de bola. Cada lateral ofensivo era uma bola erguida na área.

No único lance trabalhado que deu certo para a Argentina antes do intervalo, Sergio Aguero fez 1 a 0. Foi o primeiro gol dele em Copas do Mundo. Ele já havia participado dos torneios em 2010 e 2014.

Era o momento em que a Argentina poderia se assentar em campo e esperar para ver o que a Islândia faria. Tudo o que o treinador planejou. Não houve tempo para isso porque a zaga apresentou os mesmos problemas mostrados desde o Mundial no Brasil, em 2014. A bola cruzou duas vezes a área antes de Finnbogason completar para a rede após rebote de Caballero.

A Islândia voltou ao seu esquema de se fechar, fazer lançamentos em velocidade e buscar as jogadas aéreas. E soube fazer isso com precisão, especialmente marcar. O mesmo sistema defensivo que já havia surpreendido Portugal e Inglaterra na Eurocopa de 2016 irritou a Argentina.

O que Sampaoli disse para os jogadores no intervalo foi como um sonífero. O time voltou do vestiário lento e sem criatividade. Nenhum argentino tentava jogadas individuais. Com o capitão Gunnarson como cão de guarda no meio-campo e Hallfredsson cada vez mais confortável em campo, era a Islândia quem ameaçava. Até que o árbitro polonês Szymon Masrciniak deu pênalti duvidoso sobre Tagliafico. Era a chance para Messi começar a Copa de 2018 da mesma forma que em 2014: com gols. Bateu fraco e perdeu.

A partir dali, ele pareceu ter acordado em campo. Chamou o jogo, tentou infiltrações e dribles que não haviam lhe ocorrido nos 62 minutos anteriores. A torcida queria a entrada de Pavón e esta aconteceu. Sampaoli até colocou Higuaín em campo para ter um homem de referência na área. Imutável, sólida e perigosa quando conseguia sair para o jogo, a Islândia segurou o resultado sem passar grande sufoco depois do pênalti perdido.

Na próxima quinta (21), a Argentina enfrenta a Croácia em Nizhny Novgorod. No dia seguinte, a Islândia joga contra a Nigéria em Volgorado.

ARGENTINA

Caballero; Sálvio, Otamendi, Rojo e Tagliafico; Mascherano e Biglia (Banega); Meza (Higuaín), Messi e Di María (Pavón); Agüero.

T.: Jorge Sampaoli.

ISLÂNDIA

Halldorson; Saversson, R. Sigurdsson, Árnason e Magnússon; J. Gudmunsson e Bjarnason; G. Sigurdsson, Gunnarson (Skulason) e Hallfredsson; Finnbogarson.

T.: Heimir Hallgrimsson.

Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)

Assistentes: Pawel Sokolnicki e Tomasz Listkiewicz (ambos da Polônia)

Cartões Amarelos: Bjarnason (Islândia)

Gols: Agüero (ARG), aos 19min do primeiro tempo, e Finnbogarson (ISL), aos 22min do primeiro tempo.