O ex-nadador russo Alexander Popov provocou César Cielo, dizendo que o brasileiro não é páreo para os australianos nos 100 m livre nos Jogos de Londres. A resposta veio hoje, depois de treino, com ironia não apenas de Cielo mas também de seu treinador, Albertinho.

“Se o cara está falando, deixa ele falar. Eles [australianos] voltam forte, mas eu passo forte [os primeiros 50 m], então a gente vai ver na hora o que sai”, disse Cielo.
Albertinho preferiu usar a frase do ex-jogador de futebol e hoje deputado federal Romário direcionada a Pelé em 2005, quando ouviu que deveria se aposentar. “De boca fechada é um poeta”, afirmou o treinador.

Em entrevista ao canal Sportv, Popov declarou que o brasileiro e os australianos “podem até largar juntos, mas Cielo não conseguirá voltar com eles”. Vencedor de nove medalhas olímpicas, o russo disse ter ficado impressionado com a performance dos australianos na seletiva.

James Magnussen, 21, é o principal nome da Austrália para os 100 m livre. Em março, ele marcou 47s10 e se aproximou do recorde mundial que é de Cielo (46s91). Contudo, os 100 m livre está longe de ser a prova favorita de Cielo e tem rendido resultados incômodos.

“Vou tentar fazer o meu melhor na piscina, tentar fazer a melhor prova que posso. Não vou fazer minha prova em cima de nenhum adversário”, disse Cielo. Hoje, no Crystal Palace -centro de treinamento que vai abrigar atletas brasileiros de diferentes modalidades antes das competições na Olimpíada-, o brasileiro reclamou muito dos erros que cometeu durante o treino de velocidade.

Cielo não revela detalhes do que precisa aprimorar nos 50 dias que faltam para os Jogos de Londres temendo expor suas fragilidades aos adversários. Mas deixa escapar que está “muito lento no treino”.

Oito nadadores brasileiros treinam em Londres até a próxima segunda-feira, quando seguem para Roma onde disputarão do Troffeo Settecolli. A competição é encarada pelos atletas como um “treino forte” com nadadores europeus e uma oportunidade de testar um sistema de competição similar ao das olimpíadas, com checagem de maio e toucas, por exemplo.

Por mais um mês os atletas continuam com um ritmo puxado de treinamento, duas vezes ao dia, antes de dar início à fase final antes dos Jogos.