Os recentes desentendimentos entre clubes e a Federação Paranaense de Futebol (FPF) estão ajudando a “paranizar” o Campeonato Catarinense. O Iguaçu de União da Vitória resolveu se exilar no estado vizinho com a camisa do Porto. Já o São José passará a ser Operário Mafra.
Todo processo de “migração” do Iguaçu teve início no ano passado. Com o clube impedido de se inscrever para disputa da Divisão de Acesso do Paranaense, diretores do time de União da Vitória decidiram por uma parceria com o Agex, equipe amadora de Curitiba. Foi a forma encontrada para não deixar a cidade momentaneamente órfã de futebol.
Depois de o Iguaçu-Agex obter o vice-campeonato da Terceirona estadual 2010, um desentendimento entre as partes desfez a parceria. Apenas dirigentes ligados ao Agex participaram da montagem do time para a Divisão de Acesso 2011. Demais responsabilidades também ficaram concentradas entre eles.
Diante da situação, o presidente da Associação Atlética Iguaçu, Odenir Borges, optou por uma saída inusitada. “Decidimos jogar o Campeonato Catarinense. Estamos fazendo fusão com o Porto, de Porto União, que fica em Santa Catarina e faz fronteira com União da Vitória. Serão duas cidades de estados diferentes unidas por um só time”, disse.
Apesar de catarinense, o time do Porto vai jogar a Segundona de seu campeonato estadual em solo paranaense. Na falta de um estádio apto a receber partidas na cidade de Porto União, a equipe mandará jogos no Antiocho Pereira, em União da Vitória.
“O mesmo vale para os treinamentos. Será a Associação Atlética Iguaçu que vai ceder toda estrutura”, afirma Odenir Borges, antes de completar: “Vivemos um momento difícil pro futebol profissional do Paraná. Pouco apoio e muita cobrança. O presidente (da federação, Hélio Cury) parece não precisar dos times profissionais, já que tem os votos das ligas amadoras e times e Curitiba”.
Também buscando exílio no estado vizinho, a diretoria do São José vem articulando a participação do Operário Mafra na Terceirona do Catarinense. A medida, de acordo com o vice-presidente da equipe da região metropolitana de Curitiba, João Otávio Simões, significa “uma mudança da água pro vinho”. “É vantajoso fazer futebol lá. Temos até lucro.”
A reclamação do dirigente é embasada nos obstáculos colocados à frente do São José para a disputa da Divisão de Acesso do Paranaense 2011. “Em Santa Catarina temos patrocinadores para pagar a arbitragem. No Paraná tivemos de jogar fora, sem torcida e pagando tudo do bolso. Fora isso, mesmo se fossemos campeões, já estávamos rebaixados pra Terceirona estadual, já que a FPF nos proibiu de participar do Estadual sub-18”, lamenta João Otávio.
