Os jogadores da seleção brasileira reconheceram que existe muita tensão envolvida na disputa da Copa em casa. Nesta quarta-feira, os atletas chegaram a Fortaleza, capital do humor no País, e os artistas cearenses garantem que o astral da cidade já será responsável por diminuir o estresse. “Se a seleção vai estar aqui, naturalmente, sem que os jogadores percebam, já estarão mais bem preparados psicologicamente”, brinca Zebrinha, presidente da Associação dos Humoristas Cearenses.

O riso, garante, é o melhor remédio para lidar com momentos de tensão, e a comissão técnica deveria adotar isso para relaxar o grupo. “A gente, que trabalha com humor, sabe disso. Damos palestras nas áreas corporativas, por exemplo, e mexemos com a questão da autoestima. Tudo que causa riso diminui a tensão”, diz o artista.

Zebrinha afirma que o Ceará tem mais de 100 humoristas cadastrados, mas também lembra que existe o talento natural para o humor nas ruas. “Eu era muito ligado ao Chico Anysio. Nós temos o Museu do Humor Cearense e lá encontra-se a urna funerária do Chico, e até o jaleco e o bigode do professor Raimundo”, diz. Ele está otimista em relação ao desempenho da seleção brasileira. “Na hora em que o jogador pisar aqui, naturalmente já vai sentir o clima. Acho que será 5 a 2 para o Brasil”, palpita, rindo bastante.

SEM GRAÇA – Fortaleza tem uma programação diária com shows de comediantes, mas está sofrendo com a redução de público no período da Copa. Um dos mais conhecidos humoristas cearenses, Adamastor Pitaco relata que a Copa fez cair muito o número de frequentadores das casas de espetáculo onde ele se apresenta. “Eu faço shows todas as terças-feiras em uma casa na Avenida Beira-Mar. Nunca vi um movimento tão baixo como neste período. Antes da Copa, o local ficava lotado, sem espaço para ninguém. Este mês, o público caiu bastante. Estou torcendo para que pelo menos os garçons fiquem por lá vendo o show”, brinca o humorista.

Sobre a torcida pela seleção, o comediante tentou desviar, mas acabou respondendo que, para ele, bom mesmo seria a eliminação, porque a situação poderia melhorar. “As atenções estão todas na Copa. O Brasil saindo logo a vida ia voltar ao normal. Para nós, a Copa do Mundo está sendo uma piada sem graça”, desabafa.

Zebrinha concorda com seu companheiro de profissão. Para ele, o turista que está no Mundial quer ver apenas jogos de futebol. “Só tem movimento na Avenida Beira-Mar e no Castelão. Não teve reflexo em outras áreas, só na rede hoteleira e restaurantes. Os shows de humor até diminuíram, muita gente vai para a Fan Fest, pois lá a animação é de graça”, constata.