Quando parece que vai surgir alguém para incomodar, o sujeito erra. E, assim, Michael Schumacher vai acumulando números e mais números para se tornar, de uma vez por todas, recordista de tudo na Fórmula 1.

Barcelona, Espanha – Não falta muito: a bater, apenas as 65 poles de Ayrton Senna. Ontem, o alemão se aproximou um pouco mais. Foi a 59 ao conseguir a pole para o GP da Espanha, quinta etapa do Mundial.

O piloto da Ferrari chegou a Barcelona dizendo que Jenson Button, da BAR, poderia ameaçar sua tranqüila caminhada rumo ao sétimo título em 2004. E o inglês até deu a impressão de que iria mesmo, sendo o único a andar perto dele na sexta-feira. Ontem, o inglês abriu o dia fazendo o melhor tempo. Para ajudar, seu companheiro Takuma Sato confirmou a boa fase do time e registrou, ao final dos treinos livres, a volta mais rápida do fim de semana.

Só que nada valia. O que vale é a classificação. E na classificação Button errou (larga em 14º) e Sato, embora tenha andado bem, não conseguiu fazer frente ao tempo de Schumacher: 1min15s022, quarta pole no ano, quinta seguida na Espanha, sétima em Barcelona. “Estou até surpreso, porque minha posição de entrada na pista não era muito boa”, falou.

De fato, na pré-classificação Schumacher esteve longe de ser brilhante. Ficou em nono e por isso, depois de fazer sua volta na sessão que definia o grid, teve de esperar oito carros fazerem voltas. Só que os rivais, da BAR, já haviam sido batidos. Juan Pablo Montoya, da Williams, era o único que poderia arranhar seu favoritismo, mas nem chegou perto. Embora largue em segundo, seu tempo foi 0s617 pior que o do alemão.

“No fim, fiz uma volta muito boa mesmo”, rendeu-se a ele mesmo Schumacher. Com Button lá atrás no grid e as “ex-grandes” Williams e McLaren vivendo um interminável inferno astral, é provável que vença a corrida com grande facilidade. Rubens Barrichello, que tem o mesmo carro, é outro que não incomoda. Larga em quinto, com um tempo 1s250 pior que o de seu companheiro. Sua pior posição de largada no ano.

Se Michael confirmar o que se espera das 66 voltas da prova de hoje, com largada às 9h de Brasília, chegará a cinco vitórias nas cinco primeiras corridas de uma temporada, algo que só aconteceu uma vez na história da categoria, com Nigel Mansell, em 1992. E levará a Alemanha a superar o Brasil em vitórias. Os dois países estão empatados com 86. Schumacher ganhou 74 para os tedescos, enquanto que os brasileiros dividem seus triunfos entre Senna (41), Piquet (23), Fittipaldi (14), Barrichello (7) e Pace (1). A Grã-Bretanha lidera essa informal “copa das nações” com 189 vitórias divididas entre 17 pilotos, contando ingleses, escoceses e irlandeses.