Santo Domingo – De nada adiantaram os apelos da CBF em nome da paz. Os dirigentes europeus não pensaram no Haiti e muito menos rezaram pelo povo fanático do futebol brasileiro. Para eles o que vale mesmo são as letras miúdas de contratos e o fato de a Fifa não prever sanções por terem vetado a participação de cinco jogadores no amistoso simbólico de amanhã em Porto Príncipe. Kaká, Cafu e Dida, do Milan, e Lúcio e Zé Roberto, do Bayern München, não se integraram à equipe principal do Brasil. Mas, para alegria dos haitianos, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos vão jogar.

Os últimos jogadores vindos da Europa chegaram ontem, em Santo Domingo, capital da República Dominicana, talvez um dos poucos países do mundo que praticamente desconhece a seleção brasileira. Os dominicanos gostam mesmo é da “pelota”, como chamam o beisebol. Por isso, não houve aglomerações no Intercontinental, onde o time se hospeda. Ronaldo, que veio de Nova York, não foi assediado no saguão do hotel – exceto pelos jornalistas brasileiros.

Além dos 5 vetados pelos clubes europeus, Adriano, da Internazionale, e Edmilson, do Barcelona, não se apresentaram por motivos pessoais.

A CBF apelou para a Fifa interceder junto aos clubes europeus. O Milan questionou à entidade maior do futebol mundial se sofreria alguma represália – por um acordo, nos dias de amistosos de seleções, só devem ser liberados os jogadores se a partida ocorrer no mesmo continente onde atuam. A Fifa limitou-se a dizer que a partida terá uma grande importância para a imagem do esporte no mundo, mas não haveria sanções.

O atacante Ronaldo não deu entrevistas ontem. Apenas declarou: “Esse jogo vai ser bem legal. A gente vai aproveitar bastante.” O lateral Roberto Carlos disse estar ansioso pela partida e feliz pela responsabilidade de entrar em campo no “Jogo da Paz”. Vai ser uma goleada ou o time vai poupar o adversário como pediu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva? “A única coisa que prometemos é representar bem o futebol brasileiro.”

Surpreendentemente, Parreira disse que lembrará aos jogadores brasileiros do ensinamento para respeitar o adversário. O Haiti, uma seleção formada por muitos amadores, seria uma pedrinha para um time pentacampeão? “Quando a seleção joga contra a Argentina ou a Alemanha, a gente sabe (que vai ser uma partida dura). Mas quando jogamos com pedrinha, se não tivermos cuidado, tropeçamos.”

Nem todos da comissão técnica e jogadores demonstram conhecer bem a atual situação do Haiti. “O Brasil vai parar uma guerra, vamos criar uma clima de harmonia durante 24 horas”, disse Parreira, sem saber que os haitianos não estão em guerra. Mas o que vale é a intenção, como ele bem expressou depois: “O importante é que estamos deixando uma semente. No Brasil, que também tem muita pobreza, quando ganhamos uma Copa do Mundo durante uma semana o brasileiro fica com o ego inflado.”

Scolari planeja voltar à seleção

AE

São Paulo – Está aberto o caminho para Luiz Felipe Scolari voltar à seleção brasileira. Pela primeira vez o pentacampeão assumiu que está disposto a comandar o Brasil depois de alguns anos. Ou seja é candidatíssimo a substituir Parreira depois do Mundial de 2006 na Alemanha.

“Se for convocado, convidado para a seleção brasileira eu aceito. Mas daqui a uns anos. Uns quatro ou cinco anos, por aí. Agora tenho o meu projeto com Portugal para a Copa. Mas penso em voltar, sim.” Luiz Felipe acredita que com a reformulação feita nas principais seleções da Europa, o Brasil foi o grande beneficiado.

“A situação da seleção para a Copa é privilegiada. Tem um ótimo time montado e com excelente comissão técnica. Espanha, Itália, Alemanha, França e Holanda trocaram de treinadores agora. Algumas (Alemanha e Holanda) escolheram ex-jogadores sem experiência para treiná-las”, destaca.