Por mais incrível que possa parecer, hoje começa um campeonato brasileiro esvaziado. Sem a maioria dos jogadores pentacampeões (que jogam na Europa) e recheado de problemas fora de campo, o Brasileiro perdeu muito do charme que sempre tivera, tornando-se alvo fácil para a CBF e Federações, que lutam pelo inchaço de torneios.

O que pode salvar a competição – garantindo a realização do torneio do ano que vem em oito meses – é a qualidade dentro de campo, mas não se tem certeza se isso vai acontecer.

Até quinta-feira o campeonato brasileiro não estava oficialmente confirmado. A confusão no jogo entre Caxias e Figueirense, ano passado, motivou as duas equipes a entrarem numa batalha de liminares que só foi resolvida na maior instância da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal, que não acolheu a liminar dos gaúchos. Enquanto isso, os times ?renegados? pelo Clube dos 13 lutavam para conseguir mais dinheiro -briga que acabou em fracasso, principalmente para o Paraná Clube.

Mas essa distribuição disparatada (o Tricolor receberá em verbas da TV, por exemplo, oito vezes menos que o Flamengo) não indica que o Brasileiro tem favoritos disparados. Muito pelo contrário – é, entre os 31 campeonatos já disputados, o mais equilibrado da história. E o torneio se equilibrou pelas crises financeiras do país, da TV e dos clubes. A maioria deles (exceção a Corinthians, São Paulo e Cruzeiro) estabeleceu tetos salariais, cortou gastos e dispensou jogadores conhecidos. Petkovic, Mauro Galvão, Valdo, entre outros, estão sem clube. Os campeões mundiais que iniciam a disputa são Marcos (Palmeiras), Anderson Polga (Grêmio), Rogério Ceni e Kaká (São Paulo). Vampeta (que joga amanhã), Ricardinho e Kléberson ainda podem ser envolvidos em negociações com o exterior.

Tirando isso, os investimentos foram feitos à custa de parceiros, como a contratação de Romário pelo Fluminense, bancada pelo patrocinador do clube. A ida do atacante para as Laranjeiras animou a torcida, e põe o Flu entre os times que iniciam a competição como candidatos a uma das oito vagas para as quartas-de-final. Também se encaixam nesta categoria o Corinthians (campeão da Copa do Brasil), o Palmeiras, o São Paulo e o Cruzeiro.

Em um segundo patamar se encontram Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Goiás, Grêmio, Internacional, Santos, São Caetano e Vitória. A essa turma se acrescenta o Paysandu, sensação dos últimos dias com o título da Copa dos Campeões, que o garantiu -assim como o Corinthians -na Libertadores do ano que vem. As duas últimas vagas serão conhecidas no Brasileiro.

O terceiro time é formado pelos azarões e pelos times em crise extrema, que pouco puderam fazer para reforçar suas equipes. Entram aí gigantes como Vasco e Botafogo, que passam por momentos dramáticos -ao lado de Portuguesa, Figueirense, Ponte Preta, Guarani, Juventude e Gama. A princípio, são as equipes que lutam para não cair, se bem que o campo geralmente desmente os prognósticos – vide Copa do Mundo.

E os nossos? O Paraná entra em campo hoje contra o São Caetano (16h, no Couto Pereira) em uma luta desesperada para encontrar recursos que consigam levar a equipe até o final da competição. O Coritiba joga contra o Vitória amanhã confiando na estrela de Lúcio Flávio e sonhando com vôos mais altos. E o Atlético enfrenta o Guarani no início da busca pelo bicampeonato, apesar de não contar com muitos daqueles campeões. Se eles vão conseguir esses objetivos? A resposta só será dada em dezembro, quando o melhor time do Brasil será conhecido.