O confronto entre as torcidas de Atlético e Vasco, na Arena Joinville, em jogo válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro, no último domingo, deu ao Furacão uma das maiores penas aplicadas no futebol brasileiro. Os 12 mandos de jogos – sendo seis com portões fechados e outros seis com distância mínima de 100 km de Curitiba – e R$ 140 mil de multa, que a 4.ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) impôs como pena ao Rubro-Negro, além do prejuízo técnico, deve causar também um impacto financeiro no clube. O clube vai recorrer da decisão.

A punição não poderia ter vindo em um momento pior para o Atlético, que voltará a disputar a Libertadores da América em 2014 e que estava tentando ampliar o número de sócios, que hoje conta com 23 mil torcedores. Mais do que isso, a torcida atleticana poderá demorar para ver em ação o time principal rubro-negro atuando na Arena da Baixada, que está sendo remodelada para a Copa do Mundo do ano que vem, que acontece em junho. E é justamente neste período de volta ao seu estádio que a diretoria esperava contar com um aumento considerável no seu quadro associativo.

Se o Joaquim Américo ficar pronto no final de março, como está previsto e o Atlético avançar para a fase de grupo da Libertadores da América, a torcida atleticana poderá ver o Rubro-Negro em ação na Arena da Baixada somente em três jogos pela competição continental antes de cumprir a pena imposta pelo STJD. Depois, o estádio será entregue à Fifa e, se não conseguir a redução da punição da perda de mando das 12 partidas, o Furacão voltará a jogar diante do seu torcedor somente no final de setembro. Assim, toda essa situação pode atrapalhar os planos da diretoria na tentativa de recuperar financeiramente o clube.

A pena imposta ao Atlético foi lamentada pelo advogado do Rubro-Negro, Domingos Moro, principalmente no que diz respeito aos jogos que terão que ser realizados com portões fechados. ‘A pena dos seis jogos que o Atlético terá que cumprir com portões fechados foi absurdamente exagerada. Esta punição é distinta da perda de mando com jogos a 100 km de distância. Jogar com portões fechados dá ao clube um prejuízo financeiro muito grande’, argumentou o defensor atleticano.

O trabalho de Domingos Moro, agora, será para tentar a diminuição da pena. O advogado, porém, está otimista para o julgamento do recurso, que acontece somente no dia 27 de dezembro, e será julgado pelo pleno do STJD. ‘Minha intenção é reduzir essa punição em patamares aceitáveis. Vou procurar fazer isso de maneira inteligente e benéfica, para que não seja criado mais um monstro, agora dos portões fechados, já que as brigas podem ocorrer fora dos estádios. Vou fazer o tribunal ponderar e refletir sobre isso para conseguir um resultado melhor do que foi hoje (ontem)’, projeta o advogado.

Vasco

Além do Atlético, o Vasco também foi punido pelo STJD. O clube carioca, na Série B do Campeonato Brasileiro do ano que vem, terá que cumprir a perda de oito mandos de jogos, sendo quatro com portões fechados e outros quatro com distância de 100 km do Rio de Janeiro, além da multa de R$ 80 mil.