Foto: Valquir Aureliano/O Estado
Beto não joga contra o Rio Branco.

O capitão Beto já se prepara para um novo ?teste para cardíaco?, agora contra o Rio Branco, em Paranaguá. Suspenso, ele viu da arquibancada o empate sofrido, diante do Iraty (1 a 1), que colocou o Paraná Clube nas semifinais do Campeonato Paranaense. No próximo domingo, mais uma vez o volante não estará em campo. Além do cartão vermelho, ele recebera, no primeiro jogo das quartas-de-final, o terceiro cartão amarelo. ?É uma sensação complicada. O jeito é torcer e esperar o jogo de volta, aqui no Pinheirão, com a nossa torcida apoiando?, disse.

Ao lado do zagueiro Émerson e do goleiro Flávio, ele dá o toque de experiência ao elenco, que é essencialmente jovem e formado por atletas em busca de projeção nacional e uma evolução em suas carreiras. Beto é um líder dentro e fora de campo e o técnico Luiz Carlos Barbieri não esconde que o desfalque faz com que o Tricolor tenha outro comportamento no setor de meio-de-campo. ?Com ele, o time ganha consistência defensiva e qualidade no ataque, com suas infiltrações e lançamentos?, comentou o treinador.

A importância de Beto é reconhecida também pelos dirigentes, que já negociam a renovação de seu contrato até o final de 2007. ?Está tudo acertado. É só colocar no papel?, assegurou o vice de futebol, José Domingos. Mais comedido, Beto diz ainda estar em período de conversações. ?Está encaminhado, mas ainda não assinamos nada. Até recebi outras propostas, mas a prioridade é ficar no Paraná?, disse o jogador. Além de Beto, a diretoria paranista já negocia as renovações de outros três jogadores cujos contratos se encerram no mês que vem: os titulares Rafael Muçamba e Neguete e o suplente Marcos Leandro.

Mesmo não participando dos jogos, Beto exerce papel importante, orientando os demais jogadores no dia-a-dia. ?Procuro passar coisas boas. Mas, o melhor é o bom exemplo, trabalhar sempre com muito profissionalismo?, disse. Beto ainda será julgado por sua expulsão em Irati, após um ?desentendimento? com o meia André. ?Confio nos advogados. Espero ser absolvido, pois não fiz absolutamente nada no lance, e voltar ao time o quanto antes?. Com Beto fora do primeiro jogo frente ao Leão, Barbieri deve confirmar a manutenção de Serginho no setor. A tendência é que o Paraná tenha a mesma formação da última jornada, apenas com a volta natural de Émerson à zaga.

Flávio, é um senhor profissional

Com ?cara de mau?, ele dá a impressão de ser fechado. Pode até ser ranzinza, mas é um profissional que busca sempre a perfeição. O goleiro Flávio vive um grande momento na carreira e espera coroar a boa fase com o título estadual de 2006. De quebra, busca terminar a competição como o goleiro menos vazado do Estado, repetindo o que fez no ano passado, quando foi o melhor camisa 1 do Brasil. Aos 35 anos, o Pantera diz estar ainda em ?lua-de-mel? com a galera paranista e prevê um ano de conquistas para o Tricolor.

Paraná-Online: Você está chegando à sua quarta temporada no Paraná. É o momento de confirmar a boa fase com um título?
Flávio: Espero que sim. Tudo se encaminha para isso, pois o trabalho desenvolvido desde o início do ano é muito bom. Passamos por duas etapas, com dificuldades, mas mostrando superação. Foi assim na fase classificatória e nos jogos contra o Iraty. O grupo está unido e com espírito vencedor.

Paraná-Online: O que mudou na sua vida desde 2003, quando chegou com a fama de campeão brasileiro, conquistado no Atlético, e sendo, hoje, um dos grandes ídolos tricolor?
Flávio: Fico feliz, pois o reconhecimento do torcedor existiu desde o primeiro instante. Vim de um time rival e eu não esperava ser recebido com tanta alegria, com tanto respeito. Desde então, peguei um carinho muito grande pelo clube, uma vontade de jogar pelo Paraná e ser campeão. Resgatar a hegemonia do futebol paranaense. Por isso, vamos fazer de tudo para conseguir esse título.

Paraná-Online: A cada momento de renovação você cobrava a montagem de um elenco competitivo. O Paraná evolui nos últimos anos?
Flávio: Evoluiu muito. Sempre cobrei elencos fortes porque o Paraná não pode entrar em um estadual só para participar. Tem que estar brigando pelo título. É um time grande e que não pode jogar apenas para não ser rebaixado. Os dirigentes estão montando equipes mais fortes, com jogadores de qualidade. No dia 9 de abril, espero dar a volta olímpica, sabendo que para chegar lá vamos ter que jogar com muita garra. Ainda restam quatro decisões.

Paraná-Online: Você vive intensamente a sua profissão. Como é a sua rotina fora do clube?
Flávio: Sou um cara tranqüilo. Gosto de ficar em casa, passear com minha esposa. Mas, sou bastante fechado. Sou calado por natureza. Muitos até me acham arrogante, mas não é nada disso. Sou sério, de poucas risadas. Mas, aqueles que convivem comigo sabem que sou brincalhão. Com 35 anos, mas com a cabeça de um menino de 20. Vivo para o futebol e para a minha família. Dentro de campo grito, xingo. Mas, fora, sou bastante calmo.

Paraná-Online: A vida financeira está resolvida?
Flávio: Ainda não, cara. Espero jogar mais uns cinco anos, mas jogando bem, buscando conquistas. Não quero chegar ao ponto de apagar toda a história que construí. Na hora que eu sentir que não dá, páro mesmo. Tenho uma vida financeira, com a ajuda da minha esposa, estável. Hoje, o momento é muito bom e espero seguir com essa performance por algum tempo. A expectativa é conseguir o título deste ano. Por enquanto, só penso nisso.

Paraná-Online: Seus investimentos são apenas em imóveis?
Flávio: Por enquanto, sim. Compro apartamento, mobilio e alugo. É claro que guardo uma parte no banco, para qualquer eventualidade. Não é fácil vender imóveis e por isso tenho sempre uma reserva. Quando eu resolver parar é que vou pensar em novos investimentos.

Paraná-Online: E quando pendurar as luvas, vai dar um tempo na bola ou pensa em trabalhar no futebol?
Flávio: Quero trabalhar dentro do futebol. Já aprendi muito na minha carreira e quero trabalhar na bola. Mas, por enquanto, meu negócio é ali, dentro de campo. Não penso em ser técnico, mas quem sabe, treinador de goleiros? Não sei. Mas, repito, ainda sinto que estou bem e quero aprimorar a minha forma a cada dia, para estar sempre ajudando o Paraná.

Paraná-Online: Desde que você chegou, você nunca fala no Atlético. Referesse ao rubro-negro como ?time rival?. Ficou alguma mágoa?
Flávio: Não tenho mágoa do Atlético Paranaense. Já que você citou, vou falar. O Atlético foi o clube que abriu as portas para que eu fosse conhecido nacionalmente. Minha bronca não é com o Atlético, mas com as pessoas que fazem o clube. Deixei muitos amigos lá, roupeiros, massagistas, jogadores, funcionários. Sem falar na torcida. Já de alguns dirigentes… As pessoas podem até achar curioso, mas para mim foi bom sair, porque conheci o Paraná Clube, que me abriu as portas e sou muito feliz aqui.