Atlético aposta suas fichas
em jogadores como Fabrício,
que carrega a confiança do treinador.

O Atlético já está definido para encarar o Guarani amanhã em Campinas na estréia do Campeonato Brasileiro. Sem oito titulares, o técnico Valdyr Espinosa tratou de entrosar os jogadores que têm à mão para largar bem na competição. Hoje pela manhã, o treinador comando o último trabalho e logo mais à tarde a delegação viaja em direção de São Paulo.

Como já era esperado, a única mudança (forçada) em relação ao time que enfrentou o Figueirense é a saída de Adriano e a entrada de Rogério Souza. Ontem, Espinosa comandou um treino tático seguido de um coletivo. Mesmo sem vários jogadores considerados titulares, os trabalhos foram proveitosos e até o time de baixo se destacou. O técnico também exigiu demais nos treinamentos específicos para a defesa e o ataque. A intenção é corrigir os erros cometidos nos dois amistosos de preparação para o Brasileirão.

“Sempre tem detalhes a serem melhorados, mas vamos para o jogo. Futebol é superar dificuldades, ou seja, passar pelo adversário e trabalhar com as peças que você não tem”, dispara. Segundo ele, os jogadores que não estão podendo atuar qualificam ainda mais a equipe e seriam importantes para a estréia do time. “Não ter essas peças é ruim, mas não diminui a confiança em Rodrigo, Fabrício e nos outros atletas que estão entrando”, destaca.

Do Guarani, Espinosa já tem todos os detalhes. O auxiliar-técnico Vinícius Eutrópio esteve em São Paulo espionando o primeiro adversário na caminhada em direção ao bicampeonato e, em cima disso, o treinador trabalhou a equipe. A formação para amanhã começa com Flávio; Alessandro, Ígor, Sílvio e Fabiano; Alan, Rogério Souza, Fabrício e Rodrigo; Dagoberto e Kléber. O recém-contratado Douglas ainda não tem as condições físicas ideais e ficará no banco à disposição do técnico.

De acordo com o zagueiro Ígor, apesar de o Atlético largar na competição com a garotada, o trabalho vem sendo bem realizado e promete dar grandes resultados. “A semana está sendo bem produtiva e é claro a nossa equipe está com a cabeça toda voltada para o Guarani e com certeza vamos encarar naturalmente o jogo”, promete o jogador.

Flávio diz que raça vai superar problemas

A melhor estrutura, escudo de campeão na camisa e exemplo para o Brasil aumentam a responsabilidade do Atlético no Campeonato Brasileiro deste ano. Nada que assuste um dos jogadores mais regulares do elenco nos últimos anos, o goleiro Flávio. Em conversa com a reportagem da Tribuna, o Pantera diz que as dificuldades serão maiores mas nada que não possa ser ultrapassado com a velha arma do Furacão: a raça.

Paraná-Online

– Qual a diferença dos outros campeonatos para este?

Flávio

– Acho que a responsabilidade aumenta um pouco porque a nossa equipe foi campeã no ano passado. Com certeza, as outras equipes vão sempre querer mostrar um grande futebol contra a gente e buscar as vitórias. Com isso, os jogos serão mais difíceis para nós, mas nós temos que estar preparados para tudo isso.

Paraná-Online

– Essa preparação está sendo feita?

Flávio

– O trabalho está sendo feito, tanto o técnico quanto o tático e até o psicológico com o professor Espinosa (Valdyr, treinador). Então, com certeza, os jogadores que estão atuando e os que subiram agora para os profissionais têm uma personalidade muito forte e por isso não vai haver problema nenhum. Quem jogar vai procurar fazer sempre o melhor e com certeza vai procurar sempre estar vencendo.

Paraná-Online

– A mudança de esquema tático altera o teu trabalho?

Flávio

– O meu não. Com três zagueiros dá uma proteção maior na defesa, mas com dois zagueiros também os jogadores estão fazendo uma boa marcação no meio-de-campo e isto me dá o máximo de tranqüilidade. Os jogos que fizemos mostraram que a equipe está bem porque não tomou nenhum gol e a tendência é que o time melhore ainda mais.

Paraná-Online

– O Atlético entra para buscar o bi?

Flávio

– O pensamento de todo jogador é conquistar campeonato, então o nosso pensamento hoje é conquistar o bicampeonato e vamos em busca disso. Com humildade, respeitando os adversários, mas sabemos das nossas qualidades de entrar dentro de campo, mostrar um grande futebol e procurar vencer.

Goleiros usam máscara para apurar instinto

Até de olhos fechados. Que o goleiro Flávio é bom não há dúvidas, mas que ele treinava até com a visão encoberta ninguém suspeitava. A novidade foi implantada no Atlético pelo treinador de goleiros, Ricardo Pinto, e já começa a apresentar resultados. O Pantera nunca esteve tão seguro como agora à frente da meta rubro-negra.

O método consiste em treinar os goleiros com máscaras que impeçam a visão da bola. Os jogadores são obrigados a defender chutes usando outros sentidos que não a visão. “Esse treino eu fiz em 1990 com o José Carlos Travassos que era treinador da seleção brasileira e serve para você confiar mais no seu instinto. Porque sem enxergar a bola, você percebe que a bola está vindo de um lado e você cria uma mobilidade de percepção para acreditar que a bola está indo ali”, explica Ricardo.

De acordo com ele, esse treinamento serve basicamente para aumentar a confiança. “Fisicamente não altera nada, mas acima de tudo é uma coisa bem sensorial, perceptiva”, continua. Os resultados ainda não são tecnicamente expressivos, mas para ele o importante é que a novidade foi bem aceita e dá uma variação nos treinamentos. “É legal porque é uma coisa nova para eles, solta muito. A gente tem um instinto bem selvagem que é pouco explorado. Quando a gente trabalha ele, a gente fica mais confiante nas coisas que tem que fazer”, aponta.

Apesar do treino inusitado, os goleiros têm demonstrado satisfação com o método. “É a primeira vez que eu faço isso, mas é importante porque você aprende a percepção de onde você está colocado dentro de campo, à frente do gol”, diz o goleiro suplente Adriano Basso. De acordo com ele, a audição precisa estar muito mais apurada nesses momentos. “Com a bola rolando na grama a gente sabe de que lado ele está”, exemplifica. Além disso, segundo Basso, a reação do atleta nessas horas precisa ser mais rápida ainda. “Porque você só consegue ouvir a bola quando ele já está próxima”, confirma. Para Basso, pode até parecer engraçado, mas o treino tem uma grande valia. “A experiência é boa porque após o treino você vai tendo a noção de posicionamento sem ter que olhar para a trave”, conclui.

Clube nega mais uma proposta por Kléberon

O presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, desmentiu a informação de que o Parma estaria disposto a pagar US$ 8 milhões pelo meia Kléberson. “É mais uma fria”, classificou a notícia espalhada ontem em algumas agências de notícias. Segundo ele, não há nenhuma novidade e não também não há negociações em curso.

No começo do mês, o clube italiano já havia proposto pagar cerca de US$ 5 milhões mais o lateral-esquerdo Júnior em troca de Xaropinho. Não deu certo. O clube não quis nem ouvir. Agora, a melhora na oferta seria em função da venda do zagueiro Cannavaro para a Inter de Milão por US$ 15 milhões. Com dinheiro em caixa, os italianos voltaram a manifestar interesse em Kléberson.

Além do Parma, clubes da Espanha e da Inglaterra já manifestaram interesse na contratação do meia. Mas, para liberar o jogador, o clube espera receber entre US$ 15 e 20 milhões, dinheiro que está difícil de alcançar no atual estado do futebol mundial.

Prazo

A diretoria não comenta, mas se até o dia 15 deste mês não for efetuada a venda de Kléberson, o meia volta a jogar pelo Atlético mesmo sem seguro. Para tanto, bastaria uma renegociação entre as partes para o salário do jogador seja aumentado. Atualmente, o Xaropinho ganha cerca de R$ 12 mil mensais.