O treino da seleção brasileira em Salvador teve poucos espectadores na tarde desta segunda-feira. Kamilla Christina Magalhães foi uma delas. Paraibana de 14 anos, vive na capital baiana e torce pelo Internacional de Porto Alegre. Com a camisa do time gaúcho, ela não titubeou ao chegar no portão principal do Estádio de Pituaçu. Sem ingresso para ver o jogo de quarta contra o Chile, ouviu do guarda que o acesso era proibido.

“Eu vim retirar um ingresso”, mentiu, descaradamente. Mas faltava ainda conseguir entrar no estádio. Aí apelou para o segurança. Pediu, implorou, chorou. Conseguiu. Tudo para ver o ídolo Nilmar.

“Olha lá… é o meu baixinho. Eu torço pela seleção, mas vim aqui para ver o Nilmar. O segurança falou que não podia me deixar entrar. Disse que se precisasse, passava por debaixo do portão”, contou Kamilla.

Suas mentiras e apelos sentimentais a fizeram ser um dos cerca de 70 torcedores que assistiram ao treino do Brasil nesta segunda. Enquanto isso, mais de 400 pessoas não conseguiram nem se aproximar do estádio, barradas pela Polícia Militar.

A organização da partida não deu qualquer explicação sobre quais os critérios utilizados para liberar a entrada apenas de alguns torcedores sortudos, como Kamilla. “Eu nem ligava para o futebol. Mas um dia vi pela televisão um jogo do Inter contra o Botafogo. Foi quando me interessei pelo time.” E por Nilmar, é claro.

Outro afortunado foi o chileno Adriano Misseroni Gabrielli, de 56 anos. Na verdade, meio chileno, meio brasileiro. “Moro no Brasil há 46 anos. Há dez estou nesse paraíso [Salvador]. Na verdade, minha família é toda italiana”, explicou Gabrielli.

Ele pôde pagar os astronômicos R$ 100 pelo ingresso de arquibancada. Mais barato do que os R$ 250 cobrados da torcida visitante. “Mandei fazer uma camisa metade vermelha, metade amarela”, contou, lembrando as cores dos dois países.