Lausanne – Tensão, expeculações, acusações e muita incerteza. É nesse clima que o Rio de Janeiro e as outras oito candidatas para sediar os Jogos Olímpicos de 2012 aguardam para nesta terça-feira o anúncio do Comitê Olímpico Internacional (COI) das cidades que permanecerão na corrida para receber o evento. Com um dos maiores orçamentos entre as candidatas, o Rio tenta passar pela primeira vez para fase final em uma corrida que deve ser marcada pela questão da segurança.

Mas ao contrário dos demais concorrentes, que se revezavam para falar com dezenas de jornalistas de todo o mundo, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, preferiu manter um silêncio absoluto sobre as possiblidades do Rio de se classificar. “Não adianta falar algo se não estou falando para quem não decide”, retrucou o delegado brasileiro aos jornalistas.

A rigor, as regras do COI não obrigam que os dez membros do comitê executivo da entidade façam um corte nesta fase. Todas as nove cidades – Nova York, Paris, Londres, Madri, Havana, Moscou, Istambul, Leipiz e Rio – poderão permanecer na corrida. Mas para inspetores do COI entrevistados pela Agência Estado, seria difícil realizar visitas a todas as candidatas caso as nove fossem escolhidas.

Para o representante da candidatura de Madri, Feliciano Mayoral, cerca de cinco cidades devem ser mantidas para a próxima fase, entre elas o Rio. Ele lembra que, para as Olimpíadas de 2008, das dez candidatas iniciais, apenas cinco ficaram para a fase final.

Para Istambul, uma das finalistas para 2008, a decisão deve ter um caráter político, o que possibilitará que a fase final tenha um maior número de candidatas. Para Yalçin Aksoy, diretor da candidatura da cidade turca, o Rio de Janeiro deverá ser beneficiado na escolha, já que está no mesmo fuso horário da rede de TV americana NBC, que já comprou os direitos de transmissão dos jogos por US$ 2,2 bilhões.

“Eles (NBC) agora vão querem recuperar seus investimentos e mostrar os eventos no horário nobre para o público americano. Queria estar na pele dos brasileiros”, afirma. Jacques Rogge, presidente do COI, confirmou ontem que o negócio com a NBC foi 30% superior aos contratos feitos até hoje pela entidade.

O Rio de fato parece estar em alta, pelo menos das apostas fora do COI. Na véspera da decisão, o site Gamesbid trazia a capital carioca como a segunda entre as favoritas, um posto acima do que vinha mostrando nos últimos dias e superando Londres. A favorita seria Paris.

O título, porém, é recusado pelo diretor da campanha da cidade francesa, Philippe Baudillon. “Todas são fortes candidatas”, afirmou o francês, lembrando que 60% de sua infra-estrutura já está pronta.

Silêncio

Enquanto os diretores das diversas candidaturas comentavam sobre suas chances e sobre os demais, Nuzman adotou uma estratégia de não falar. Alguns acreditam que a postura seja uma reação à atitude adotada pelos delegados da candidatura Rio 2004, que não mediram comentários durante a fracassada campanha.

O único a conversar com a imprensa foi mesmo o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, que já causou polêmica quando criticou na semana passada as candidaturas de outras cidades. Desta vez, foi mais cauteloso. “Os Jogos precisam ser democratizados e damos garantias de que a questão da segurança será solucionada”, afirmou o ministro.

De fato, a questão da segurança é o tema que mais dominou as conversas no COI ontem. O representante da candidatura de Nova York e vice-prefeito da cidade, Daniel Doctoroff, acredita que todas as cidades sofrem com o problema de segurança. Para os turcos, mesmo que um país esteja fora da rota do terrorismo, a realização dos Jogos é, por só só, uma oportunidade para atentados.

A partir de hoje, as cidades que se classificarem irão elaborar um dossiê que será entregue ao COI até o dia 15 de novembro, detalhando os Jogos. A decisão final será tomada em julho de 2005, mas para muitos, a dura concorrência já mostra prestígio do COI em conseguir reunir em uma mesma competição as mais importantes cidades do planeta. Prova disso é que 2012, apesar de não ter sede ainda, já conta com quatro grandes patrocinadores.

Antidoping ameaça futebol

Atenas pode ser uma olimpíada sem futebol. A ameaça faz parte da pressão para que haja um acordo rápido entre a Agência Mundial Antidopagem (AMA) e a Fifa para que o esporte esteja adaptado ao código mundial que regulamenta o assunto.

“O presidente da AMA, Dick Pound, nos informou no sábado, em Zurique, que não poderia fazer exceções no código mundial antidopagem. Se não chegarmos a um acordo, então lutaremos sós contra o doping”, anunciou Blatter, ao final da reunião do Comitê executivo da Fifa, em Paris.

A Fifa e a União Ciclística Internacional (UCI) são as únicas federações que participam de Olimpíadas sem serem signatárias do código único contra o doping.

O fato é que a Fifa não admite a punição de dois anos de exclusão de um atleta flagrado no exame antidoping, como reza o código da AMA.

O presidente do Comitê Olímpico Internacionl (COI), Jacques Rogge, já havia adiantado que as federações que não se adaptassem ao código não poderiam participar dos Jogos Olímpicos.