A quatro dias da abertura da Copa do Mundo da Rússia, símbolos moscovitas começam a se misturar às marcas internacionais atreladas aos mundiais de futebol, como os logos da Fifa.

Na alameda principal que dá acesso ao estádio de Luzhniki, onde será a abertura do torneio na quinta-feira (14), uma mistura que mostra os sinais do tempo.

O pedestal da grande estátua de Lênin, um dos líderes da revolução que implementou o comunismo na antiga União Soviética, está coberto pela estrutura de uma loja oficial ainda fechada de produtos do mundial.

O campo, quando foi inaugurado em 1956, recebeu o nome de Estádio Central Lênin.

O palco onde também será a final da Copa do Mundo da Rússia apareceu para o mundo em 1980, nos jogos olímpicos de Moscou.

Até hoje, dentro do complexo olímpico, às margens do rio Moscou, a arena está cercada por equipamentos esportivos usados naquela Olimpíada, que continuam funcionando.

As estações do Metrô da época, que agora receberam sinalizações sobre como chegar aos estádios do torneio, também são as mesmas.

A tragédia de 20 de outubro de 1982, entretanto, demorou anos para ser dimensionada.

O número oficial de 66 mortes no jogo entre Spartak 2 X 0 Haarlem, da Holanda, só foi divulgado em 1989. Fazia muito frio na capital russa no dia da partida. Os torcedores, minutos antes do fim do jogo, saíram correndo para pegar o metrô.

Mas uma mulher jovem, segundo testemunhas ouvidas nas investigações, caiu na escada do estádio. A multidão que vinha atrás não conseguiu parar. Dezenas de pessoas ficaram prensadas.

Longe de Luzhniki, em avenidas e praças de Moscou, bandeiras oficiais do Mundial estão tremulando. Shoppings nobres da cidade também montaram suas decorações com o tema futebol.

Neste domingo, a tradicional Fan Fest, criada na Copa da Alemanha em 2006, foi inaugurada em frente a Universidade Estadual de Moscou. Shows vão ocorrer no local durante os jogos do mundial, para as pessoas que não compraram ingressos.

A festa oficial será sobre uma pequena colina, do outro lado do rio Moscou, de frente para o estádio Luzhniki.

Durante o fim de semana, no centro da cidade, na região da Praça Vermelha, cores principalmente das seleções latino-americanas também estão aparecendo aos poucos.

O clima frio e chuvoso deste domingo (10) atrapalhou, mas na noite de sábado (9), argentinos e colombianos ensaiaram entoar alguns cânticos a favor de seus países.

Um trio de torcedores da seleção de Marrocos também fazia bastante barulho na zona turística conhecida como o Jardim de Alexandre.

Local, em uma das margens das muralhas do Kremlin, onde está o túmulo em memória ao soldado desconhecido. Os restos sepultados no jardim são de um combatente morto perto de Moscou em 1941 na área em que os nazistas chegaram mais perto da cidade, antes de serem derrotados.

O fato de cores de seleções sul-americanas serem preponderantes até agora, havia também peruanos no centro de Moscou, coincide com as estatísticas divulgadas pela Fifa.

Fora os russos, que compraram 46% dos ingressos vendidos até agora, existem cinco países latino-americanos na lista das dez nações que mais adquiriram bilhetes para os jogos do Mundial.

Como os dados contabilizam a residência dos compradores, e não a nacionalidade, o fato de os Estados Unidos estarem em segundo na lista da Fifa também pode ser explicado pela grande quantidade de latinos que moram no país da América do Norte, que não estará na Copa.

A lista das dez nações estrangeiras que mais compraram entradas para o torneio da Rússia é: EUA (88.825), Brasil (72.512), Colômbia (65.234), Alemanha (62.541), México (60.302), Argentina (54.031), Peru (43.583), China (40.251), Austrália (36.359) e Inglaterra (32.362).