Às vésperas da Copa de 2010, o Chile não tinha certeza se o atacante Humberto Suazo faria um bom Mundial. Quatro anos depois, essa indefinição se repete com o volante Arturo Vidal, dúvida para o jogo de estreia, na sexta-feira, contra a Austrália, em Cuiabá. A seleção agora comandada por Jorge Sampaoli, em certa parte, revive o drama daquele time de Marcelo Bielsa.

Vidal, um dos principais jogadores chilenos, machucou o joelho direito jogando pela Juventus e passou por uma astroscopia há cerca de um mês. A princípio sua participação na Copa foi colocada em dúvida. Houve suspense se o seu nome estaria na lista dos 23 de Sampaoli e depois especulou-se sobre o risco de corte, possibilidade afastada pela comissão técnica.

Em 2010, o Chile passou por situação similar. No dia em que Bielsa definiria a lista dos 23 convocados para a África do Sul, foi anunciado que Suazo, então artilheiro do time nas Eliminatórias, havia sofrido uma lesão muscular. Ainda assim ele foi ao Mundial, mas não estava 100%.

Na verdade, Suazo esteve muito longe disso. Ele perdeu o primeiro jogo diante de Honduras, começou como titular o segundo jogo, contra a Suíça, mas foi sacado, por motivos físicos, do duelo contra a Espanha.

“Não creio que sejam situações semelhantes. Os jogadores são diferentes, as posições que eles jogam, também. Arturo está se preparando, se não para o primeiro, para o segundo jogo. Nós contamos com ele”, ponderou o goleiro e capitão do time Claudio Bravo.

Na última quarta-feira, Vidal treinou com os demais companheiros no campo. O médico Giovanni Carcuro disse que o volante segue ritmo “normal de recuperação”, mas evitou falar sobre em quais condições Vidal jogaria a Copa. “Seria irresponsabilidade falar em porcentual (se estará 100% ou não). A recuperação está dentro do prazo.”

Sampaoli não permitiu que a imprensa assistisse ao treino que definiu o time que enfrenta a Austrália, nesta sexta-feira. O jornal chileno La Tercera garante que Sampaoli treinou com Vidal entre os titulares.

Depois da lesão, Vidal atuou por cerca de 15 minutos no amistoso contra a Irlanda do Norte. “O comportamento dele nesses 15 minutos não foi mais intenso do que ele já fazia nos treinamentos, tudo foi planejado”, disse o médico Carcuro.