Jogos de Copa do Mundo usualmente são apenas isso, partidas de futebol em níveis variáveis. Mas algumas ecoam conflitos, atuais ou antigos, como é o caso do embate desta quarta (20) entre Portugal e Marrocos, que ocorrerá às 9h (horário de Brasília) no estádio Lujniki, em Moscou.

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Os dois países se enfrentaram de forma menos figurativa na famosa batalha de Alcácer Quibir, em 1578. Uma escaramuça que levou aproximadamente quatro horas marcou para sempre a história portuguesa, sendo definidora de vários traços de sua identidade nacional.

Alcácer Quibir é o nome português de uma localidade no norte de Marrocos, Ksar el-Kibir. O rei português dom Sebastião 1º estava preocupado com a infiltração de forças do Império Otomano no norte da África, especialmente no Marrocos, de onde navios poderiam ameaçar as rotas comerciais entre Lisboa e suas colônias, como o Brasil.

Embora houvesse um tom de cautela na corte, dom Sebastião acabou levado à guerra quando Abu Abdallah Mohammed 2º o procurou. Sultão deposto pelo seu tio, Abd al-Malik 1º, ele queria a ajuda das forças portuguesas para retomar o trono. Em troca, prometia se livrar da presença turca em solo marroquino. De 1568 a 1574 houve investidas bem sucedidas dos portugueses contra posições costeiras no país africano, que levaram ao planejamento de uma invasão.

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Sebastião montou uma grande armada e juntou cerca de 23 mil homens, entre portugueses, mercenários europeus e uma tropa de mouros aliados a Abu Abdallah. Ela se encontrou no dia 4 de agosto de 1578 em Alcácer Quibir com as tropas do sultão Malik -algo entre 50 mil e 60 mil soldados, segundo estimativas pouco precisas. O resultado militar foi desastroso: 8.000 foram invasores foram mortos, e os restantes, aprisionados.

O rei português morreu com apenas 24 anos, mas seu corpo nunca foi encontrado, dando início a uma lenda que influencia a psiquê lusitana desde então: a da volta triunfal do monarca, para resgatar o passado glorioso da pequena nação que virou um império marítimo. O dito sebastianismo começou justamente porque a morte do rei marcou o declínio daquela que foi, na definição do historiador britânico Roger Crowley, a primeira potência global.

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Com a morte de Sebastião, que não tinha filhos, a crise sucessória na casa de Aviz se instalou. O resultado foi a incorporação de Portugal à Espanha, de 1580 a 1640, um episódio traumático na história lusitana. O sebastianismo se tornou força por trás da expressão do sentimento nacional português, a saudade, e influenciou decisivamente a cultura do país. Ele está no fado, a lacrimosa música que simboliza Portugal, e permeia a obra do poeta maior lusitano, Fernando Pessoa -seu livro “Mensagem” é uma ode à crença no retorno ao passado.

PORTUGAL

Rui Patricio; Cedric, Pepe, Fonte, Raphael Guerreiro; William Carvalho, João Moutinho, João Mario, Bernardo Silva; Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo. T.: Fernando Santos

IRÃ

Munir; S. Amrabat, Benatia, Saiss, Achraf; El Ahmadi, Belhanda, Harit, Boussoufa, Ziyech; El Kaabi. T.: Herve Renard

Estádio:

Horário: 9h desta quarta

Juiz: Mark Geiger (EUA)