Indicado para o Hall da Fama do Tênis nesta quinta-feira em evento realizado em São Paulo, Gustavo Kuerten se emocionou ao lembrar momentos da sua carreira e admitiu que não esperava ter tanto sucesso. Ao fazer um balanço dos seus feitos, Guga declarou que seu maior orgulho foi ter ajudado a popularizar o tênis no Brasil.

“Consegui conectar meu povo com o tênis. Consegui trazer o tênis para a esfera popular, a ponto das pessoas comentarem sobre tênis no açougue, na padaria, no supermercado. Pude tirar o mito do tenista e levá-lo ao povo. O tênis ficou acessível ao povo. Essa contribuição que dei dá um orgulho muito grande”, disse.

Ao agradecer a indicação, Guga revelou que nem conhecia o Hall da Fama quando começou a jogar tênis, ainda criança, aos seis anos. Para ele, este feito era inesperado. “Para mim é uma grande honra entrar no Hall da Fama, que nem sabia que existia nos meus dez ou 12 primeiros anos de atividade. Estava muito além das minhas expectativas e imaginação”.

Celebrado em um vídeo com imagens da sua carreira, Guga se emocionou e chegou até a chorar. “Não era para ter acontecido tanta coisa na minha carreira”, disse o brasileiro. Ele revelou que na sua primeira viagem para os Estados Unidos, queria comprar uma camisa de Andre Agassi. “Seis anos depois, estava jogando contra ele”.

Na sua carreira, Guga conquistou 20 títulos, incluindo três edições de Roland Garros, em 1997, 2000 e 2001, e uma Masters Cup – o atual ATP Finals – em 2000. “Às vezes me belisco para ver se é tudo verdade. Alguns feitos meus chegaram a ser assustadores”, declarou.

Guga voltou a se emocionar ao lembrar do seu pai, Aldo Kuerten, que morreu quando ele tinha apenas oito anos. Na época, ele faleceu enquanto arbitrava uma partida de tênis em Curitiba. “Percebi que era possível, porque na cabeça do meu pai eu poderia chegar longe, então tenho que agradecer muito a ele”, disse.

Nesta quinta-feira, Guga também comentou os momentos mais marcantes da carreira. Na sua opinião, o principal título foi o da Masters Cup de 2000. “Reuniu todos os expoentes da época”, disse.

O brasileiro apontou o duelo com o norte-americano Michael Russell, pelas oitavas de final da edição de 2001 de Roland Garros, como principal jogo. Ele venceu de virada por 3 sets a 2. “Já tinha chegado diversas vezes às oitavas de final, algumas de Grand Slam. Naquele jogo encontrei a maior facilidade da minha jogando tênis”.

Guga também apontou Agassi como o adversário que mais gostou de enfrentar na sua carreira, por conta da “alternância de situações”, com os tenistas em momentos diferentes da sua carreira. “Pude experimentar de tudo testar os meus limites”, comentou.

Bjorn Borg e Rafael Nadal são os jogadores que Guga gostaria de ter enfrentado durante a sua carreira. “Gostaria de ter feito uma final de Roland Garros com os dois”, revelou.

Com lesões, Guga se aposentou do tênis em 2008, mas ainda disputa partidas de exibição. Além disso, possui o Instituto Guga Kuerten e participa com o técnico Larri Passos do Projeto Olímpico de Tênis Rio 2016. O brasileiro também tentará trazer o ATP Finals, que reúne os oito melhores tenistas da temporada, ao País. Ele viajará para Miami nas próximas semanas para reuniões com dirigentes da ATP sobre o assunto.