É bastante comum time e torcida comemorarem a saída de um treinador que não conseguiu títulos, bons resultados ou colecionou inimizades durante seu trabalho. Incomum mesmo é festejar a demissão de um treinador que fez um bom trabalho e foi campeão invicto. Não no interior do Paraná.

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O gaúcho Paulo Turra, comandante do Cianorte na vitoriosa campanha que reconduziu o Leão do Vale à elite do futebol estadual, será o novo auxiliar-técnico de Luiz Felipe Scolari no Guangzhou Evergrande, da China. O convite – prontamente aceito – foi feito na semana passada e, após conversar com a diretoria do Cianorte, com quem tinha contrato até o final de 2017, Turra arrumou as malas e já estuda mandarim pela internet.

“O Cianorte é um clube diferente. A comunidade é muito envolvida e agradecida pelos profissionais que fazem o futebol na cidade. Quando se faz um trabalho humilde, limpo e correto, cria laços de amizades com as pessoas, que passam a torcer por você não só como profissional”, contou Turra, á Tribuna. Apesar de causar momentos de preocupação ao projetar a temporada 2017, o gerente de futebol do clube, Adir Kirst, ficou feliz com a notícia.

“Ficamos felizes, pois o Paulo merece esse reconhecimento pelo excelente trabalho que fez. Não é comum um time na situação que estávamos, na segunda divisão, projetar um treinador dessa forma. Por isso ficamos muito felizes pelo reconhecimento pelo trabalho que temos desenvolvido aqui no Cianorte”, disse o dirigente.

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Turra conheceu Felipão em 1995, mas foi no Palmeiras de 2000 que eles estreitaram a relação de amizade. “Foi ele quem me levou para lá como jogador e a partir dali nos tornamos grandes amigos. Ele acompanha meu trabalho e fiquei muito feliz que entre tantos profissionais que poderiam receber essa chance ele me escolheu”, contou. Na China Turra será o segundo auxiliar da equipe, já que o primeiro posto pertence a Flávio “Murtosa” Teixeira, fiel escudeiro e parceiro de bigode de Felipão.

O treinador espera que possa aprender muito no futebol chinês e levar um pouco da sua experiência para ajudar no desenvolvimento de jovens atletas do emergente futebol asiático. “Sou um cara de grupo, com ótimo relacionamento com meus atletas. Espero aprender muito, mas ensinar também. Estou sempre buscando uma evolução como profissional e quero que isso seja colocado em prática”, disse. Turra, que atendeu a reportagem durante intervalo de um curso de treinadores da CBF que participa na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

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Apesar de deixar o projeto do Cianorte na metade, o técnico acredita que o time tem potencial para cumprir um bom papel no ano de seu retorno para a primeira divisão do Campeonato Paranaense. “Quando chegamos era um time desacreditado e desconfiado de seu próprio futuro. A diretoria fez um ótimo trabalho em termos de trabalho e estrutura e acredito que tenha deixado uma filosofia, uma linha de trabalho e base sólida para um bom ano”, concluiu, agradecendo à diretoria e povo de Cianorte pelo apoio e carinho..