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De Letra

Cláudio Marques comanda o Coritiba em Porto Alegre

  • Por Cristian Toledo

Foto: Orlando Kissner/Tribuna
Sai o interino Lopes Jr, entra Cláudio Marques, para dirigir
o time contra o Internacional.

A expectativa de anúncio do novo técnico do Coritiba ficou para hoje. Os dirigentes do clube e o departamento de futebol ainda não divulgaram o treinador que comandará a equipe nas últimas rodadas do Brasileiro, e possivelmente na próxima temporada. O nome mais forte do momento é Lori Sandri, que está em processo de negociação. Mas, para o jogo de amanhã contra o Inter, foi escolhida nova opção caseira, Cláudio Marques. Um dos grandes campeões da história do clube será o responsável para tentar reerguer o time.

Lori Sandri chegou em Curitiba na tarde de ontem, e não participou das conversas sobre uma possível contratação. ?Para mim, por enquanto, é um boato?, afirmou o treinador, que comandou o Paraná até a 23.ª rodada do Campeonato Brasileiro. Segundo pessoas ligadas à diretoria alviverde, já teria acontecido uma conversa com os representantes de Lori e que o acerto estaria bastante encaminhado, para que o anúncio aconteça ainda hoje. O comando coxa segue sua filosofia de trabalho e não comenta sobre o assunto.

O nome do treinador se encaixa nos ?predicados? esperados pela diretoria do Coxa. ?Nós precisamos de um profissional com experiência de primeira divisão, com conhecimento deste campeonato e do elenco do Coritiba?, explicou o gerente de futebol Oscar Yamato, que não confirmou a sondagem a Lori, preferindo citar os dois técnicos que não acertaram. ?O nosso perfil é o perfil do Levir, do Gallo.?

As tentativas com Levir Culpi e Alexandre Gallo não foram bem-sucedidas. ?O Levir não tem interesse em trabalhar agora, apesar dos nossos contatos. E o Gallo realmente tem um pré-contrato com uma equipe japonesa?, comentou Oscar Yamato. Este último demonstrou interesse em treinar o Coxa durante o dia, mas terminou a quarta-feira descartado.

Quem está certo no comando é Cláudio Marques. Ele sabe da dificuldade do momento e da importância do grupo também perceber isto. ?É um momento decisivo, e agora é o momento de entrega total. Não temos que ficar encontrando desculpas, e sim buscando resultados e recuperando a equipe?, disse o novo treinador interino, que foi técnico das categorias de base do Cori, e em 1994 foi campeão de aspirantes com Alex e Marcão no time titular.

Cláudio quer um time forte, sem medo de encarar os adversários. ?Quem tem que fazer o Coritiba ganhar é a gente, e nós temos que ir para cima de todo mundo?, afirmou o técnico, que encara a situação alviverde com realismo. ?Tenho plena certeza de que com trabalho e responsabilidade nós vamos sair deste momento difícil que estamos vivendo?, resumiu.

Colegiado

O gerente Oscar Yamato afirmou que Cláudio Marques vai dividir tarefas com o ex-interino Antônio Lopes Júnior. ?Não há hierarquia. Não podemos desmerecer o trabalho do Júnior, que vai ficar com a gente?, disse o dirigente, que depois afirmou que as decisões serão de Marques. ?Eles conversaram e chegaram ao ponto comum do Cláudio ser o responsável?, completou. ?Aqui todos têm o direito de opinar, seja o Júnior, o Eudes (Pedro, auxiliar) e o Ramirez (coordenador técnico). Mas a decisão final é minha?, finalizou o técnico alviverde.

Time está no limite

Caiu a ficha? Da noite de terça-feira até agora, a diretoria do Coritiba busca soluções para a pior crise institucional do clube nas últimas temporadas. Apesar de poupado pela maioria dos torcedores, o presidente Giovani Gionédis também acabou envolvido nas críticas após o fracasso (3 a 0) contra o Cruzeiro – a 6.ª derrota seguida, a pior série negativa do Coxa na história dos campeonatos brasileiros, que deixa a equipe perigosamente próxima da zona de rebaixamento. Depois de estudar várias fórmulas, a única alteração visível foi a troca de técnicos interinos. Saiu Antônio Lopes Júnior, entrou Cláudio Marques.

O último ato de Lopes Júnior no comando coxa foi agitado. Após pedir e receber o apoio dos torcedores, a queda abrupta da equipe fez com que a vitória da Raposa fosse inevitável. Após a partida, antes de ser chamado para a reunião com a diretoria, o então interino disse que ?estava muito à vontade?, que recebia o apoio dos jogadores e que estava à disposição dos dirigentes. Quando perguntado se, caso fosse o presidente, manteria Antônio Lopes Júnior como técnico, respondeu com uma associação jocosa. ?Se meu pai fosse mulher, eu tinha duas mães?. A declaração constrangeu os jornalistas.

Até o capitão

Enquanto isso, a diretoria alviverde buscava soluções. Na virada da terça para a quarta, a posição era de dissolver o departamento de futebol, afastando Lopes Júnior e demitindo o gerente Oscar Yamato e o coordenador técnico Sérgio Ramirez. O cronista esportivo José Hidalgo Neto, o Capitão Hidalgo, foi convidado para assumir o comando do futebol, mas recusou de pronto. O fato curioso é que, até duas semanas atrás, o radialista não podia entrar no Couto Pereira, devido a uma rusga com o presidente. Depois, desistiu-se da dissolução do departamento de futebol, confirmando-se a permanência de Yamato e Ramirez, os dois mais criticados pela torcida.

Passou-se então à procura de um treinador. Na hora do almoço, a assessoria de imprensa informava a troca de comando interino: Cláudio Marques, um dos mais importantes jogadores da história do clube, hoje coordenador das categorias de base, comandará o time contra o Internacional, amanhã, às 20h30, no Beira-Rio. O jogo é o último dos remarcados pelo STJD por conta da manipulação de resultados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho.

E se a diretoria trabalhava e o elenco treinava, a torcida ficava a cada instante mais preocupada. Não tanto pela escolha de um ou de outro técnico, mas pela constatação que, por mais que o time perca partidas, não se vê reação, principalmente dos jogadores. No pior momento do time na temporada, não se ouviu uma declaração realista. A mais próxima do momento atual foi do lateral Ricardinho. ?Não podemos falar nada. A torcida veio aqui, nos apoiou, e não conseguimos o que eles queriam. Eles estão no direito deles de nos vaiarem?, disse. Mesmo assim, parece que para muitos no Alto da Glória e no CT da Graciosa, a ficha ainda não caiu.

Império dos ?panos quentes?

A torcida coxa-branca ainda não entrou em desespero. Apesar das inúmeras manifestações iradas do povão na derrota por 3 a 0 para o Cruzeiro – a sexta consecutiva no Brasileiro -, a maior organizada do clube pede calma nos jogos restantes em casa.

Para o presidente da Império Alviverde, o público foi injusto ao atacar Giovani Gionédis durante a partida contra o Cruzeiro. ?Ele não é o culpado, e sim as pessoas que contrataram vários jogadores que não deram certo?, falou Luiz Fernando Correa, o Papagaio, que evitou citar os nomes de Oscar Yamato e Sérgio Ramirez, chefes do departamento de futebol do clube.

Papagaio tenta marcar uma reunião com Gionédis para expor a posição da organizada. ?Queremos saber quem são os responsáveis pelas contratações. Essas pessoas não podem errar tanto?, falou o líder de torcida.

Para os próximos jogos, a Império não projeta novas manifestações. ?Nessa hora, quanto mais lenha puser na fogueira, pior. O momento é de calma, até porque estamos alguns pontos acima da zona de rebaixamento?, lembrou Papagaio. Para ele, a saída do time é contratação de um treinador experiente, que tenha comando e possa transmitir calma ao elenco.

O Coxa só volta a jogar em casa no dia 3, uma quinta-feira, contra o Figueirense. Antes disso, pega o Inter, amanhã, em Porto Alegre, e o Flamengo, segunda-feira, no Rio.

?Dupla garantida?

Os dois personagens mais criticados da fatídica noite de terça-feira estão mantidos nas suas funções. Oscar Yamato permanece como gerente de futebol e Sérgio Ramirez segue como coordenador técnico. Ambos confirmaram o bom trânsito com a diretoria, principalmente com o presidente Giovani Gionédis, e afirmaram que não podem ser considerados os únicos culpados da má fase do Coritiba. Ramirez, coordenador técnico desde 2002, argumentou que o clube é gerido por várias pessoas. ?Não há como dizer que uma ou outra pessoa é o problema. Várias coisas aconteceram no clube, alguns atletas foram negociados. Não estamos em um bom momento?, diz.

Yamato, gerente de futebol desde 2000, tem uma posição clara sobre as cobranças. ?Respeito muito, porque o maior patrimônio do clube é a torcida. O torcedor tem todo o direito de reclamar. Nós sempre trabalhamos com segurança, as decisões são tomadas em acordo com a diretoria. E estou tranqüilo, porque fiz o melhor e faço o melhor pelo Coritiba.?

Sobre um convite para o Capitão Hidalgo assumir a função, Yamato foi político. ?Não sei sobre isso, só ouvi comentários. Mas a diretoria tem total liberdade para conversar comigo. Não há motivos para segredos. Se houver uma decisão, certamente serei informado?, afirmou.

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