A Série Prata (2.ª Divisão) do Campeonato Paranaense larga com novo ânimo. Turbinada pela presença de clubes de grandes cidades e pela inédita transmissão de uma TV aberta (a Educativa), o torneio começa amanhã com perspectiva de lucros e muita disputa pelas duas vagas na elite estadual.

Diferente de outros anos, quando só havia espaço para quem tinha um ?mecenas? ou grupo de empresários por trás, em 2005 os clubes da Segundona ganharam um pouco mais de fôlego. O grande motivo é o interesse da TVE (canal 9), que acertou o pagamento de R$ 10 mil reais a cada um dos 17 clubes para transmitir uma partida por semana a todo o Estado, sempre aos sábados. Como o contrato será assinado na próxima terça-feira, não haverá televisionamento neste final de semana.

Os ganhos não se restringem a valor oferecido pela TV pública. ?A transmissão foi nosso grande trunfo para vender R$ 20 mil mensais em placas de publicidade. Dá para cobrir a folha de pagamento?, comemora o presidente do Araucária, Paulo André Blaszczak.

O interesse da TVE tem relação com a abrangência de público da Segundona em 2005. Enquanto a Série Ouro concentrou clubes de pequenos centros (União Bandeirante, Engenheiro Beltrão e Rolândia) ou sem sede definida (Império do Futebol), na Série Prata há representantes das cinco maiores cidades do interior (Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu). Também estarão de volta locais que já sediaram jogos da Primeira Divisão, mas que há muitos anos estiveram afastados do profissionalismo, como Pato Branco e Santo Antônio da Platina. Outras grandes cidades do Estado, como São José dos Pinhais, Araucária, Umuarama e Toledo também entram na disputa.

Ao término de três fases, os dois melhores clubes decidem o título, já como substitutos de Império do Futebol e Engenheiro Beltrão na Série Ouro em 2006.

Três representam a Região Metropolitana

A Região Metropolitana de Curitiba terá três representantes na Segundona. Araucária, São José e o mambembe Real Brasil tentarão se juntar ao trio-de-ferro da Capital e ao Malutrom na Série Ouro em 2006.

Depois de um ano licenciado, o Araucária volta apostando na juventude. A equipe, que em 2003 contratou atletas tarimbados como Ednélson e Aléssio, ambos ex-Paraná, agora trouxe seis novatos do Malutrom. ?Os veteranos não trouxeram resultado esperado?, explica o presidente Paulo André Blaszczak.

O São José, que nos últimos seis anos disputou apenas torneios amadores, terá como treinador Castro, ex-zagueiro do Paraná Clube. A Prefeitura cedeu o Estádio do Pinhão à equipe, patrocinada por comerciantes da cidade. O goleiro Fuji, 22 anos, ex-júnior do Coritiba, é o nome mais conhecido.

O Real Brasil é controlado pelo polêmico empresário Aurélio Almeida. Depois de peregrinar com sua outra equipe (a Império do Futebol) por Toledo, Maringá e na Vila Olímpica do Boqueirão, Aurélio começa a Segundona em Campo Largo, mas a sede ainda não está definida. Do Império, rebaixado na Série Ouro de 2005, sobrou apenas o meia atacante Cacá. O restante veio principalmente de times baianos como Juazeiro e Colo-Colo.

Emprego garantido pros boleiros

A Série Prata virou uma espécie de refúgio para atletas que disputaram a divisão de elite paranaense em 2005. Como a maioria dos clubes da Série Ouro encerrou as atividades com o fim do Estadual, a Segundona evitou que vários jogadores ficassem desempregados.

Quase todos os times têm remanescentes da Primeira Divisão. O Cascavel, por exemplo, trouxe do Roma o goleiro Colombo, o zagueiro Cláudio, o lateral-esquerdo Zé Maria, o meia Daniel Romero e o volante Kullman, além do atacante Robson, que estava na Adap. A Portuguesa Londrinense terá o volante Edílson, ex-Londrina, o lateral-esquerdo Kanu, ex-Rio Branco, e o meia Neto, ex-Roma. O Umuarama contratou o zagueiro Hen-rique do Rio Branco e o goleiro Edinaldo do Paranavaí. O Toledo tirou do União Bandeirante o meia Rodrigo e o atacante Betinho. E o Pato Branco terá sete atletas que defenderam o Francisco Beltrão no início do ano.

Muitos times da Prata ainda lançam mão de veteranos bastante conhecidos do torcedor da Capital. Estarão desfilando nos gramados da Segundona o volante Leomar (do Operário, ex-Atlético e Seleção Brasileira), o meia Reginaldo (do Goioerê, ex-Paraná e Malutrom), o lateral-direito Odemílson (do Foz, ex-Atlético), o lateral-esquerdo Ednélson (do Operário, ex-Paraná), o atacante Neizinho (do Galo Maringá, ex-Santos e Paranavaí), o atacante Curê (do Foz, ex-Cerro Porteño e Atlético-MG), e o atacante Serginho Brasília (do Cascavel, ex-Paraná).

Agora, o Fantasma quer ?assombrar? na Segundona

Além de ser o clube mais tradicional, o Operário de Ponta Grossa concentra a maior empolgação para a Segundona em 2005. O Fantasma, que acaba de completar 93 anos, tenta pelo segundo ano consecutivo voltar à elite estadual.

Depois que a equipe licenciou-se, em 1994, a cidade foi representada pelo Ponta Grossa. O novo time não vingou, mas com a volta do velho Operário, em 2004, o Germano Krueger registrou média de público superior a 3 mil torcedores. Em 2005, a diretoria lança um pacote de venda antecipada de ingressos, que inclui ainda camisas e brindes com o escudo do clube. O custo, para os oito jogos da primeira fase, é de R$ 66 na arquibancada. Os destaques da equipe, dirigida pelo ex-goleiro do Atlético Ricardo Pinto, são os veteranos Leomar, ex-Atlético, e Ednélson, ex-Paraná.

Outro clube tradicional, mas que vem com cara nova, é o Galo Maringá. No ano passado, o empresário Aurélio Almeida bancou o velho Grêmio e abandonou o clube endividado. A nova equipe renasce com o apelido incorporado ao nome de fantasia e sustentado por empresários e diretores da antiga geração, como Aristides Mossambani. Os investidores puseram a mão no bolso e trouxeram o técnico Ivair Cenci, que estava na Série A-3 paulista, e jogadores como o volante Rocha e o atacante Paraguaio, ambos do Cianorte, e o atacante Neizinho, do Paranavaí.

Junto com times históricos, o torcedor verá na Série Prata equipes novas e com nomes peculiares. O Toledo anexou ao nome os patrocinadores: a cervejaria Colônia, do apresentador Carlos ?Ratinho? Massa, e a prestadora de serviços Work. Já a cidade de Guaratuba apresenta o Kashima Anthler?s do Brasil, que não tem relação com a equipe japonesa – até o nome é grafado de forma diferente (o original é ?Antlers?). O time vai mandar seus jogos no Gigante do Itiberê, em Paranaguá.